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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Agricultura Orgânica

Hoje fui ao primeiro dia do encontro de Agricultura Orgânica da UCS.

Acho que posso considerar este como meus movimentos iniciais rumo à terceira fase da minha linha de pesquisa.

Em um primeiro momento, eu estava interessado na certificação do sistema de gestão ambiental na indústria. Depois, até por causa dos resultados desta primeira pesquisa, fiquei curioso com a gestão ambiental à montante na cadeia de suprimentos - ou seja, o que as empresas faziam para melhorar ou garantir o desempenho ambiental de seus fornecedores.

Num futuro próximo, minha investigação vai rumar para olhar para a cadeia produtiva como um todo, da produção mais básica (onde? Insumos? Grãos? Carne? Ainda não sei) até a ponta, na gôndola do supermercado. Talvez, com uma parceria com alguém de Marketing / Comportamento do Consumidor, até possamos tentar entender um pouco a cabeça de quem compra e, no fim das contas, determina como as coisas acontecem na cadeia.

Foi uma primeira aproximação de um objeto de pesquisa com o qual eu tenho pouca intimidade. Historicamente, eu me interesso pelo funcionamento de grandes empresas. Na área da produção primária, seja de grãos, de gado ou de cana, a grande empresa chama-se "fazenda", e é nela que acredito que deva focar. Bem, dependendo da conotação ideológica, também chamam a grande empresa agrícola de "latifúndio", onde se pratica o que chamam de "agricultura convencional" (em oposição à "agricultura alternativa"?).

Até hoje, eu achava inconsistente querer estudar grandes empreendimentos e alimentos orgânicos. Hoje ouvi uma história interessante. O Paulo D'Andrea, proprietário de uma empresa que faz, há mais de dez anos, um "fermento" para controlar a diversidade microbiológia no solo (Microgeo) contou que uma grande fazenda de cana em São Paulo, com mais de sete mil hectares, mantém mil hectares com "cana orgânica", sem qualquer certificação. Objetivo: nenhum relacionado a mercado, normalmente associados à produção orgânica (acesso a consumidores exigentes) e, obviamente, nem ideológicos, como parece ser a norma do setor. A preocupação parece ser meramente operacional: processar eficientemente os dejetos da propriedade. Opa! Interessou. Vou investigar mais a fundo esta história.

* * *

O que eu entendi da parte técnica (acho que estou ficando meio bom neste negócio de "pescar" coisas no meio de um monte de palavreado que não entendo nada - nunca tinha ouvido falar em rizosfera!):

* A raiz da planta é circundada e penetrada por centenas de bactérias e fungos, que se alimentam dos dejetos da planta e a protegem do ataque de outras bactérias e fungos que degeneram a planta.

* Cada bactéria é especialista em poucos tipos de plantas. Por ter entre 1 e 3 enzimas, elas não podem processar uma grande diversidade de alimentos (no caso, os polissacarídeos que a raiz da planta exuda).

* Com a redução da biodiversidade vegetal, causada pelo Homem (leia-se: monocultura), reduz-se a biodiversidade também das bactérias. Alguns agrotóxicos (herbicidas, inseticidas, etc.) também matam estas bactérias, deixando o solo sem vida microbiológica.

* Esta redução torna o solo (e as plantas) mais suscetíveis ao ataque de "pragas" (talvez a grande praga seja o próprio Homem... vai saber...)

* * *

Isto posto, tenho de confessar que, racionalmente, não deveria ter ido. Estou atolado até o pescoço de coisas para fazer: artigos para finalizar, provas para elaborar, aulas para preparar. Enfim, tudo, menos alocar tempo escasso para um projeto de longo prazo... De qualquer maneira, eu aprendi uma coisa quando eu trabalhava como consultor. Eu costumava dizer que o trabalho no cliente era dinheiro no curto prazo, a prospecção de clientes (e atividades relacionadas, como participar de eventos de negócios) era dinheiro no médio prazo e aprendizado era dinheiro no longo prazo.

Hoje, como pesquisador, meu "dinheiro" é minha produção científica: artigos e orientações de alunos. Cada artigo que eu mando para um periódico, é claro, será uma produção no curto prazo. Cada aluno que oriento, e cada projeto de pesquisa que eu executo (ou seja, coleto dados) é produção no médio prazo. E projetos novos, ainda em gestação, são produção no longo prazo. Se eu não tiver tempo alocado para cada uma destas atividades, vai ter um "buraco" na minha produção, em algum momento, agora ou no futuro. É um equilíbrio delicado, mas eu vou ter que buscar.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Fim da Comida Barata

O gráfico aí do lado é da revista The Economist (www.economist.com). Ele mostra o aumento do preço do alimento no mercado mundial. Depois que terminou o evento de mudanças climáticas, um professor que estava na platéia se aproximou de mim e disse que minha pergunta era o tema de um artigo nessa revista.

Segundo esse artigo, o aumento da demanda de grãos, causada entre outras coisas pelo novo uso para biocombustíveis, compete com o uso desses grãos para uso alimentar, aumentando o seu preço.

Ou seja, esse negócio de que biocombustível (biodiesel, álcool, etc.) só tem vantagens não é bem assim.

Quem quiser ler a entrevista na íntegra, aqui vão os endereços:

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10250420

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10252015&CFID=3975314&CFTOKEN=994710bb9000b90c-6B01A19B-B27C-BB00-012B409B7A664A11

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Negociações em Toronto

Desde que eu estive em Woodstock, em setembro passado, tenho mantido contato com a Carol Anne, da LHO (Ontario Large Herd Operators), para intermediar a visita técnica ao Brasil, de uma delegação de fazendeiros de leite ligados a essa organização.
Durante as palestras sobre sucessão familiar nas fazendas de leite, em Woodstock, o mestre de cerimônias anunciou que o grupo estava planejando uma visita à América do Sul para 2008, incluindo o Brasil.
Como eles ainda não tinham um roteiro definido, tratei de fazer contatos com alguns brasileiros que, na minha opinião, poderiam ajudar. Mandei alguns e-mails e obtive resposta da Manuela Gama, da Láctea Brasil, de São Paulo.
A LácteaBrasil é uma ONG que visa divulgar o leite e seus derivados a fim de aumentar o consumo e as vendas desses alimentos. http://www.lacteabrasil.org.br/
A Manuela imediatamente me informou o endereço eletrônico de outra brasileira: a Leila Gomes, que é assessora de comunicação da cooperativa Castrolanda, de Castro - Paraná.
A Castrolanda é a organizadora de uma importante feira brasileira de laticínios: a Agroleite, realizada em agosto, no Paraná.
O mais interessante é que as duas: Manuela e Leila estavam se preparando para acompanhar uma delegação brasileira com mais 51 pessoas em uma viagem para o Canadá. A delegação viria para visitar duas importantes feiras: uma em Montreal - Quebec e outra em Toronto - Ontário.
A Royal Agriculture Winter Fair de Toronto elas visitariam entre os dias 7 e 10 de outubro. E lá fui eu, de maleta e sem cuia, para Toronto, no dia 8 para encontrá-las no dia 9.
Saí de London às 10h30min, estava frio (entre 2 e 3 graus C) e chuviscando um pouco. Quem leu meu post anterior, sabe que tinha nevado uns 6 floquinhos no dia anterior - risos.
No caminho para Toronto, entre Ingersoll e Waterloo, enfrentamos uma tempestade de neve e os campos, árvores, telhados e carros estavam branquinhos, acho que nevara a noite toda naquela região.
Minha máquina fotográfica estava na frasqueira no compartimento interno de bagagem, mas o acesso estava meio difícil, então pensei: "vou ficar quietinha só olhando a paisagem e tiro as fotos em Toronto" - imaginei como a Manuela estaria feliz por realizar seu sonho de ver neve de verdade! Engano meu, em Toronto o clima estava igual a London, frio e chuviscando (chuva, não neve).
Good for me (heheehe).
Fiquei na casa dos amigos Júnior e Sheila e, sexta-feira de manhã, fui visitar a Royal Fair. Tinha marcado encontro com as brasileiras para às 14 horas, no hotel onde estavam hospedadas.

***
Sobre a feira:

A feira estava bonita, totalmente indoor (dentro do centro de exibições de Toronto) devido à época do ano em que se realiza. Normalmente, já deveria estar nevando muuuuito nessa época, mas, felizmente, não está.
Confesso que me decepcionei um pouco, pois a propaganda mostrava uma das maiores feiras do mundo. Eu até me atreveria a dizer que a Expointer é mais bonita...

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Encontro com as brasileiras:

Nós não nos conhecíamos pessoalmente, então eu fiz uma breve auto-descrição e disse que estaria com um casacão marrom com capuz de pelinhos...
Cheguei um pouco antes das duas horas e fiquei esperando no saguão do hotel. Aivstei duas moças chegando no hotel e elas logo me identificaram (descrição perfeita). Ufa!!! pude tirar o casacão - estava morrendo de calor, pois todos os ambientes internos são climatizados.
A Manuela não estava se sentindo muito bem e foi para o quarto e eu fiquei conversando com a Leila por uma hora e meia.
Tudo acertado entre nós duas: ela tem o ambiente perfeito para receber os fazendeiros canadenses. Só falta convencê-los disso. (risos) Muitos fazendeiros aqui de Ontário são de origem holandesa e a região de Castrolanda, no interior de Castro também é uma colônia holandesa.
Passei essas informações para a Carol Anne, da LHO, e estou aguardando o resultado da reunião do comitê organizador da viagem à América do Sul.

***
Contatos na Austrália:

Depois de nos despedirmos, a Leila subiu para seu quarto e eu fiquei vestindo meu casacão marrom para enfrentar o frio e o chuvesqueiro da rua. Eu tinha deixado a bolsa, frasqueira e casaco sobre uma mesinha ao lado do sofá e, quando fui apanhá-las, uma senhora muito simpática, que estava sentada ao lado de sua filha, me perguntou se eu falava inglês (provavelmente me ouvira falando em português com a Leila). Respondi que sim e ela tratou de perguntar se eu tinha ido à feira, o que tinha achado e tal... Ela tinha um estranho sotaque (olha quem falando - risos) e eu perguntei de onde ela era: "Austrália" - respondeu ela, toda sorridente. Conversamos um tempo, ela me disse que ela e o marido têm uma fazenda de leite em Melbourne. Eu contei a ela que meu cunhado está fazendo doutorado em Sidney e que minha cunhada e sobrinho estão indo para lá nos próximos dias. Trocamos cartões de visita e ela disse: "Se você tiver alguma dúvida sobre fazendas de leite, manda um e-mail que nós responderemos".
Se o Iuri e eu formos visitar nossos parentes (irmã, cunhado e sobrinho dele) na Austrália, já tenho uma fazenda de leite para conhecer lá.

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A volta para casa: (um fato engraçado)

Dessa vez eu fui sozinha para Toronto, pois o Iuri anda ocupadíssimo com a compilação e análise dos dados da sua pesquisa. Mas ele me deu um ticket de metrô que tinha sobrado de sua ida à Toronto, em junho, para um seminário na Universidade de York.
Perto do hotel onde as meninas estavam hospedadas havia uma estação do metrô e eu desci as escadas rapidamente e me informei no terminal, qual a direção que deveria tomar para ir até o terminal de ônibus. Mapa na mão, eu apontava e dizia que queria ir até esse terminal.
Um senhor me disse para descer as escadas, "logo ali à esquerda" e que lá em baixo, eu veria um sinal indicando o caminho para o terminal de ônibus. Cheguei lá em baixo e logo vi uma porta de vidro com o sinal indicando o caminho para o terminal de ônibus. Atravessei a porta e não vi nenhum trilho de metrô - eu pensava que iria de metrô até o terminal de ônibus - mas só via lojas, cafeterias, bancos, etc. Me dei conta que eu estava na parte subterrânea de Toronto, onde todas as lojas da superfície têm suas extensões. Voltei um trecho e avistei outro terminal do metrô. Atordoada, perguntei ao vendedor de tickets, qual o metrô que eu deveria tomar para ir ao terminal de ônibus. Meio irritado, ele me disse: "Vá caminhando, são somente duas quadras"...
Envergonhada, eu agradeci e segui as placas por dentro da cidade subterrânea. Aproveitei para fazer um lanche e subi as escadas, entrando diretamente no terminal de ônibus. Trouxe de volta o ticket do metrô. Acho que vou levá-lo de recordação para o Brasil.
Minha passagem era para as 19h20, mas consegui antecipar para 16h30 e o ônibus estava quase saindo quando eu entrei. Tirei umas fotos de Toronto, de dentro do ônibus. Acho que só volto para Toronto para tomar o avião de volta ao Brasil, em 18 de janeiro.

Fotos dessa viagem de negócios a Toronto estão em:

http://picasaweb.google.com/naram.muller/RoyalFairEmToronto

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Visita à Associação dos Produtores de Leite de Ontário

No dia 2 de novembro, eu fui à cidade de Mississauga, onde está localizado o escritório central da Dairy Farmers of Ontario - DFO (Associação de Produtores de Leite de Ontário). Eu tinha horário marcado com o diretor assistente de comunicação, sr. Bill Mitchel. O Iuri foi junto comigo, como motorista, fotógrafo e meu assistente de pesquisa (risos). Levou um gravador MP3 e gravou toda a entrevista para que eu não precisasse ficar anotando tudo que o sr. Mitchel dizia.

Ao sairmos de casa pelas 9 horas da manhã, havia geada sobre as gramas e folhas caídas das árvores. Estava -1 grau centígrado e caminhamos uma quadra até a parada de ônibus. De ônibus fomos até a Budget (uma locadora de carros) e pegamos um Toyota Yaris que eu havia reservado pela internet.
Fomos por um caminho alternativo, pois queríamos evitar o intenso tráfego da Highway 401. A viagem foi muito tranqüila, passamos por várias cidadezinhas, fazendas e paisagens lindíssimas, conforme fotos no webalbum: http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/ViagemAMississauga

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A entrevista:

Chegamos à sede da DFO, uns quinze minutos antes da entrevista e o sr. Bill Mitchell nos atendeu um pouco mais cedo do que o combinado. Muito atencioso, ele nos levou ao refeitório da DFO e nos ofereceu café. Depois fomos conduzidos à sala de reuniões, onde duas pastinhas com farta documentação e materiais de divulgação da DFO estavam à nossa disposição sobre a mesa.
Eu já tinha estudado tudo o que pude, através do site da DFO: http://www.milk.org/corporate/view.aspx?content=AboutUs/OurOffices - e estava com meu roteiro de perguntas à minha frente. O sr. Mitchell pediu que eu fizesse uma breve leitura do meu roteiro, a fim de que ele pudesse entender o que eu realmente queria saber.
Então eu fiz as apresentações, perguntei se podia gravar a entrevista e o Iuri ligou seu MP3.
O sr. Mitchell começou a contar a história da DFO, suas finalidades, como funciona o relacionamento dos produtores de leite com a associação.
Eu perguntara se os produtores se sentiam "donos" da DFO, uma vez que minhas experiências com cooperativas e cooperados me mostraram que nem sempre os sócios se dão conta de suas responsabilidades e direitos. O sr. Mitchell disse que aqui eles são donos e agem como tal. A DFO conta com 4800 associados que, literalmente, mandam na associação.
Na verdade, todos os produtores de leite do Canadá são obrigados por lei a pertencer a uma organização como a DFO, por exemplo. Todas as províncias canadenses têm suas próprias Dairy Farmers of ... (Ontário, Quebec, Alberta...). Segundo o sr. Mitchell, outros setores da agricultura e pecuária canadense também possuem suas próprias associações. É importante lembrar que o leite é o principal produto agropecuário de Ontário.

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A organização da DFO

A principal finalidade da DFO é mercadológica, ou seja, vender o leite produzido pelos fazendeiros de Ontário. A DFO, como representante legal dos produtores de leite de Ontário, é encarregada de discutir preços com o governo, com os próprios produtores, com as indústrias e com os varejistas de produtos lácteos da província. Para isso, o primeiro passo é escolher um grupo de fazendeiros bem sucedidos, verificar seus custos e, a partir daí, estabelecer um preço que vai ser negociado com os demais setores (governo, indústria e varejistas) e o preço valerá para todos os produtores de leite de Ontário.
Outra atribuição da DFO é o transporte do leite desde a fazenda até as 72 indústrias que processam a comodity. Para isso, a DFO contrata agências de transportes que se encarregam de fazer alguns exames preliminares e colher amostras em todas as fazendas, antes de coletar o leite dos tanques de refrigeração. As amostras são entregues na sede central da DFO e encaminhadas à Universidade de Guelf, onde são feitos exames de laboratório.
A DFO revisa, aproximadamente uma vez por ano, os containers dos caminhões de transporte de leite, verificando as questões de higiene, as réguas de medição, etc. Segundo o sr. Mitchell, particamente inexistem inadequações nesse processo. Qualquer irregularidade implica em sérias penalidades e isso evita a sua ocorrência.
Para operacionalizar todas essas atribuições numa província tão extensa como Ontário, a DFO é composta de 6 divisões: Comunicações e Planejamento, Serviços Econômicos, Finanças e Administração, Sistemas de Informações, Marketing, Logística e Produção. Essas divisões funcionam na sede central da DFO, em Mississauga. Além dessa sede central, a DFO possui mais 4 escritórios regionais, apenas para alguns atendimentos, e, dependendo da abrangência das questões apresentadas, estas demandas são encaminhados à sede central.
Além disso, a DFO tem 12 representantes em sua diretoria, que representam os 60 condados (espécie de regiões) em que a província de Ontário é dividida. Cada um dos 12 representantes, representa os produtores de leite de 4 condados. Mensalmente, a DFO têm reuniões de diretoria e os representantes replicam os assuntos tratados, as dúvidas levantadas e busca sugestõs, em reuniões com os fazendeiros dos respectivos condados que representam.

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Pré-requisitos para atuar no setor de produção de leite:

Eu perguntei ao sr. Mitchell, o que deve fazer uma pessoa que queira produzir leite em sua fazenda e como funciona o sistema de quotas do qual eu tinha ouvido falar.
Segundo o sr. Mitchell, o negócio funciona assim:
O fazendeiro precisa obter uma licença para ser produtor de leite e essa licença é concedida pela DFO, mediante alguns pré-requisitos que incluem comprovante de endereço da fazenda, número da conta bancária do fazendeiro e a previsão de data para o início das operações.
De posse dessa licença, o produtor providencia toda a estrutura necessária para a produção de leite, incluindo a compra de quotas que limitarão a quantidade de leite a ser vendido e, conseqüentemente, o número de vacas que ele deverá ter em sua fazenda. O sistema de quotas funciona assim:
- O potencial produtor de leite precisa ir a uma espécie de "bolsa de quotas" e tentar adquirir um número que lhe pareça suficiente e pelo que ele puder pagar, dependendo ainda, da disponibilidade de quotas disponíveis no mercado.
- Cada quota corresponde a um peso X de gordura do leite que o fazendeiro pretende vender. Por exemplo: se ele pretende vender X litros de leite por dia, com aproximadamente 200 kilos de gordura, ele deverá comprar 200 quotas.
- Depois é só calcular quantas vacas ele precisa ter em lactação para manter essa quota e tratar de adquirir seu plantel de vacas holandesas (é a raça preferida pelos canadenses).
- A partir do início das operações (já prevista ao adquirir a licença), um fiscal da DFO fará, sem aviso prévio, uma visita para averiguar se tudo está funcionando adequadamente.

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Controle da atividade leiteira pela DFO:

Como eu já falei no início do post, de todo o leite produzido em cada fazenda, o motorista do caminhão de coleta colhe uma amostra, que é posteriormente encaminhada à Universidade de Guelf, para análise. Cada amostra é lacrada com um código de barras que indica em que fazenda o leite foi produzido e coletado. O código de barras impede que os técnicos do laboratório conheçam a procedência da amostra, evitando qualquer possibilidade de manipulação deliberada dos resultados. Os resultados são enviados para o computador geral da DFO e lá ficam registrados. Cada produtor tem uma senha para acesso ao sistema e pode verificar os resultados do leite produzido e entregue a cada dia. (É importante mencionar que os exames das amostras de uma mesma fazenda não são realizados diariamente, seguindo uma seleção aleatória, feita pelo computador central da DFO).
Se o leite produzido numa fazenda for considerado inapropriado para uso, o fazendeiro deverá pagar uma multa, e se ele for responsável pela contaminação do leite de outras propriedades, coletado num mesmo container, esse produtor também deverá pagar o valor correspondente à produção dos demais. Assim, a DFO não é prejudicada com o pagamento do leite descartado e os produtores que tiveram o leite contaminado não deixarão de receber o valor correspondente à produção do dia. Além disso, o produtor que causou o problema, certamente vai procurar uma solução imediata para que isso não se repita. (Aqui a lei pega).
Conforme as declarações do sr. Mitchell, situações de problemas com a qualidade do leite são raríssimas, quase inexistentes.
A DFO também tem sob sua responsabilidade o controle da quantidade de gordura produzida e entregue por cada fazendeiro, verificando se as quotas estão sendo respeitadas.
Se, eventualmente, o produtor não cnseguir atingir a quota, ou se ultrapassar a sua quota diária, os valores superiores ou inferiores ficam registrados, podendo ser compensados em até 20 dias. Caso a diferença persista, o fazendeiro é obrigado a pagar uma multa. Ou seja, o fazendeiro precisa controlar a produção de gordura do leite de seu rebanho diariamente, e tentar encontrar alternativas para controlar as variáveis e equilibrar esse volume com o número de quotas que tem.
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A volta para London:
Saímos da DFO pelas 17 horas e tomamos o caminho de volta para casa. Pelas 18h30min já estava escuro e decidimos parar num restaurante de beira de estrada para jantar. Eu tinha lido na fachada do restaurante que eles tinham steaks (filé, ou bife) e como gaúchos saudosos daquele bom pedaço de carne vermelha, decidimos ficar por ali mesmo. E não nos arrependemos, foi um dos nossos melhores jantares em restaurantes canadenses.
Dali em diante, decidimos voltar pela Highway 401, porque estava muito escuro e já estávamos meio perdidos naquelas estradinhas de tantas esquerdas e direitas...
Chegamos em casa e a primeira coisa que fizemos foi plugar o MP3 no computador para ouvir a gravação e, para nossa surpresa, só tínhamos a segunda parte da entrevista gravada.
A primeira parte se perdeu quando o Iuri trocou a bateria do brinquedinho... Bom, ainda bem que temos boa memória e bastante documentação complementar da DFO para tirar as dúvidas - hehehe!
***
FIM

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Leite adulterado

Desde que larguei a mamadeira, quando ainda era bem pequenina, abandonei também o leite - não suportava tomar leite na xícara com aquela nata toda por cima. Por outro lado, eu acho lindo ver alguém tomando um copo de leite, ver aquele "ouro branco" escorrendo da jarra para o copo. Meus filhos foram criados com bastante leite, afinal de contas, é um alimento completo e muito saudável. Será?

Há dois anos eu tenho me dedicado ao estudo da gestão da produção leiteira, através de um programa de desenvolvimento sustentável que havia em minha cidade. Aqui no Canadá, venho participando de congressos relacionados ao leite e agronegócios e visitado fazendas de leite (já escrevi vários posts sobre o assunto).
Em Taquara, aqueles amigos que me conhecem há mais tempo e sabem da minha "aversão" a tomar leite, brincam comigo dizendo: "Qualquer dia desses nós vamos ver uma propaganda da Nara tomando um copo de leite e fazendo aquela carinha de felicidade!" Eu sempre respondo que eu gosto muito de leite, mas como um "negócio" que deve gerar lucro. O máximo que eu consigo é tomar um yogurtezinho de vez em quando, como mostra a foto ao lado, tirada durante o Congresso Panamericano do Leite em Porto Alegre, em junho de 2006. (risos)

A história nos conta que no passado a maioria dos produtores de leite adulterava o produto, adicionando água para aumentar a quantidade vendida. De vez em quando ainda se ouve relatos sobre o assunto, mas acredito que isso tenha se reduzido bastante devido à fiscalização intensiva que é feita pelos agentes de segurança alimentar em suas diversas instâncias. Será?

Em agricultura e pecuária, não sei se por ironia do destino ou por maldosas intenções, sempre que um produto começa a melhorar em qualidade e começa a ter mais peso no PIB, alguma coisa acontece para acabar com a alegria dos produtores.

De todos os produtos agropecuários, me parece que o leite sempre é o menos valorizado e é o que passa por crises mais freqüentes. Agora surge esse escândalo de adulteração de leite com soda cáustica, água oxigenada e sabe-se lá quantas coisas mais. Em princípio duas cooperativas são apontadas: a Casmil e a Coopervale, ambas de Minas Gerais. Os funcionários das cooperativas acusadas afirmam que os fiscais faziam vistas grossas para a fraude - como pode?

Como é que a gente vai conseguir criar uma imagem séria do nosso país e dos produtos nele produzidos, se gentinha como essa anda solta por aí adulterando nossos alimentos? Nós mesmos não podemos confiar no que comemos ou bebemos! Como ter certeza, nos próximos dias, de que o leite que estamos dando aos nossos filhos não contém soda cáustica?

Quando eu digo que gosto muito de leite como um negócio que deve gerar lucro, não aceito a hipótese do lucro a qualquer preço, principalmente quando envolve a saúde humana.

Na sexta-feira, dia 2 denovembro, eu vou conhecer a sede do escritório principal da Associação dos Produtores de Leite de Ontário e vou entrevistar o diretor de comunicação dessa organização. E se ele me perguntar sobre o escândalo da soda cáustica? Vou tentar responder: "Sempre tem gente má envolvida em qualquer setor de negócios ou na política, mas nem todos são assim..."

Eu ainda acredito nisso, mas vocês acham que eu vou convencê-lo? Não sei... Vou sentir vergonha, com certeza.

Veja essa reportagem:

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Produção Leiteira no Canadá

Nós já fizemos alguns posts sobre a produção de leite no Canadá, mas sei que estou devendo maiores detalhes sobre as práticas canadenses de "tirar leite de vaca" com maior produtividade e lucro.

Algumas características importantes diferenciam as práticas do Brasil e do Canadá em relação à produção de leite ou dos demais produtos do setor agropecuário. O clima é uma dessas características: durante alguns meses, a terra em Ontário é coberta por neve, a temperatura oscila entre +30ºC e -30ºC, que inviabiliza o uso constante de pastagens e a criação extensiva.

Com relação às diferenças climáticas entre o Brasil e o Canadá e sua influência nas formas de manejo do gado leiteiro, posso dizer que o sistema utilizado aqui é o de confinamento, com raras exceções em que as vacas são levadas às pastagens, durante o período de verão. Como o inverno é muito rigoroso por aqui e a neve cobre totalmente os campos canadenses, o rebanho permanece confinado em grandes e confortáveis estábulos, prioritariamente os freestalls, ou baias abertas, proporcionando às vacas liberdade de circulação. Esses estábulos são bem arejados e todas as aberturas são cobertas por telas - assim como as residências humanas. Na parte externa dessas aberturas, há cortinas suspensas durante o verão, que são rebaixadas quando o frio chega. Assim o gado permanece em temperatura agradável durante todo o ano. Há fotos desses estábulos no webalbum, cujo endereço está no final deste post.


Como eu já mencionei, no verão alguns fazendeiros levam suas vaquinhas para conviver com a natureza, como é o caso de John Urquart (marido da Cathy do Big Sisters of London). Outros ainda, preferem dar liberdade às suas "Mimosas" para irem e virem das pastagens aos estábulos.

Ainda sobre as questões climáticas: no Canadá os fazendeiros aproveitam a primavera e o verão para cultivarem grãos e volumosos para fazerem silagem e feno, que irão alimentar o gado durante o todo o ano. Isso diferencia nosso sistema tradicional de produção brasileiro, que usa o volumoso (pastagens) essencialmente para matar a fome das vacas. Claro que o volumoso fornece certos nutrientes, que precisam ser complementados pelos concentrados do tipo silagem ou feno, mas não há, por parte do produtor, uma "ciência" nisso. Alguns produtores canadenses enviam uma amostra dos concentrados produzidos em suas fazendas para um "nutricionista", que vai receitar uma dieta balanceada para cada tipo de animal (vacas secas, em lactação, pós-parto, bezerros). Essa dieta é misturada no "mixer" e distribuída às vacas confinadas. No Brasil, o clima é propício à criação extensiva (a pasto) ou semi-confinada (revezamento entre confinamento e a pasto) durante o ano todo, além do fato de que a terra é muito mais barata.

Outra importante característica é o conhecimento que os fazendeiros possuem sobre práticas de manejo e gestão das propriedades. Vários produtores que conhecemos aqui são formados na Universidade de Guelph, seja em agronomia, agronegócios ou veterinária. Aqueles que não têm um diploma universitário, tem um college diploma, que seria equivalente ao nosso técnico pós-médio ou tecnólogo, ou ainda os novos cursos seqüenciais.

Outro aspecto importante é a comercialização. Segundo um fazendeiro com quem conversei durante o Farm Show em Woodstock, em setembro, o leite produzido em Ontário só pode ser vendido para a associação dos produtores. É a Dairy Farmers of Ontario, que repassa o leite para as indústrias e também se encarrega de fazer a divulgação dos produtos lácteos, junto aos meios de comunicação (propagandas institucionais, do tipo "beba mais leite"). Os problemas logísticos também são melhor tratados em Ontário, pois além do leite ser coletado todos os dias pela associação, as estradas são muito bem conservadas pelo governo.

Do ponto de vista do consumidor, há diferenças importantes entre o mercado canadense e o brasileiro. No Canadá, está havendo um crescente entendimento da população urbana sobre a produção agropecuária, aliada à valorização que essa atividade merece. Os assuntos agropecuários já estão sendo inseridos, inclusive, nos currículos escolares para a educação fundamental. Quanto mais as pessoas que vivem na cidade e que se alimentam dos produtos das fazendas estiverem conscientes da importância das atividades rurais, mais pressionarão os governos para que melhorem as condições de produção e distribuição dos alimentos. Então, o nível de agricultural awereness, ou "consciência agrícola", da população urbana, determina a qualidade e intensidade das políticas públicas para o setor. No Brasil, a população urbana tem um menor agricultural awereness (o leite nasce das caixinhas vendidas no supermercado...), e as políticas governamentais não favorecem o setor.

Um dos fazendeiros canadenses, por exemplo, disse que já visitou o Brasil várias vezes e que o problema em nosso país - se referindo especificamente ao caso da produção leiteira - é o baixo preço pago aos produtores. Segundo ele, isso inviabiliza a obtenção do lucro desejado e desmotiva o produtor de leite a melhorar suas práticas. Hoje se fala tanto em café fair-trade, ou seja, aquele café que foi comprado do produtor rural a um preço justo, e ninguém pensa em leite fair-trade. Para se ter uma idéia da disparidade, aqui o leite é vendido a 75 cents de dólar canadense, enquanto a cotação em São Paulo e Minas Gerais é 55 centavos de real, e no interior de Taquara há produtores que chegam a receber 35 centavos de real por litro.

Outro detalhe interessante é que nenhuma família de fazendeiros consome o leite in natura, ou seja, todos são conscientes de que o leite deve ser beneficiado na indústria antes de ser considerado um alimento saudável para os humanos.

Todos os produtores de leite da província de Ontário são associados à Dairy Farmers of Ontario, uma associação que coleta o leite produzido nesta província. Durante a Conferência Nacional de Agricultura, em maio, eu conversei com a gerente de comunicação dessa organização e pude obter algumas informações. Estou com uma visita agendada à sede da associação, localizada na cidade de Mississauga, para o próximo dia 2 de novembro. Nesse dia, o diretor de comunicação da Dairy Farmers of Ontario, vai me receber e conceder uma entrevista sobre o processo de produção de leite e derivados nesta província.

Há ainda muito o que falar sobre as vaquinhas e seu ouro branco, como higiene no manejo e conforto animal, mas vou deixar para outro post.

Fotos e vídeos que ilustram e explicam os conteúdos deste post podem ser apreciadas em:
http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/ManejoNaAtividadeLeiteiraNoCanada

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Sustentabilidade na produção de leite

Introdução

O Iuri e eu temos compartilhado quase todas as nossas experiências educacionais e culturais aqui no Canadá. Quer dizer: eu o ajudo com os trâmites operacionais da sua pesquisa, além de, em alguns momentos, ler seus textos e ouvir suas descobertas e suas dúvidas (às vezes até dou uns palpites). Eu também estou participando com o Iuri dos Seminários de Sustentabilidade, coordenados pela doutora Tima Bansal, da faculdade de Administração da Universidade de Western Ontario. De sua parte, o Iuri tem me acompanhado a eventos ligados à produção de leite e também em visitas a fazendas. Seu objetivo é conhecer o que tem sido feito por aqui, para gerar energias alternativas e "verdinhas". Eu não posso deixar de mencionar que ele atua como meu motorista particular e fotógrafo - risos.

Biodigestores:
Em maio visitamos uma das três maiores fazendas de leite de Ontário: a Stanton Brother's Farm. Essa fazenda, com apoio do governo de Ontário, está implantando um projeto de biodigestão dos dejetos orgânicos - foto à esquerda. A idéia é captar, além dos dejetos produzidos na fazenda, também a produção de dejetos da cidade de London (laticínios vencidos, por exemplo), pois estima-se que a capacidade do biodigestor da Stanton Farms será muito superior ao que ela própria poderá produzir de matéria orgânica. Os proprietários acreditam que, quando o projeto estiver concluído, poderá fornecer energia para além da propriedade.

Cataventos - Windmills:

O Canadá, assim como o resto do mundo, está preocupado em produzir energia aproveitando o que a natureza provê, causando-lhe o menor dano possível. Assim, temos visto os cataventos - foto à esquerda: como os que temos em Osório, no Rio Grande do Sul, além dos biodigestores da Stanton Farms, ou os aquecedores de água, que utilizam o calor produzido pelo leite recém colhido, durante o seu processo de resfriamento.

A Hydro, empresa de energia elétrica do Canadá, tem um programa de incentivo à produção de energias renováveis. Significa que os fazendeiros que produzem energia elétrica, utilizando fontes alternativas como os biodigestores, cataventos, coletores solares, etc., obtêm descontos proporcionais em suas contas mensais de consumo da Hydro. Mais informações sobre esse sistema podem ser obtidas no site da própria companhia de geração de energia elétrica canadense: http://www.hydroone.com/en/electricity_industry/renewable_tech/

Aquecimento de água:

Outra coisa interessante que eu vi nas fazendas de leite aqui em Ontário, é o sistema de pré-aquecimento da água necessária para a limpeza dos equipamentos e da sala de ordenha.
Normalmente, a água utilizada para esse fim precisaria ser aquecida através do uso de energia elétrica ou caldeira. Entretanto, muitos fazendeiros utilizam um equipamento (trocador de calor), um processo extremamente simples, mas eficiente. Após a ordenha, o leite está a uma temperatura de 37º C e é direcionado, através de tubulações, para dentro desse trocador. Em outro ponto acontece a entrada de água fria que circula provocando a troca de temperatura de ambos os líquidos. O leite sai à temperatura de 10º C e segue para o resfriador para atingir à temperatura ideal de conservação: de 2 a 4º C. Já a água sai aquecida (morna) e precisa de menos energia elétrica para entrar em ebulição, tornando-se adequada à limpeza e higiene que a atividade exige.

O diagrama à direita (tirado do site Answers.com) mostra como funcionam esses trocadores de calor.

Um dos fazendeiros que visitamos utiliza a água que sai do trocador de calor para alimentar o rebanho. Ele diz que as vacas gostam de beber água morna. Mais adiante vou fazer um post sobre "conforto animal" e, sem dúvida, voltarei a mencionar essa preocupação em dar às vacas, o que lhes agrada...

Sobre sustentabilidade, era isso o que eu tinha para relatar, mas deixo o link para o álbum de fotos e vídeos que explicam um pouco mais essas práticas de geração de energia:

http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/TCnicasDeSustentabilidade

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Vinho brasileiro

Na última terça-feira, quando cheguei à minha sala de aula de Temas Globais, uma colega se aproximou de mim com um pedaço do jornal canadense: Globe and Mail, que trazia um artigo sobre os vinhos brasileiros. "Vi esse artigo e lembrei de você" - me disse aquela senhora, sorrindo.
Antes de começar a aula, eu devorei o artigo cujo título: Finer than a dental-floss bikini (Mais fino do que o bikini fio dental), demonstra claramente como o Brasil é conhecido no exterior. O texto começa com uma pergunta: "Eles fazem vinho no Brasil?"Ao longo do texto, mais citações delatam a fama brasileira: "Apesar de sua bem conhecida reputação de lar do volleyball de praia e de floresta tropical, o Brasil tem solo rico e bem drenado e clima adequado à produção de uva".
O autor, Beppi Crosariol, comenta que as terras apropriadas para o plantio de uva estão no sul do Brasil, bem abaixo da floresta equatorial e do Rio de Janeiro, famoso por suas praias de fio dental. Beppi segue dizendo que, felizmente, essas terras se localizam em morros e ladeiras íngremes e, portanto, não são utilizadas para a prática do esporte brasileiro favorito: o futebol. Conforme o autor, os vinhos brasileiros começam a despontar com estilo moderno e refinado.
Os canadenses costumam usar a expressão: Good for you - bom para você - quando lhes contamos algo de bom que nos aconteceu, então eu vou adaptar a expressão canadense: Bom para nós, brasileiros, que estamos ficando conhecidos também por nossos vinhos.

domingo, 23 de setembro de 2007

Educação para o Agronegócio

Mania de professor... cheio de estandes de máquinas e implementos agrícolas no Farm Show em Woodstock, semana passada, e eu puxei a Nara para a gente conversar com o pessoal do estande da universidade de Guelph. Essa universidade provê, além de cursos superiores e de pós-graduação, cursos técnicos na área agropecuária.

Os professores que estavam lá eram do campus de Kemptville (www.kemptville.uoguelph.ca) e de Ridgetown (www.ridgetownc.uoguelph.ca). Falei com eles sobre a procura dos cursos técnicos e a empregabilidade dos alunos egressos. Um deles disse que há bastante procura pelos seus cursos, tanto por alunos oriundos do meio rural quanto das cidades. E quanto a colocação deles no mercado de trabalho, fiquei surpreso: o curso técnico em agricultura emprega 97% dos seus egressos! Outra surpresa foi que, além das óbvias colocações em fazendas e agroindústrias, um bom percentual dos egressos é empregada por bancos. Bancos? Sim, para negociar com produtores.

Não entendo porque nossos cursos técnicos do Brasil estão em crise. Vários desses cursos não têm alunos suficientes para viabilizar uma turma.

Na verdade, aqui me parece até um pouco o contrário. Já soube de pessoas, no Canadá, que obtiveram seu diploma universitário e, sem conseguir emprego, foram fazer curso técnico. Aqui um bom curso técnico, nessas instituições de ensino conceituadas, como Fanshawe College e University of Guelph, são de dois a três anos. Dito isso, eu já vi vários anúncios de outras instituições nos ônibus e no metrô falando em cursos de um ano "e você já sai empregado" (será?). Os cursos técnicos são chamados de college no Canadá - nos EUA a nomeclatura é um pouco diferente, ver essa discussão na página da Wikipedia. Aqui eles têm um foco prático muito grande, com muitas atividades em laboratório, em campo, e "co-op", ou seja, estágio. Estágio de verdade, não aquela atividade remunerada que, para algumas empresas no Brasil, parece servir apenas para contratar jovens sem pagar encargos sociais.

Talvez no Canadá, como no Brasil, haja instituições sérias e instituições pilantras, e cursos que sejam mais adaptados ao ensino técnico do que outros. Finalmente, soube também que nem todos saem do técnico e se empregam, mas isso também pode ser decorrência de outras deficiências, como falta de habilidades interpessoais e outras limitações. Habilidades estas que nós, das instituições de ensino superior, nem sempre conseguimos desenvolver.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Eventos de Agronegócios

Na semana passada, eu participei de alguns eventos agropecuários em Woodstock, uma cidade que fica há uns 50 quilômetros de London. O Iuri me acompanhou nessa empreitada. Alguns desses eventos foram organizados pela Ontario Large Herd Operators Group - LHO, uma espécie de associação de produtores de leite, cujo objetivo é oferecer educação em liderança e técnicas de gestão de negócios, informação sobre novas tecnologias, nutrição, saúde e conforto animal. A província de Ontário é conhecida por sua forte bacia leiteira, e a LHO tem uma comunidade bem ativa de associados, com rebanhos nem tão grandes assim como o nome pode fazer crer.

Entre os benefícios oferecidos, a LHO realiza viagens a outras províncias e países para conhecer as melhores práticas em fazendas de leite. Está sendo planejada uma visita ao Brasil, em 2008.

Foram três eventos que participamos: Exposição / feira (Farm Show), jantar com palestras sobre sucessão familiar em negócios lácteos e visitas técnicas a 5 fazendas de leite, consideradas modelos em novas tecnologias e manejo. Desses, apenas a exposição não era organizada pela LHO.

Farm Show - Quinta-feira:


A exposição / feira se parece com a nossa Expointer, realizada anualmente em Esteio, no Rio Grande do Sul. Algumas coisas que observamos diferenciam as duas feiras: a Farm Show é mais tecnológica, ou seja, não havia muitos animais em exposição e também não tinha bancas de artesanato. Na feira, uma coisa que chamou nossa atenção foi a oferta, a preços e condições acessíveis, de modelos alternativos para geração de energia elétrica em fazendas: os cata-ventos e os painéis coletores de energia solar.



Pudemos ver, também, o quanto o Canadá está investindo na produção de milho para geração de etanol, o que não nos parece uma opção apropriada, caso seja a única, uma vez que a monocultura dessa planta poderá causar o empobrecimento do solo...







Palestras:

Quinta-feira à noite, aconteceu o jantar com uma seqüência de 4 palestras sobre o tema "Sucessão Familiar em Fazendas de Leite". O primeiro palestrante, Peter Coughler, falou sobre o planejamento da sucessão; o segundo, Rob Gamble, falou sobre as taxas e impostos para os quais os fazendeiros precisam estar atentos e as estratégias de aposentadoria. O advogado Douglas C. Jack falou sobre as 10 armadilhas ou ciladas dos acordos de propriedade rural; e o quarto palestrante, Chris Buchner, um produtor de leite da segunda geração, contou a história da transição da sua propriedade e dos preparativos para a próxima sucessão.

Visitas técnicas:

O dia de sexta-feira foi dedicado às visitas técnicas às 5 fazendas de produção de leite: a Van Nes Dairy, a Van De Holm Farms, a Stanton Brothers, a Viewland Farms e a Wilmarlea Farms Dairy Barn.

Vamos precisar de outro post para descrever o que vimos nessas propriedades, desde as formas de prover conforto para o rebanho, até sistemas altamente modernos de biodigestores.

Saímos de Woodstock por volta das 6 da tarde e viemos para London.


Brasileiras:


Antes das palestras do jantar de quinta-feira, o mestre de cerimônias apresentou as delegações vindas de outras províncias canadenses e do Brasil (Iuri e eu). Isso foi muito engraçado porque na nossa mesa estava sentado um casal que ficou surpreso: ela, a Dorli, é gaúcha de Bagé e veio para o Canadá com 4 anos de idade. Quando saiu do Brasil, ela só falava alemão... nunca aprendeu português.

Durante o intervalo das palestras, um fazendeiro chamado Eddy veio até nossa mesa e disse que sua esposa é brasileira de Goiás e está no Canadá há 30 anos. Trocamos cartões de visitas e sábado saímos para jantar, o casal Eddy e Zulma e mais um casal de canadenses: o Robert e a Nancy.

Foi muito agradável!

quarta-feira, 30 de maio de 2007

National Agriculture Awareness Conference (minhas considerações)

Conforme eu havia dito participei da Conferência Nacional de Agricultura, realizada aqui em London - Ontário, na semana passada.
Antes de comentar sobre a conferência propriamente dita, gostaria de expressar um sentimento profundo de agradecimento a todos os organizadores e participantes desse evento. Eu tinha um pouco de receio de não conseguir me integrar por ser brasileira e não falar tão fluentemente inglês quanto os canadenses. Bem, eu não fui tratada como uma brasileira no Canadá, mas como "a brasileira" do evento. O fato de eu estar participando gerou curiosidade e simpatia das pessoas e, a todo momento, eu estava explicando o que faço no Brasil, por que estou no Canadá e as pessoas buscavam, de todas as formas, me apoiar e explicar coisas que eu não conhecia direito... Senti muito orgulho de ser brasileira e feliz por encontrar, nos canadenses, um povo tão hospitaleiro.
Agora sobre a conferência: O objetivo da conferência foi exatamente o que o nome do evento previa com a palavra awareness, isto é, conscientizar ou sensibilizar as pessoas sobre as questões da agricultura. A comunicação foi muito enfatizada , ou seja, é crucial comunicar à população urbana o que fazem e como fazem as pessoas numa comunidade rural. É unânime a crença de que se os próprios agricultores não tiverem orgulho por realizar uma das tarefas mais importantes desse mundo - alimentar a humanidade - ninguém lhes dará valor nem tampouco se preocupará em preservar e incentivar a atividade rural. Se não saírem às ruas, utilizando-se dos meios de comunicação disponíveis, os agricultores permanecerão isolados em suas fazendas, estereotipados como "seres inferiores", cada vez com menos gente para ajudar nas lides e com uma população que envelhece a cada dia. Como atrair os jovens para que permaneçam no campo? Como evitar que eles se rendam aos encantos da vida urbana? Essa parece ser uma realidade comum em qualquer lugar do mundo e também foi uma das questões levantadas na conferência. Haviam muitos jovens participando, a maioria são estudantes de cursos ligados à agricultura e pecuária (foto acima). Em geral, são filhos de fazendeiros que pretendem permanecer em suas fazendas e manter as atividades da família. Eles vão em busca de estudos, em busca de conhecimentos que possam lhes proporcionar melhores práticas e, conseqüentemente, melhor qualidade de vida nas propriedades rurais. Isso me lembrou das "casas familiares rurais" presentes no mundo todo, inclusive em Taquara (em fase de implantação). Nessas casas/escolas os filhos de agricultores têm oportunidade de estudar em cursos regulares, agregando conhecimentos modernos sobre uma atividade específica em agricultura ou pecuária, à sua escolha. Não creio que seja o suficiente, mas é um bom começo. Depois disso, é preciso disponibilizar o acesso aos cursos nas áreas de zootecnia, veterinária, agricultura e gestão de agronegócios, para motivar esses jovens fazendeiros.
Aqui no Canadá e também nos Estados Unidos (haviam palestrantes dos USA), existem programas que incluem aulas de agricultura nos currículos escolares - coisa que já havíamos comentado em reuniões do DRS, em Taquara - inclusive com aulas práticas. Os pequenos alunos são levados às fazendas e podem, além de ver como funcionam, realizar também algumas atividades e conversar com os fazendeiros. Num vídeo que foi apresentado por uma palestrante, pode-se ouvir declarações de crianças que ficaram impressionadas com o fato de que os fazendeiros não têm aquela "cara amarrada" que imaginavam. Uma menina diz: "os fazendeiros até riem bastante!"
E por falar em crianças: esse é o alvo. Todos os palestrantes falaram sobre as crianças como sendo o mais eficiente meio de comunicar o que fazem e como fazem os agricultores. As crianças levam a sério, não esquecem o que vêem e ouvem e, se acreditarem que aquilo é verdade, elas vão insistir com seus pais para que façam daquele jeito.
O assunto sobre a conferência ainda não se esgotou, mas vou deixar outros comentários para posts futuros.

A idéia é "celebrar a agricultura", pois ela merece ser amplamente comemorada.

E por falar em comemorar, na noite do dia 24 de maio, houve um banquete de confraternização para os participantes da conferência. Como era o aniversário do Iuri, eu comprei um convite para ele participar desse jantar, comigo. Contei para uma amiga que era o aniversário do Iuri e ela passou a informação para a Jan Robertson (presidente do evento).
Num dado momento, o mestre de cerimônia anunciou a presença de um australiano, de duas americanas e da brasileira Nara Muller, cujo esposo: Iuri estava aniversariando. Brincando, ele agradeceu ao Iuri por ter convidado todos para sua festa e convidou os presentes para cantarem parabéns.
Não preciso dizer que o Iuri ficou ruborizado, mas afinal, foi um aniversário em "alto estilo". Para o Iuri, que se dedica tanto aos estudos e às pesquisas, foi um banquete bem merecido.

As fotos e vídeos relativos à conferência encontram-se no link:
http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/NationalAgricultureAwarenessConference

sábado, 26 de maio de 2007

Quantas famílias sua propriedade pode sustentar?

Hoje fomos, eu e a Nara, à Stanton Farms. Eu já havia ido com uma visita da University of Western Ontario, e a dona da fazenda foi tão solícita quando eu disse que a Nara estudava o assunto no Brasil que acabamos voltando lá hoje.
A Stanton Farms é uma fazenda de leite, com aproximadamente 1000 vacas, 800 em lactação, e capacidade total para até 2000 vacas. É um negócio realmente impressionante. A Sandy, a dona da fazenda, disse que fazendas desse patamar são até comuns nos Estados Unidos, senão maiores. Da outra vez, o meu grupo, do Centro de Sustentabilidade, foi chamado, junto com a turma da engenharia, para conhecer o biodigestor, que está em implantação.
Como eu hoje estava com a Nara, perguntei a ela se as fazendas pequenas eram rentáveis aqui, pois afinal de contas, esse é o foco do programa em que a Nara está trabalhando no Brasil (pequenas propriedades de leite). A resposta dela foi interessante: ela disse que uma pequena fazenda até é rentável, mas só sustenta uma família, e os donos têm que trabalhar 24h por dia, 7 dias por semana...
Na Stanton, trabalham o casal e três dos quatro filhos. A outra filha está fazendo mestrado em Epidemiologia, após ter se formado em Ciências Animais na Universidade de Guelph. Ou seja, todos os filhos se interessam pelo leite. Segundo ela, foi isso que os motivou a expandir tanto. O casal tinha, quando mais novos, 50 vacas. Mas como os filhos se interessavam em continuar, eles expandiram a fazenda. "Se não tivéssemos filhos, não faríamos isso. Já estamos muito velhos." - disse ela.
Então, acho que montamos uma peça a mais no quebra-cabeças de manter os jovens produtores, as novas gerações, no campo. A pergunta é: quantas famílias sua propriedade pode sustentar? A lógica do casal Stanton é clara: se um filho casa, e tem filhos, a propriedade passa a precisar sustentar duas famílias, e não mais só uma. Se o casal de produtores rurais tem que trabalhar de sol a sol, todos os dias da semana, para manter a família e os filhos, como essa propriedade vai sustentar mais uma família?
Como o leite fluido é uma commodity barata, o negócio é ter volume e baixo custo. E é isso que as modernas fazendas norte-americanas (Estados Unidos e Canadá) buscam. A comparação é simples: a pequena propriedade é como a pequena loja, com poucos lucros (ou mesmo nenhum) e os donos trabalhando todos os dias para pagar os impostos e as contas. As grandes fazendas são como o Wal-Mart...
E eu que achava que visitar uma mega-propriedade não faria sentido... Do ponto de vista técnico, com seus computadores, grandes estábulos, biodigestor e toda a parafernália tecnológica, realmente a experiência da Stanton não ajuda muito. Mas do ponto de vista gerencial e administrativo, e da própria gestão da família rural, seu desdobramento e sua sustentabilidade no longo prazo, essa visita de hoje nos gerou uns insights bem interessantes.
Acho que a Nara vai querer postar suas impressões em um post separado.

terça-feira, 22 de maio de 2007

National Agriculture Awarness Conference

Hoje, às 4 horas da tarde, terá início a Conferência Nacional de Agricultura. Estou me preparando para ir até o local do evento. Espero aprender coisas novas e conhecer pessoas que possam trocar informações importantes comigo. Para quem quiser saber um pouco mais sobre a conferência e sobre a agricultura e pecuária no Canadá, o endereço é: http://www.naac-cnsa.ca/home/default.aspx . Nesse site se encontram os endereços de várias associações de produtores dos diversos tipos de agro-negócios. Dá para aprender bastante!!!
Essa conferência discute formas de conscientizar o público sobre a importância da atividade agro-pecuária. Por exemplo, essa preocupação por sensibilizar os consumidores canadenses vem crescendo entre as pessoas envolvidas com agro-negócios, inclusive da Associação dos Produtores de Leite de Ontário, me disse John, proprietário da fazenda de leite que visitei na semana passada. Atualmente, grande parte das frutas e legumes comercializados no Canadá é proveniente de outros países. O limão "taiti" que compramos por aqui às vezes é brasileiro e às vezes, mexicano. As maçãs vêm dos Estados Unidos e de outros países, as bananas vêm da Costa Rica e assim por diante.

Depois eu conto como foi a conferência, ok? Aguardem...

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Dairy Farms

Hoje fui visitar duas Dairy Farms (Fazendas de leite) aqui em London: a primeira é onde mora a Cathy, gerente do Big Sisters of London e a outra é de um vizinho seu. O John, marido da Cathy me recebeu com muita alegria e com atenção, comum aos canadenses. Essa foto aí ao lado é na frente da propriedade de John e Cathy- a "Blantyre Farms". Blantyre, segundo o John, é o sobrenome do seu bisavô, que veio da Escócia e comprou essa propriedade. O John tem 55 vacas, sendo que 30 estão em lactação, atualmente. Todas as vacas são numeradas e também tem seus próprios nomes na Fazenda Blantyre. Olha a minha foto, ao lado do John Uruqhart, fazendo carinho na "Trixst". Todo o rebanho deles é de vacas holandesas.

Depois de visitar a sala de ordenha e saber um pouco como é o processo de manejo leiteiro que o John utiliza, ele me levou para conhecer a fazenda do seu vizinho, o Gerald. Esse segundo produtor tem 170 vacas no total, das quais, aproximadamente 130 estão em lactação, atualmente. Todas holandesas. É uma fazenda de médio porte, segundo o Gerald. Descobri algumas coisas interessantes a respeito da produção de leite nessas duas propriedades: ambos plantam milho, um pouco de aveia e outros volumosos, numa lógica de plantação rotativa - para não desgastar o solo. Eles fazem seu próprio feno e também a silagem, que é administrada durante o ano todo, principalmente no inverno, quando a neve cobre os campos. A maior parte do tempo, as vacas permanecem em confinamento, tendo a oportunidade de, no verão, permanecerem o tempo que desejarem no campo. Segundo o Gerald, na maior parte do tempo as vacas preferem ficar dentro do celeiro descansando. Ao lado, uma foto de um dos silos da propriedade de Gerald.
Outra coisa interessante que descobri é que os dois fazendeiros compartilham um empregado: o Tony, que ajuda a ordenhar as vacas.
A preocupação com o "conforto" das vacas é tanto que Gerald tem uma escova suspensa que parece um rolo de "lava carros"- conforme se pode ver na foto ao lado - onde as vacas têm oportunidade de coçar as próprias costas.
Percebi que os produtores de leite canadenses têm uma qualidade de vida bem superior à dos taquarenses. Para mim, isso fortalece ainda mais a ação da Estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável - DRS, empreendida em Taquara.