TRABALHO: prêmio ou castigo?
Por Nara Maria Müller
Você já teve a brilhante ideia de um dia se aposentar e aproveitar a vida? Eu me aposentei há vários anos, mas continuei trabalhando com carteira assinada, por mais algum tempo. Um dia meu marido e eu nos mudamos para o Litoral Norte Gaúcho e eu disse a ele que trabalharia menos para melhor aproveitar a praia. Enquanto ele ainda lecionava em outra cidade e, para lá se deslocava algumas vezes por semana, eu assumi a coordenação da capela do nosso bairro. Fiz algumas palestras em escolas e organizações e me tornei representante do Conselho Regional de Administração - CRA-RS, no Litoral Norte. Participei de um movimento pró desenvolvimento local e me tornei vice-presidente de uma associação beneficente. Fui consultora de um núcleo de mulheres e criei o comitê feminino do CRA-RS no Litoral Norte. Realizei meu desejo de ser escritora. Fui presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL Tramandaí e Imbé, coordenadora de núcleo do Sicredi Caminho das Águas e secretária do Rotary Club Capão da Canoa. Claro que não foi tudo ao mesmo tempo – risos - mas uma coisa foi levando à outra e meu tempo para aproveitar a praia nunca existiu. Alguém aí se identifica com o meu relato?
Agora vamos à uma reflexão sobre a origem da palavra trabalho e sobre o seu significado:
Você já deve ter ouvido, ou lido em algum lugar que a palavra trabalho tem origem no latim: tripalium, termo formado pela junção dos elementos tri, que significa “três”, e palum, que quer dizer “madeira”. O tripalium era um instrumento de tortura utilizado para punir criminosos. Antigamente, as pessoas consideradas menos nobres eram as que realizavam as atividades mais pesadas, muitas vezes provocando-lhes dores e sofrimento. Numa analogia com o tripalium, surge a palavra trabalho. O antigo testamento também traz uma conotação punitiva do trabalho, no clássico exemplo de Adão e Eva, que, após descumprirem ordens do Criador, foram expulsos do Paraíso e obrigados a trabalhar pela sobrevivência.
O século XIV, trouxe consigo, uma outra forma de ver o trabalho, agora como uma forma de oferecer oportunidades de satisfação, não apenas das necessidades básicas, como também dos anseios e desejos inerentes ao ser humano. Para nós, mulheres, trabalhar fora e ter nossa própria remuneração foi uma conquista importante e nos trouxe dignidade, embora ainda enfrentemos grandes desafios que não cabem neste artigo.
Mas por que o trabalho continua sendo um suplício, para muita gente? Por que a maioria das pessoas ainda espera pela tão sonhada aposentadoria? Por que tanta gente joga suas esperanças nas Bets ou loterias para se livrarem, definitivamente, do “chefe”?
E se o trabalho é tão ruim, por que vemos pessoas, que, após a aposentadoria, continuam trabalhando, mesmo não tendo necessidade de aumentar a renda, apenas para se sentirem úteis?
Eu tenho uma teoria sobre essa temática, mas vou deixar a pergunta abaixo para você responder: Na sua opinião, onde está a linha que divide o trabalho como prêmio do trabalho como castigo?
