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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Parabéns ao Doutor Iuri Gavronski

Sei que todos estavam sentindo minha falta no blog (risos). Tenho tanto a escrever e tão pouco tempo para fazer isso. Mas esse momento, eu não podia deixar passar em branco. Esse é o mais importante acontecimento dos últimos 4 anos, em nossas vidas (minha e do Iuri).
No dia 30 de março (segunda-feira), às 8 horas da manhã, aconteceu a tão esperada banca avliadora da tese de doutorado do Iuri.


Participaram da banca, além do dr. Luis Felipe Nascimento, orientador do Iuri, os doutores Ely Paiva, da Unisinos e Luiz Brito, da FGV. Um dos examinadores convidados, o dr. João Becker, da UFRGS, não pode comparecer e enviou parecer de aprovação.

O Iuri apresentou com perfeição e, no tempo de 26 minutos (era de 25 a 30minutos o tempo que tinha), todas as etapas da tese, explicando como a pesquisa foi realizada com os empresários no Canadá e os resultados encontrados.

Enquanto ele falava, um filme passava na minha mente: fomos juntos ao Canadá e lá ficamos quase um ano, enfrentando a neve, o frio e contando com a acolhida daqueles canadenses e brasileiros que se tornaram nossos amigos. Por outro lado, ficaram no Brasil nossos filhos, pais, irmãos e amigos. Foi um tempo de incertezas, dificuldades para aplicar as pesquisas do Iuri e, ao mesmo tempo, de apoio, de carinho e de novos conhecimentos.

Ao final da banca, o resultado: Aprovado. Todo o sacrifício de tantas horas de sono e lazer substituídas por estudos, formatação de tabelas, digitação, revisões, enfim, tudo foi recompensado por essa Vitória do Doutor Iuri. Parabéns, meu amor!

Na foto ao lado, da esquerda para a direita: Dr. Ely, dr. Brito, dr. Iuri, eu e o dr. Felipe.

Já estão me motivando a fazer um doutorado... Quem sabe...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Banca marcada

Pois é... está chegando a hora!

Minha banca de defesa da tese está marcada para o dia 30 de março próximo, às 8h da manhã.

Quem se lembrar, me mande um pensamento positivo nesta hora.

Desde que eu enviei a tese para os avaliadores, estou aliviado. Não senti nenhuma espécie de viuvez da tese, não sinto falta de escrevê-la, não sonho com ela, nem acordo com nenhuma idéia que podia ter sido acrescentada e não foi... Coisa boa!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

OK do orientador

Ontem recebi um email do orientador dando OK para minha tese ir para a banca!

Hoje mandei a tese para um professor de português, para revisar, devo receber de volta no início da semana que vem. Aí, tenho que "fechar" o documento, imprimir e submeter à comissão de pós-graduação da Escola de Administração da UFRGS.

Está chegando perto o dia!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

How is your dissertation going?

Ontem liguei o Skype, e estavam online o Keith (o cara da vegetarian chicken pizza, ver o outro post) e sua esposa, Marylin. Falei com ela um pouco e adivinha a primeira pergunta: "how is your dissertation going?" (como vai a tese?).

Não se deve fazer essa pergunta a um doutorando. Sabe aquele vizinho da praia, ou o filho da tua amiga, que fez vestibular este ano? Não pergunta para ele se passou. A resposta pode ser constrangedora para ambos...

Minha resposta padrão, até então, é "estou escrevendo". Ontem, felizmente, eu tinha uma resposta melhor: está com o orientador, para revisões. Sim, terminei de escrever nesta sexta-feira passada, dia 20! Agora, vou mexer apenas naquelas coisas (e somente nelas) que o orientador solicitar.

Não precisa dizer que, esta noite, sonhei que estava escrevendo a tese. Acho que foi a coisa que eu mais fiz nos últimos meses (escrever e sonhar com isso). Em meu sonho, eu estava, para variar, formatando uma tabela. Como isso deu trabalho! É um troço chato, que não agrega valor nenhum, mas que tem que ser feito! Por mais inteligência que tenham esses editores de texto, formatar tabelas ainda é a coisa mais chata que pode ter. De qualquer forma, se foram todas.

É o doutorado chegando em sua reta final.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Inching II





Eu aprendi uma expressão no Canadá que eu gostei muito: inching.

Inch quer dizer polegada. Imagino que inching seja avançar lentamente, polegada por polegada... nada melhor para descrever o processo de escrita da tese.

Eu tinha me programado para terminar a tese em dezembro. Hoje terminei de escrever a conclusão. Ainda tem um longo caminho desde ter o documento escrito até ter a tese acabada: revisar, formatar, corrigir erros, etc. Mas hoje cumpri uma etapa importante: botei o ponto final no texto. Até o orientador ler e solicitar alguma coisa. Espero que ele não peça muito... estou no fim do gás!

Chegar nesse ponto é quase motivo para celebração. Sinal de que o doutorando desistiu de ter a tese perfeita em prol da tese possível.

Avancei mais uma polegada...
I have learned an expression in Canada that I liked a lot: inching.

I am not sure what it means, but as an inch is 2.54 cm, I supposed that inching means going forward an inch at a time... nothing better to describe the dissertation writing process.

I wish I had finished it last December. Today I have written the conclusion. There is still a long way until I have the final document: revising, formatting, fixing, etc. But today I had an important step completed: the final period. Until my supervisor reads it and requires some changes. I hope he doesn't ask much... my batteries are low!

Getting to this point is almost a reason for celebrating. It signals that the PhD candidate gave up of having the perfect dissertation and is willing to have the possible dissertation.

I have moved forward one inch.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Serviços do Ecossistema - parte 2 de 3

Em outubro de 2008, eu postei duas reportagens do Globo Rural sobre o pagamento a agricultores para que preservassem as nascentes. Eram a primeira e a terceira reportagens de uma série de três, exibidas em três semanas consecutivas. A segunda reportagem sobre a água do Globo Rural, entretanto, eu não conseguia encontrar no site da Globo. Acho ela muito importante, pois mostra como a sociedade civil organizada pode mediar a ação privada e dos governos, gerenciando de forma mais eficiente os recursos utilizados como incentivo econômico à ação ambiental.

Hoje, procurando novamente, acabei encontrando. Vi um pedaço e minha sensação foi a mesma de quando vi a reportagem na TV: que inveja da Mônica!

Seguem os vídeos dessa segunda reportagem.





quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Nova Ortografia

Se eu tivesse terminado a tese, poderia tentar justificar entregá-la em "Português antigo" - esse aí, que todos aprendemos na escola. Entrentanto, acho que minhas chances de terminar até 31 de dezembro de 2008 são muito pequenas. Um atraso aqui, outro ali, uma dúvida acolá... e assim passam os dias!

Uma preocupação adicional (ainda não conversei com meu orientador a respeito) é entregar o trabalho na nova ortografia da Língua Portuguesa. Cada vez que eu digito "frequente", o novo formato, o Word troca para "freqüente", o "antigo certo". Certamente, enviar o documento pronto para um bom professor de Letras resolva o problema por completo, mas uma ajuda computacional seria bem vinda.

Descobri que o OpenOffice já liberou uma versão do corretor ortográfico com as novas regras. Vou terminar o texto em Word, abrir ele no OpenOffice e passar o corretor ortográfico. Pelo menos "o grosso" da limpeza ele vai fazer para mim.

Ler mais em:

http://info.abril.com.br/blog/downloaddahora/20081210_listar.shtml?135952

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Planeta em Perigo

Sigo escrevendo a tese... troço chato esse que não termina nunca!

A tese exige uma capacidade de foco e concentração que eu gostaria de ter... hoje descobri, por acaso, um site da CNN cheinho de vídeos e reportagens. Se não fosse essa @#$%@#$% de tese, eu iria dar uma olhada.

Para os demais, recomendo: http://edition.cnn.com/SPECIALS/2008/planet.in.peril/

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Backup Grátis

Eu ainda sigo escrevendo a tese. Cada linha a mais que eu escrevo torna o conteúdo do meu computador mais precioso. Sempre que saio de casa, ou que desligo a máquina, fico pensando nisso...

Comecei a procurar, faz alguns dias, um programa de backup, para salvar meus arquivos mais importantes. Tem essa coisa de gravador de DVD, mas quem se lembra de ficar gravando arquivos no DVD? Além disso, em caso de um sinistro mais sério, os DVDs também dançam. Tem que ser um backup remoto. Mas tinha medo de colocar meus dados na internet, para que qualquer um pudesse abrir os dados e fazer o que quiser com eles.

Encontrei então o Mozy, que é uma ferramenta de backup gratuita, e garantida pela EMC, que é uma empresa séria na área de armazenamento. A história é a seguinte: até 2GB é de graça, mais do que isso tem que pagar uma mensalidade (em compensação, o espaço é ilimitado). O uso é razoavelmente simples: entra no site www.mozy.com, faz um cadastro, e baixa um programa para instalar no computador. Depois, informa o que quer copiar (no meu caso, restringi apenas aos arquivos relacionados ao doutorado) e ele faz cópias automáticas, de tempos em tempos (eu pedi a cada 2 horas).

Espero não precisar testar o restore... hehehe!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Novo Gás do Efeito Estufa

O NF3 (trifluoreto de nitrogênio) foi medido na atmosfera pela primeira vez, pelo que eu pude entender da reportagem da Discovery, dado meu parco conhecimento de química, graças a uma nova instrumentação criada recentemente.

Ele tem um potencial de reter calor 17.000 vezes maior do que o CO2, ou seja, uma tonelada de NF3 equivale a 17.000 toneladas de CO2, do ponto de vista de retenção de calor, e portanto de potencial efeito estufa. ALém disso, sobrevive 5 vezes mais tempo na atmosfera do que o CO2.

As medições recentes contabilizam a existência de 5.400 toneladas de NF3 na atmosfera, e vem crescendo, em média, 11% ao ano. Esse gás não foi incluído no protocolo de Kyoto porque se achava que ele existia em quantidades muito pequenas... na verdade, é mesmo: só 0,15% do efeito estufa é responsabilidade do NF3 - hoje. Ou seja, se não cuidar, ele pode se tornar um grande vilão no futuro.

Ele é emitido no processo produtivo de TVs de LCD e circuitos eletrônicos.

Reportagem da Discovery: http://dsc.discovery.com/news/2008/10/24/greenhouse-gas.html

Página da Wikipedia sobre o NF3: http://en.wikipedia.org/wiki/Nitrogen_trifluoride

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Serviços do Ecossistema

Nós passamos uma aula no doutorado discutindo serviços do ecossistema. Ou seja, do ponto de vista econômico, como se avalia, por exemplo, uma mata ou um córrego. Parece insano, mas estamos no mundo real: se não se puder avaliar um serviço ambiental, como a nascente de um rio, como podemos remunerar um agricultor para que ele preserve esse bem? De novo: a lei exige que ele preserve, mas se este agricultor não for remunerado para isso, o incentivo para burlar a lei será muito grande, e ele muito provavelmente não cumprirá a lei. É o velho problema da tragédia da comunidade: por que um indivíduo vai se prejudicar para o bem comum, sabendo que outro indivíduo pode não ser tão altruísta e tem mais lucro?

Depois de discutirmos muito, o assunto ainda ficou "pastoso" e sem sentido para mim. Esse final de semana, eu vi uma reportagem no Globo Rural que vai direto ao ponto:









Vale a pena assistir.

domingo, 21 de setembro de 2008

Alongamento Forçado

Estou escrevendo a tese. Muitas horas por dia. Meus pulsos dóem, meus olhos dóem, minhas costas dóem.

Fazer doutorado requer um esforço intelectual enorme. Terminá-lo, entretanto, requer sacrifício físico. Outro dia desses escutava no rádio um debate sobre emoção e esportes olímpicos, e um dos painelistas dizia que o esporte requer superação, e superação envolve saber lidar com o cansaço e a dor. Bom, tira esporte, coloca doutorado, e é isso aí. Requer superação, e superação requer lidar com a dor e o cansaço. E o medo de não conseguir.

Mas eu estudei Gestão da Produção, certo? Uma das coisas mais antigas que se estuda nessa área é a fadiga. Pausas laborais são objeto de testes desde o final do século XIX. Então porque eu não as faço? Bom, uma das razões é porque, quando trabalhamos no computador, entramos no estado mental de flow, quer dizer, entramos numa espécie de "transe", em que a sensação de tempo e do próprio corpo deixa de existir. É fácil ficar 3 horas sentando na frente da máquina, trabalhando, sem parar.

Então, catei na Internet um software de alongamento que me force a parar. Vou usar o computador para me curar dele mesmo. Encontrei o StretchWare, programa cuja imagem ilustra esse post. É sensacional. Dá para programar quando quer ser avisado, e que tipo de aviso se quer. Eu programei para me avisar a cada combinação de 3000 toques ou 350 cliques de mouse, mas esse valor pode ser alterado, ou pode-se programar os horários, ou a freqüência (a cada 2 horas, por exemplo). Quanto ao aviso, ele tem a opção de dar um aviso discreto no canto da tela, ou de abrir um aviso escandaloso no meio da tela. Essa última foi minha opção.

Estou na fase de testes (o programa roda de graça por 30 dias), mas acho que vale a pena comprar o software. Meus tendões valem mais do que 25 dólares...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mais um passo / Inching


Começamos o mês de maio. Dediquei esse mês a dar a arrancada final para terminar o doutorado. O doutorado é um trabalho de folêgo, como uma maratona. Então, não adianta correr muito no início, porque nos últimos meses vai faltar gás. Marquei comigo mesmo para começar a escrever em maio. E não sabia muito como cumprir isso.

Não que eu não conheça a estrutura do trabalho final. Eu já orientei alguns trabalhos de conclusão da graduação, e a estrutura é a mesma. Eu próprio já escrevi um trabalho na graduação, mais a dissertação de mestrado. A estrutura não é o problema. Na verdade, nem o conteúdo. Tenho uma boa leitura da área, estou razoavelmente atualizado com as últimas pesquisas na área. Acho que não é esse o problema. O problema é como começar.

Tentei diversas abordagens. Nenhuma deu muito certo. Dessa vez, tentei uma coisa "diferente". Escrevi o resumo da tese antes. Geralmente, as pessoas deixam para escrever os resumos por último. Depois de tudo escrito, é só tirar o sumo em 500 palavras e está feito o resumo. No meu caso, eu resolvi começar por ele, para ter um norte e um guia de por onde seguir. Vamos ver no que dá. Estou hoje com 2 páginas escritas, ainda que provisórias, da minha tese de doutorado. Vamos ver no que dá.

Outra coisa importante aconteceu essa semana. A UFRGS exige que, entre outras coisas, os doutorandos tenham 2 publicações aceitas para poderem defender a tese. Eu submeti essa semana minha publicação científica para a comissão de pós-graduação em administração e tive já a resposta: estão aceitos. Ou seja, agora "só falta a tese" mesmo. O que, de certa forma, me deixa um pouco mais tranqüilo. Os artigos dependem de outras pessoas para serem aprovados, já a tese só depende de mim para ser escrita.

Vou me esforçar para terminar o doutorado ainda esse ano. O doutorado é um peso não só para o doutorando, mas para sua família também. É chegada a hora de acabar com ele.

May begins. I have decided starting my dissertation (the actual writing) this month, but I didn't know how to start.

I know the structure of a dissertation. I have myself advised undergrads in their theses, and the structure is the same. I have written my own undergraduate and master theses. The structure is not the problem. Actually, not even the content. I have some knowledge of the field, and I am updated with the research in my field. I don't think that this is the problem. The problem is how to start.

I have tried many different approaches. None have worked. This time, I have tried something "different". I wrote the abstract before the dissertation. Normally, people leave the abstract to the end. When the main text is ready, they can easily summarize the dissertation in 500 words or less. In my case, I have decided starting with the abstract, to have a North Star to follow. I hope this works.

Another important thing happened this week. My university (actually, the business program) requires that we publish 2 papers (can be journals or conference proceedings) before the dissertation defence. I have submitted my papers to the graduate committee, and they accepted my papers. That means that I need "only the dissertation" to be a doctor. This is good news: papers need approval from many different people to get published, but the dissertation only needs me to be written.

I will do my best to get my doctor degree this year. The graduate program is heavy not only to the doctoral student, but to his family too. It is time to finish.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Another one bites the dust!

Feito!

Fiz a submissão dos dois artigos para o Academy of Management (Academia da Administração). Agora vamos cruzar os dedos e ver se são aprovados.

Esqueci de falar que ainda ontem submeti outro artigo para o IAMOT (Associação Internacional para Gestão da Tecnologia).

Minha cota para artigos em congressos internacionais esse ano está encerrada. Eu iria adorar ir ao POMS, que é específico de gestão de operações e logística, mas não sei se consigo verba para tudo.

Tem dois congressos nacionais bons na minha área que deve ser importante fazer um esforço para ir: o ENANPAD e o SIMPOI. Mas isso vai requerer um momento de superação, para "dar à luz" a mais dois artigos até o final de março!

Bom, tem muitas madrugadas daqui até o final de março...

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Tenho que agradecer à nossa amiga Jane pela ajuda na revisão do texto: Valeu, Jane!
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Um foi!

Acabo de submeter o primeiro artigo. Um foi!

Entrei agora há pouco no site do Academy of Management e ele estava funcionando, então consegui submeter o primeiro artigo.

O outro eu ainda estou revisando a formatação. Assim que estiver pronto submeto.

Não deixe para amanhã...



Hoje é a data limite para envio de artigos para o congresso do Academy of Management. Como se sabe, brasileiro deixa tudo para última hora...

Como disse em outro post, venho trabalhando pesado para fechar um artigo para mandar para lá. Segundo meu professor daqui, está "passável", considerando que é um congresso, mas ainda tem uma estrada ainda para trilhar até chegar a ser um artigo pronto para um periódico científico. Vamos trilhando...

Mas ontem eu estava conversando com a Nara. Estava exausto. Eram 11h30 e não queria fazer nenhuma bobagem. Ela disse para eu mandar logo, já que eu estava com o artigo pronto. Eu preferi ter calma, e estar com a cabeça descansada para não passar nenhum detalhe. Muitas vezes um artigo é desclassificado por besteiras, tipo deixar a identificação do autor (os artigos são blind peer-reviewed, ou seja, "autorizados" por outros pesquisadores, que não devem saber quem é o autor).

Hoje acordei e entrei direto no site do Academy of Management para submeter o artigo. Surpresa! Site fora do ar...

Ou seja, deve ter um monte de brasileiros submetendo artigos hoje, porque o site está fora do ar, sobrecarregado. Ou todo o mundo deixa tudo para a última hora e nós é que levamos a fama.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Fim da Comida Barata

O gráfico aí do lado é da revista The Economist (www.economist.com). Ele mostra o aumento do preço do alimento no mercado mundial. Depois que terminou o evento de mudanças climáticas, um professor que estava na platéia se aproximou de mim e disse que minha pergunta era o tema de um artigo nessa revista.

Segundo esse artigo, o aumento da demanda de grãos, causada entre outras coisas pelo novo uso para biocombustíveis, compete com o uso desses grãos para uso alimentar, aumentando o seu preço.

Ou seja, esse negócio de que biocombustível (biodiesel, álcool, etc.) só tem vantagens não é bem assim.

Quem quiser ler a entrevista na íntegra, aqui vão os endereços:

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10250420

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10252015&CFID=3975314&CFTOKEN=994710bb9000b90c-6B01A19B-B27C-BB00-012B409B7A664A11

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Seminário de Mudanças Climáticas

Hoje participei do seminário sobre mudanças climáticas na University of Western Ontario.

Esse seminário foi uma promoção conjunta da administração e da engenharia ambiental da Western. A Tima Bansal, que é a diretora do Centro de Sustentabilidade da Ivey Business School, e o Robert Bailey, que é o diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental na Western, têm uma boa interação, e as duas unidades da Western colaboram bastante entre si (coisa rara em universidades, como se sabe...).

Como foi a dinâmica da coisa. Começava às 11h da manhã (preciso dizer que começou no horário?), mas já havia café, cookies, sanduíches, suco e água para quem quisesse fazer um lanche um pouquinho antes. Depois de falarem, o Rob e a Tima, por 10 minutos, o moderador apresentou o primeiro palestrante. Cada um falou por exatos 10 minutos. Meio-dia, tivemos um intervalo de 5 minutos para pegar um sanduíche e um café (dentro da sala) e voltarmos para uma plenária de discussão, com perguntas e respostas. A foto no início do post mostra o momento da plenária.
O nome do primeiro palestrante é Gordon Southam. Ele é pesquisador em geomicrobiologia (vixi!), que parece uma cruza de geologia com biologia. Ele e o aluno de doutorado dele estão pesquisando bactérias que possam "seqüestrar" o gás carbônico da atmosfera, reduzindo assim o efeito estufa. A idéia é fantástica, porque nos libera para ter nosso carrinho e andar de avião sem ter tanta culpa... hehehe!

Depois, falou o Franco Berruti. Ele era o diretor da escola de engenharia da Western e agora é o diretor do recém-criado centro de biocombustíveis. Ele mostrou que a produção de etanol a partir de milho é tão ineficiente que apenas 15% da biomassa é transformada em combustível -- 85% é resíduo! Então eles estão pesquisando um processo de pirólise que possa ser aplicado em usinas estáticas e em unidades móveis, para tratar o resíduo agrícola na própria fazenda. Eu achei isso uma idéia ótima, pois além de transformar o resíduo em combustível, evita a poluição de ter que transportar todo esse resíduo para uma usina de processamento. Só para ter uma idéia da dimensão do que estamos falando, vou apresentar uns dados da palestra dele. O mundo consome de energia 440 Exajoules por ano (440x1018 Joules, uma medida de energia - se você ainda não entendeu o que são Exajoules, presta só atenção nos números). Desses 440 EJ/ano, 100 EJ/ano são consumidos pelos Estados Unidos. Das diversas fontes alternativas de energia, só o resíduo da agricultura, que hoje só serve para poluir, tem condições de gerar 100 EJ/ano! Ou seja, com o que tocamos fora hoje na agricultura, teríamos condições de abastecer os Estados Unidos inteiros (ou 1/3 da necessidade energética do resto do mundo) de energia, não por um ano, mas indefinidamente!

Depois falou o Gordon McBean, que é um professor de física aposentado. A área dele era climatologia, estudos atmosféricos, algo assim. Hoje ele tem um assento no IPCC (painel interministerial de mudanças climáticas), um dos grandes organismos a tratar do assunto do clima do ponto de vista de regulamentação, pesquisas, etc. E é o diretor de estudos de políticas, do "Instituto para a Redução de Perdas Catastróficas" (vixi!). Os dados deles são impressionantes. Não consegui anotar quando, mas existem estimativas de que em alguns anos, London (Ontario) pode ter até 60 dias/ano de temperaturas altas (>30°C)

Depois falou a Dianne Cunningham. Ela é a diretora do centro nacional Lawrence para gestão e políticas públicas, que fica na Ivey. Ela falou sobre o esforço para influenciar as políticas públicas, em qualquer esfera, e chamá-los para o debate de temas importantes, e tecnicamente complexos, como a sustentabilidade, e dos esforços que seu centro vem fazendo para isso.

Finalmente, um professor de ciências políticas da Western, Radoslav Dimitrov, trouxe um relato sobre a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que ocorreu em Bali (dezembro de 2007), à qual ele esteve presente. Essa conferência de Bali está discutindo a política internacional para a questão do clima, pois o protocolo de Quioto vence em 2012, e a ONU pretende ter um acordo/tratado internacional (ainda não se sabe bem o formato final) que substitua. O protocolo de Quioto é o atual tratado internacional que fixa metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Para variar, eu tinha que fazer duas perguntas, na sessão de perguntas e respostas: a opinião deles sobre o uso da terra para produção de biocombustíveis x alimentos x florestas, e sobre o impacto do milho no solo, uma vez que os preços do milho não param de subir e corremos o risco dos produtores começarem a plantar milho uma safra atrás da outra, acabando com os nutrientes do solo. O professor Berruti concordou que a produção de milho terá que ser intercalada com outras culturas. Segundo ele, deverá haver regulamentação pública para isso, pois se ficar por conta dos agricultores e da indústria de biocombustíveis, as safras de milho se sucederão infinitamente.

Para terminar, deixo aqui uma frase do professor Dimitrov, que gostei muito. Alguém da platéia perguntou se não havia um vácuo de liderança nessa questão da mudança climática (aliás, o governo canadense está fazendo umas coisas meio feias nessa área... posso elaborar melhor isso depois). A essa dúvida, o professor respondeu: "Mudança climática é um assunto muito importante para ser deixado para os governos. Nós temos que fazer alguma coisa. Nem que seja andar menos de carro!"

Taí. Não dá para ficar esperando...

sábado, 5 de janeiro de 2008

Devagar se vai ao longe

Acabei comprando o Office 2007. A UWO tem um acordo com a Microsoft em que eles vendem uma licença para alunos por cento e poucos dólares. Tinha medo de colocar minha tese nas mãos de um editor gratuito, como o OpenOffice. Vai que dá um problema: reclamar para quem? Além disso, eu estava recebendo arquivos em formato docx, que só o Word 2007 lê, e estava chato ter que converter, etc.

Eu sempre salvo meus arquivos no formato antigo, para poder trocar arquivos com as pessoas normais. E não forçar ninguém a comprar essa ... versão nova do Word. O formato antigo é reconhecido pelas versões anteriores do Word e quase todos os outros editores (WordPerfect, OpenOffice...), então consigo trocar arquivos sem problemas.

Bom, mas o Word 2007 é horrível para se trabalhar. Ele não tem absolutamente nada igual às versões anteriores. A não ser que a pessoa tenha memorizado todos os atalhos de teclado das versões anteriores (o que não é meu caso), tem que ficar meia hora procurando na tela como é que faz mesmo aquela coisa que ficava no menu "Inserir" do Word velho... E às vezes, com isso, se vai a linha de raciocínio que eu estava tentando desenvolver. Realmente, eu prefiria agora investir meu tempo em algo útil para o doutorado, ao invés de re-aprender a usar o editor de texto.

Mas o pior aconteceu hoje. Ontem eu abri um arquivo do Word para edição. É um artigo que está "em cima do laço" para o prazo final de submissão para um congresso. Fiquei até tarde ontem editando o arquivo. Hoje fui abrir... nenhuma das alterações que eu fiz ontem estavam lá! Procurei pelo computador todo, mandei buscar todos os arquivos alterados desde de 1 de janeiro... Nada! Sumiu. Não me pergunte o que foi. Eu tenho certeza de ter saído salvando. Aliás, eu salvo os meus trabalhos com freqüência. Não sei o que pode ter acontecido. Reclamar para quem?

Hoje passei o dia refazendo o trabalho de ontem. Legal, né? Parece aquele jogo, "devagar se vai ao longe". Versão doutorado: atira o dado, avança 3 casas, lê as instruções: "Seu editor de texto deu problema: volte 3 casas".

Enfim, vamos em frente! Tem coisas piores.

Minha resolução para 2008 era terminar a tese ainda esse ano. Eu não queria ter muitas outras, para não desfocar. Mas acho que incluir na minha lista para 2008 me livrar do Word ainda esse ano não está fora de cogitação.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Doar o corpo à ciência

Eu já tinha ouvido falar em doar o corpo à ciência. Achava que era doar, depois da morte, o próprio cadáver para pesquisas médicas.

Mas acho que estou doando o meu corpo em vida. Estou no meio do fogo cruzado aqui. Tenho contribuído pouco para o blog (e talvez também pouco para a ciência... quem sabe?) porque estou escrevendo dois artigos para congressos cujos prazos finais são em janeiro... daqui a duas semanas, pouco mais.

Terminei um deles, e tirei uma folga para atualizar o blog. Fiz o post sobre a tempestade, que estava engavetado uma semana, e este que estou escrevendo não deve estar parado a menos tempo. Tudo começou um dia que eu saí do escritório com as costas doendo de tanto ficar sentado na frente do computador. Aliás, desde lá tenho feito paradas periódicas e me espichado um pouco.

Mas naquele dia (algum dia dessa semana), disse para a Nara que eu estava imprestável, e quando baixasse a poeira eu teria que voltar a cuidar um pouco mais do corpo, que estava decadente... e lembramos de uma cena de um desenho animado: