sexta-feira, 25 de julho de 2008

O amor de Wall-E e Eva


Domingo passado, dia 20 de julho, o Iuri e eu fomos ao cinema de Taquara - Cine Viena - com nossos amigos Gustavo, Márcia e Tiago. Fomos assistir ao filme Wall-E.
O filme conta a história de um robozinho que "vive" sozinho e tem a missão de limpar a terra, destruída pelas catástrofes provocadas pela raça humana, durante a sua existência e reinado neste planeta. Sozinho é um modo de dizer: ele tem a companhia de um único ser vivo sobrevivente: uma barata.
Todos os dias, Wall-E sai de sua casa (um velho trator abandonado) e percorre a terra, juntando, compactando e armazenando o lixo da terra. No final de cada dia, Wall-E volta para sua casa, junto com sua amiguinha barata, e uma maleta com alguns itens, considerados importantes, por ele. Wall-E liga um televisor com tela LCD e coloca uma fita de vídeo que mostra pessoas caminhando e cantando nas ruas, ele se sente só. No final do vídeo, aparece um casal dançando e a cena é finalizada com os dois juntando suas mãos, apaixonadamente. Uma cena romântica que faz Wall-E juntar suas próprias mãos, sonhando em ter uma namorada.
Um dia, quando trabalhava na sua tarefa de limpar a terra, Wall-E assiste o pouso de uma nave espacial, de onde sai uma linda robozinha, que, após alguns momentos, se apresenta, como: Eva.
Wall-E se apaixona por Eva e tenta ensinar a ela algumas coisas sobre a terra. Um dia, Wall-E encontra uma plantinha, sinal de que a vida começa a se renovar na terra. Emocionado, dá a plantinha à Eva, que abre uma portinhola em seu peito e deposita o presente. Imediatamente, o sistema de Eva se conecta com a nave mãe, que volta para resgatá-la. Claro que Wall-E, herói apaixonado, se agarra à nave e viaja com ela até o planeta onde encontra toda a humanidade da terra, que aguarda pelo momento de retornar à terra renovada, pronta para ser reconstruída.
A mensagem do filme é tocante: mostra o que nós, humanos, estamos fazendo com nossa terra mãe. Estamos poluindo com nossa sujeira, em nome do desenvolvimento econômico, estamos sujando nossa própria água, por falta de educação e consciência e, as conseqüências disso, já começaram a aparecer.
Para minha triste surpresa, ao final do filme, quando as luzes do cinema se ascenderam, vi muito lixo espalhado pela sala. Copos vazios de refrigerante, sacos vazios de pipoca, embalagens vazias de chocolate e outras guloseimas. Tudo espalhado pelo chão da sala de cinema.
Será que aquelas pessoas - que têm dinheiro para pagar o ingresso ao cinema - não têm educação? Acreditam que haverá um Wall-E para limpar a sujeira que elas fizeram?
Bem, o filme é um desenho animado da Disney, mas não é feito somente para as crianças. Infelizmente, grande parte daquela plateia deve ter pensado que era um filmezinho de amor: o amor de Wall-E e Eva.
Que pena para Taquara, que pena para nosso planeta...

domingo, 6 de julho de 2008

Festa do Peixe 2008

Hoje o Iuri e eu acordamos cedo - estava um domingo ensolarado - e pegamos a estrada rumo a Imbé - RS, para encontrar com meus pais e meu irmão: Eraldo, que estavam lá desde sexta-feira.

No meio do caminho, paramos no restaurante "Da Colônia", em Santo Antônio da Patrulha, para tomar um café com torrada de pão caseiro e bolo de laranja. Hummm... Sentamos perto das janelas, onde o sol da manhã nos aquecia e iluminava, depois de uma semana de chuva, umidade e frio (foto ao lado).

Nossa! Meus pais ficaram tão felizes com a nossa visita inesperada que não mediram esforços para nos agradar. E nós também estávamos muito felizes por poder compartilhar, com eles, o chimarrão matinal, o almoço (tainha assada, violinhas e bolinhos de peixe fritos).

Depois do almoço fomos para a Festa do Peixe, em Tramandaí e visitamos o restaurante e os estandes. A festa está melhor a cada ano que passa. Compramos algumas roupas e outros artigos de utilidade doméstica e fizemos alguns registros fotográficos, conforme o álbum que pode ser acessado clicando em: http://picasaweb.google.com/naram.muller/FestaDoPeixe2008


English version:

Today, Iuri and I woke up early - it was a sunny day - and went to Imbe Beach, to meet my parents and my brother: Eraldo, who were there since last Friday.

In the middle of our trip, we stopped to have breakfast at the restaurant called: "Da Colonia", in Santo Antonio da Patrulha. We took seat close to the windows of the restaurant because the sun was rising and it was warm there. (See the picture above).

Wow! My parents were so happy with our unexpected visit and they didn´t know what to do in order to please us. We were also very happy to see them, take our chimarrao (funny tea, as Zenon used to say...) and have lunch: grilled fish, with them.

After lunch, we went to the Fish Party, in Tramandai Beach, and it was wonderful! You can see the pictures and video at: http://picasaweb.google.com/naram.muller/FestaDoPeixe2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Aniversário da Sofia - 9 anos

Não pude comparecer ao aniversário de 8 anos da Sofia. Não porque não tenha sido convidado, mas estava no Canadá, e impossibilitado de vir. Fiquei sabendo, semana passada, que se tivesse vindo ao Brasil sem autorização do CNPq podia até ter minha bolsa cortada! Mas eu não corria esse risco, o valor da bolsa não permitia tais aventuras.

Semana passada foi o aniversário de 9 anos da Sofia. E nesse domingo, comemoramos aqui em casa o evento. Foi muito divertido, como sempre. A Júlia, uma menina de 5 anos que era nossa vizinha (até esse domingo!) passou o dia brincando com a Sofia. Outros convidados, esquecidos nas fotos, não puderam vir antes porque estavam ajudando no vestibular de inverno da FACCAT, onde trabalham.

Enfim, foi uma festa simples mas bem bonita. Consegui matar a saudade de fazer um aniversário da Sofia!

Coloquei as fotos em um web álbum, quem quiser conferi-las, pode clicar abaixo:
http://picasaweb.google.com/prof.iuri/20080815AniversarioSofia

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mais um passo / Inching


Começamos o mês de maio. Dediquei esse mês a dar a arrancada final para terminar o doutorado. O doutorado é um trabalho de folêgo, como uma maratona. Então, não adianta correr muito no início, porque nos últimos meses vai faltar gás. Marquei comigo mesmo para começar a escrever em maio. E não sabia muito como cumprir isso.

Não que eu não conheça a estrutura do trabalho final. Eu já orientei alguns trabalhos de conclusão da graduação, e a estrutura é a mesma. Eu próprio já escrevi um trabalho na graduação, mais a dissertação de mestrado. A estrutura não é o problema. Na verdade, nem o conteúdo. Tenho uma boa leitura da área, estou razoavelmente atualizado com as últimas pesquisas na área. Acho que não é esse o problema. O problema é como começar.

Tentei diversas abordagens. Nenhuma deu muito certo. Dessa vez, tentei uma coisa "diferente". Escrevi o resumo da tese antes. Geralmente, as pessoas deixam para escrever os resumos por último. Depois de tudo escrito, é só tirar o sumo em 500 palavras e está feito o resumo. No meu caso, eu resolvi começar por ele, para ter um norte e um guia de por onde seguir. Vamos ver no que dá. Estou hoje com 2 páginas escritas, ainda que provisórias, da minha tese de doutorado. Vamos ver no que dá.

Outra coisa importante aconteceu essa semana. A UFRGS exige que, entre outras coisas, os doutorandos tenham 2 publicações aceitas para poderem defender a tese. Eu submeti essa semana minha publicação científica para a comissão de pós-graduação em administração e tive já a resposta: estão aceitos. Ou seja, agora "só falta a tese" mesmo. O que, de certa forma, me deixa um pouco mais tranqüilo. Os artigos dependem de outras pessoas para serem aprovados, já a tese só depende de mim para ser escrita.

Vou me esforçar para terminar o doutorado ainda esse ano. O doutorado é um peso não só para o doutorando, mas para sua família também. É chegada a hora de acabar com ele.

May begins. I have decided starting my dissertation (the actual writing) this month, but I didn't know how to start.

I know the structure of a dissertation. I have myself advised undergrads in their theses, and the structure is the same. I have written my own undergraduate and master theses. The structure is not the problem. Actually, not even the content. I have some knowledge of the field, and I am updated with the research in my field. I don't think that this is the problem. The problem is how to start.

I have tried many different approaches. None have worked. This time, I have tried something "different". I wrote the abstract before the dissertation. Normally, people leave the abstract to the end. When the main text is ready, they can easily summarize the dissertation in 500 words or less. In my case, I have decided starting with the abstract, to have a North Star to follow. I hope this works.

Another important thing happened this week. My university (actually, the business program) requires that we publish 2 papers (can be journals or conference proceedings) before the dissertation defence. I have submitted my papers to the graduate committee, and they accepted my papers. That means that I need "only the dissertation" to be a doctor. This is good news: papers need approval from many different people to get published, but the dissertation only needs me to be written.

I will do my best to get my doctor degree this year. The graduate program is heavy not only to the doctoral student, but to his family too. It is time to finish.

domingo, 27 de abril de 2008

Mini Amores-Perfeitos

Nesse final de semana terminamos a saga de um canteirinho de flores. Desde que voltamos, não temos tido muito tempo para alimentar o blog... quem dirá cuidar da casa, essas coisas. Se tivesse terminado de dia, tiraria uma foto do "mega canteiro" só para se ter uma idéia do grau de enrolamento em que andamos.

Na verdade, não foi iniciativa nossa: as cochonilhas precipitaram as coisas. Tomaram de assalto uma cerca verde que ligava nosso portão até a entrada da sala e fizeram um estrago. Junto com as cochonilhas, vêm em geral fungos, e nossa cerca verde ficou tomada por umas bolotas esbranquiçadas no caule. Resultado: arranquei tudo fora, semana passada, com um pouco de ajuda da Sofia. Aproveitei e tirei também a terra, que segundo nosso amigo agrônomo, o Gustavo, poderia não estar oferecendo os nutrientes adequados às plantas. Ele afirma que as infestações atacam as plantas que estão mal-nutridas. Se forem como os demais predadores, deve ser mesmo. A terra estava um barro socado, devia ter menos nutrientes que um fast-food!

Antes, claro, obtive o consentimento da Nara de que iríamos tirar aquelas coisas e colocar flores. Mas ela foi mais esperta: ao invés de plantarmos sementes e rezar para sair algo, iríamos comprar as mudas na floricultura. Essa acho que ela aprendeu no Canadá... eu seguiria tentando a mesma estratégia frustada de comprar aqueles pacotes de sementes com bonitas fotos, no supermercado, e ficando triste com o resultado.

Esse sábado fomos escolher as flores. Trouxemos mini amores-perfeitos, que são mais rasteiros e florescem no inverno. No frio e intempérico inverno gaúcho! Acho que tivemos que ir ao Canadá para nos darmos conta de quão suave é o inverno daqui... podemos plantar flores o ano todo. Essas são as nossas de inverno.

domingo, 23 de março de 2008

FELIZ PÁSCOA - HAPPY EASTER


Desejamos a todos uma FELIZ PÁSCOA / 2008! Que a presença Divina seja constante em nossas vidas.

We wish you a HAPPY EASTER!
Iuri and Nara.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Nossa chegada ao Brasil

Depois de um mês no Brasil, retomamos as atualizações do blog. No primeiro post descrevemos um pouco de nossa viagem e chegada ao Brasil.

Nossa viagem começou no dia 18 de janeiro, quando saímos de London. Nossos amigos Mary-Anne e Zenon nos levaram ao aeroporto de London e nos ajudaram a resolver um pequeno probleminha com as malas de mão. Mais uma vez nossos anjos estavam lá na hora em que precisamos deles.

Nossa amiga Zulma também foi ao aeroporto para se despedir de nós, o que nos encheu de alegria.

Quando o avião decolou de London, com destino a Toronto, meu coração disparou de emoção e eu tive um "ataque" de choro ao ver a cidade que nos acolheu durante quase um ano, ficar para trás. A cidade estava toda branquinha de neve e as luzes já iluminavam o anoitecer. Uma mistura de felicidade pela expectativa de reencontrar familiares e amigos no dia seguinte e, ao mesmo tempo, uma tristeza por deixar aqueles amigos tão queridos que conquistamos no Canadá.

Em Toronto, tomamos um último café no Tim Hortons e de lá, iniciamos o vôo de volta para casa. Eu já estava mais calma nesse momento.

A viagem foi muito tranqüila e chegamos em São Paulo pelas 11 horas da manhã do dia 19 de janeiro. Almoçamos no aeroporto de Guarulhos e o vôo para Porto Alegre saiu exatamente no horário previsto. Chegamos no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por volta das 17h30min e nossa família estava lá: filhos, pais, irmãos, tios, primas... Nossa! Quanta emoção...

Fizeram até um cartaz de boas vindas, em inglês: o Iuri com um estetoscópio (afinal, ele é quase doutor) e eu com um chapéu de vaqueira... por que será? (risos).

Dali partimos de "van" para Taquara, onde a festa iria acontecer, mas isso é conversa para um outro post.

A foto acima mostra o Iuri e sua filha: Sofia, meus dois filhos: Douglas e Lucas, eu segurando o cartaz de boas vindas e minhas norinhas: Vanessa e Flávia.

English version:

After we have been for one month in Brazil, we started to write in our blog again. In our first post, we wrote about our trip from Canada to Brazil.

Our trip started on January, 18th and our friends Mary-Anne and Zenon took us to airport of London and they helped us to solve some problems with our handbags. Once more, our angels were with us when we needed them.

Our friend Zulma met us at the airport too and that made us very happy.

When the plane flew up from London and I saw the city where we had lived for almost one year, beeing behind us, I started to cry. I was happy because I knew that I would meet my parents, sons and friends the day after, but I also was sad because I would miss our lovely friends from Canada.

In Toronto, we took our last coffe at Tim Hortons before we left Canada.

The trip was very good and we arrived in Sao Paulo around 11 AM at January, 19th. We had lunch at the airport of Guarulhos in Sao Paulo and our fligth to Porto Alegre started on the right time. Our plane landed at the airport Salgado Filho, in Porto Alegre, around 5:30 PM and our relatives were there. It was a great emotion.

My sons and their girlfriends had made a wellcome poster for us: Iuri had a stethoscope - because he is almost a doctor :) - and there was a hat on my head. "What for???" (laugh).

From the airport of Porto Alegre to Taquara, we traveled by a van, all together. We had a party in Taquara and we are going to write about the party, in another post.

The picture above shows Iuri and his daughter: Sofia, my two sons: Douglas and Lucas, I (holding the wellcome poster) and my sons's girlfriends: Vanessa and Flavia.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Últimas notícias antes da viagem

Ontem fomos com Mary-Anne e Zenon no Tiger Jacks Bar and Grill. Foi uma pré-despedida de nossos tão queridos amigos canadenses.


O lugar é lindo, todo decorado com cabeças e peles de tigre feitos com material sintético. No hall de entrada do bar, uma estátua engraçada de Jack Daniels, com cara de tigre. http://www.restaurantica.com/restaurants/2557/


Hoje nós fomos à universidade assistir nossa última sessão de Seminários em Sustentabilidade e nos despedimos do pessoal da Ivey School of Business.


O Iuri devolveu a chave do seu escritório e voltamos para casa, para re-organizarmos as malas e fechá-las.


Amanhã, dia 18 de janeiro, às 19h40min, estaremos decolando de London. Nossos amigos Mary-Anne e Zenon vão nos levar ao aeroporto, mas antes, querem comer uma última pizza conosco, no Alibi.


Sábado, dia 19, pelas 16h35min, deveremos estar chegando ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde encontraremos nossos familiares e amigos brasileiros.


Voltaremos a "blogar" em solo brasileiro.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Gafe na missa...

Domingo fomos à nossa missa de despedida na catedral de London. Isso a Nara já contou noutro post. Era o último final de semana do tempo de Natal. Vamos entrar no tempo comum no Brasil, mesmo.

Uma hora o padre diz para pegarmos o livro de cantos e irmos para a última página.

Dizia mais ou menos assim:

O padre diz:
Blablabla
A comunidade diz:(The community says:)
Blablabla


Depois que o padre disse a frase dele, escuto a Nara dizer em voz alta "The community says...". Aí ela parou e retomou. Mas quase dei uma gargalhada no meio da missa. Não era para ler essa parte, Nara...

Madrugadas dedicadas à ciência

Agora é a minha vez de fazer um desabafo: Desde que o Iuri começou o doutorado e, principalmente nestes últimos tempos, em que a pressão por submissão e aprovação de artigos em congressos e em revistas científicas, ele tem dedicado muitas horas de seus dias - e noites - à ciência.
Em seu post mais recente, o Iuri diz que de agora até março ainda vão haver muitas madrugadas e eu comentei com ele que, pelo menos, eu vou poder dormir na minha cama, em casa, e não nesse airbed (colchão de ar) que tem nos servido de cama desde que chegamos ao Canadá.
Aí o Iuri comentou comigo: "E não vais entrar no escritório, de madrugada, para me assustar!" - risos.
É que o Iuri, quando está trabalhando nos seus artigos, escuta música com fones de ouvido, para não atrapalhar meu sono. Aí ele também não ouve mais nada que acontece ao redor.
O problema é que eu acordo assustada porque ele ainda não veio dormir e vou até o escritório ver se está tudo bem com ele. Quando eu abro a porta e apareço na frente do Iuri, ele sempre se assusta, pensando que é um fantasma. Isso sempre é engraçado!

Another one bites the dust!

Feito!

Fiz a submissão dos dois artigos para o Academy of Management (Academia da Administração). Agora vamos cruzar os dedos e ver se são aprovados.

Esqueci de falar que ainda ontem submeti outro artigo para o IAMOT (Associação Internacional para Gestão da Tecnologia).

Minha cota para artigos em congressos internacionais esse ano está encerrada. Eu iria adorar ir ao POMS, que é específico de gestão de operações e logística, mas não sei se consigo verba para tudo.

Tem dois congressos nacionais bons na minha área que deve ser importante fazer um esforço para ir: o ENANPAD e o SIMPOI. Mas isso vai requerer um momento de superação, para "dar à luz" a mais dois artigos até o final de março!

Bom, tem muitas madrugadas daqui até o final de março...

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Tenho que agradecer à nossa amiga Jane pela ajuda na revisão do texto: Valeu, Jane!
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Um foi!

Acabo de submeter o primeiro artigo. Um foi!

Entrei agora há pouco no site do Academy of Management e ele estava funcionando, então consegui submeter o primeiro artigo.

O outro eu ainda estou revisando a formatação. Assim que estiver pronto submeto.

Não deixe para amanhã...



Hoje é a data limite para envio de artigos para o congresso do Academy of Management. Como se sabe, brasileiro deixa tudo para última hora...

Como disse em outro post, venho trabalhando pesado para fechar um artigo para mandar para lá. Segundo meu professor daqui, está "passável", considerando que é um congresso, mas ainda tem uma estrada ainda para trilhar até chegar a ser um artigo pronto para um periódico científico. Vamos trilhando...

Mas ontem eu estava conversando com a Nara. Estava exausto. Eram 11h30 e não queria fazer nenhuma bobagem. Ela disse para eu mandar logo, já que eu estava com o artigo pronto. Eu preferi ter calma, e estar com a cabeça descansada para não passar nenhum detalhe. Muitas vezes um artigo é desclassificado por besteiras, tipo deixar a identificação do autor (os artigos são blind peer-reviewed, ou seja, "autorizados" por outros pesquisadores, que não devem saber quem é o autor).

Hoje acordei e entrei direto no site do Academy of Management para submeter o artigo. Surpresa! Site fora do ar...

Ou seja, deve ter um monte de brasileiros submetendo artigos hoje, porque o site está fora do ar, sobrecarregado. Ou todo o mundo deixa tudo para a última hora e nós é que levamos a fama.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Último domingo em London

E para celebrar o último domingo em London e agradecer por todas as coisas boas que nos aconteceram durante esse período em que estivemos no Canadá, o Iuri e eu fomos à missa na St. Peters Cathedral Basilica.

A missa foi muito bonita, como sempre, com uma cantora maravilhosa e uma organista de alto nível.
No final da missa, fomos nos despedir do vigário, Padre Jim Mockler, que nos abençoou e desejou-nos boa viagem de volta ao Brasil.
A seguir, um víddeo que fizemos pouco antes do Natal, antes da missa começar.

As coisas boas da vida

Nessa mesma viagem ao Masonville Mall, estávamos indo de ônibus, e passamos por dentro do campus principal da universidade. Lá, a Nara viu uma moça na parada e umas outras correndo para tentar alcançar o ônibus.

"Como é bom quando estás correndo para alcançar o ônibus e tem alguém na parada", disse ela, se referindo ao fato de que tens mais tempo para chegar até a porta e entrar. Mas eu ouvi isso e desatei a rir. "Está na hora de voltar para casa, mesmo! Estás começando a achar isso bom!" -- brinquei. Rimos muito dessa história.

O que essa vida de estudante durango está nos fazendo... mudando nossa percepção do que é bom! hehehe!

Situações Conhecidas

No Brasil, a gente já está acostumado com a caça às latinhas de alumínio. Todo dia de coleta de lixo seco é a mesma coisa: os caras vêm, reviram teu lixo, tiram as latas de alumínio e vão embora, às vezes deixando para trás um rastro de papéis, vidros e latas espalhados. Tudo muito bonito.

Outro dia desses vi um casal fazendo quase a mesma coisa em London. O lixo reciclável é deixado em umas caixas azuis de plástico, na véspera da coleta. Até faz sentido, porque a caixa é reutilizável, mas os saquinhos de plástico com os quais embalamos nossos lixos no Brasil não... No verão, como anoitece às 9 horas, vi esse casal passando e catando as latinhas de alumínio, e deixando o resto dentro da caixa.

Mas cena estranha aconteceu essa semana. Estava eu trabalhando em um dos meus artigos, quando ouvi um barulho de coisa revirada na rua. Eram 3h30 da madrugada de quarta para quinta-feira, e eu estava trabalhando de janeila escancarada, por causa do calor do aquecedor. Lá fora -2°C ("not cold", dizem por aqui) e eu dentro de casa torrando. O problema é que ouço tudo o que passa lá fora: a gurizada saindo do Cowboys Ranch, os carros. Essa noite eu ouvi esse barulho de coisa revirada. Coloquei a cabeça para fora da janela para ver, e estava lá ele: um catador de latas de alumínio, revirando nossa caixa de lixo reciclável. Pô, o cara no frio, a essa hora da manhã! Not Cold!

Ontem eu e a Nara fomos pela última vez no Masonville Mall, para comprar umas coisas que estavam faltando. Como sempre, compramos mais do que estava faltando. Vamos ter dificuldades de fechar as malas... Mas na volta, sentou um cara do meu lado. Era um daqueles bancos atravessados no ônibus, que cabem quatro pessoas. Estávamos eu, a Nara e mais uma moça na ponta do banco. A vaga do meu lado estava vazia, até que ele sentou. Não prestei atenção nele, até a hora que eu senti ele me cutucando. Na verdade, ele estava tentando tirar um tocador de CDs (lembram?) do bolso do casaco, e ele havia trancado. Os cutucos eram ele fazendo força para tirar o aparelho. Ele tirou e começou a manusear o aparelho, e notei as mãos dele. Ele tinha umas unhas compridas e sujas, e isso me chamou a atenção. Comecei a olhar em volta e vi que havia mais gente olhando para ele. O cara não fedia nem nada, mas usava um casaco de couro e uma outra jaqueta azul, suja, por cima. Uma hora ele tirou um saco plástico do bolso com outro CD, trocou o CD do Skid Row que ele estava ouvindo por um outro também de "rock pauleira", como diria minha vó. Dali a pouco, ele cruzou a perna, tirou um maço de notas da meia e começou a contar a féria. Daí caíram minhas fichas: ele era um mendigo, pedinte. Estava com uma nota de 10 e mais umas quantas de 5 (o dia tinha sido bom!). Depois, quando saiu a moça da ponta do banco, ele foi para lá e tirou as moedas do bolso. Várias moedas de toonies (2 dólares). Acho que ele estava tentando impressionar a loira do banco da frente, com sua fortuna... hehehe.

De qualquer forma, com essas coisas, vamos nos despedindo do Canadá e começando a encontrar coisas nossas velhas conhecidas do Brasil...

O Rancho dos Cowboys

Bem perto da nossa casa tem um bar e danceteria chamado: Cowboys Ranch e, desde que chegamos a London, eu tenho falado para o Iuri da minha vontade de conhecer o lugar.

A foto ao lado foi tirada da área da frente do nosso prédio e mostra o quanto é perto o Rancho dos Cowboys.

Todas as quintas, sextas e sábados, o lugar fica cheio de gente que veste calças jeans, camisas xadrez, chapéu de vaqueiro ou vaqueira e botas de bico fino e solado de couro para deslizar na pista de dança.

Ontem à noite, tivemos a oportunidade de irmos ao Rancho dos
Cowboys, junto com um autêntico cowboy norte americano: nosso
amigo Eddy - fazendeiro de London - e a sua esposa Zulma, nossa querida amiga brasileira.




Chegamos cedo e pudemos ver uma aula de dança country, cujos alunos eram pessoas de todas as idades. Essas aulas acontecem todas as quintas e sextas-feiras, das 20 às 22 horas, e são de graça.
Depois das 22 horas, começam a chegar os jovens que vêm para se divertir: bebendo, dançando e namorando.
Claro que nós aproveitamos para dançar um pouquinho para matar a saudade dos nossos bailes taquarenses. (Mas dançamos do jeito que sabemos dançar - afinal, com mais gente na pista, quem é que observa que a gente não sabe dançar country music?)

Abaixo, o vídeo de uma aula de dança do Cowboys Ranch.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Veranico de janeiro




Depois de termos relatado toda aquela neve que caiu durante meados de novembro até o final de dezembro, parece que o tempo resolveu nos dar uma trégua.

Durante esses primeiros dias de janeiro tivemos algumas chuvas, vento e até um solzinho de vez em quando, e a temperatura variou entre -16 e 8 graus Celsius. As chuvas e vento provocaram o derretimento da neve, que encheu o rio Tâmisa.




Sobraram alguns montes de neve que haviam sido formados pelas máquinas que limpam os estacionamentos e as ruas. Esses montes de neve se misturam com a terra deixando um aspecto lamacento como pode-se ver na foto à esquerda e no vídeo abaixo.




A previsão do tempo para os próximos dias, entretanto, mostra períodos de fraca incidência de neve, variando a períodos de nublado com um pouco de sol e as temperaturas deverão ficar entre 2 e -10. A temperatura de -10 está prevista para sexta-feira, dia 18, quando estaremos embarcando de volta para o verão brasileiro.

O Fim da Comida Barata

O gráfico aí do lado é da revista The Economist (www.economist.com). Ele mostra o aumento do preço do alimento no mercado mundial. Depois que terminou o evento de mudanças climáticas, um professor que estava na platéia se aproximou de mim e disse que minha pergunta era o tema de um artigo nessa revista.

Segundo esse artigo, o aumento da demanda de grãos, causada entre outras coisas pelo novo uso para biocombustíveis, compete com o uso desses grãos para uso alimentar, aumentando o seu preço.

Ou seja, esse negócio de que biocombustível (biodiesel, álcool, etc.) só tem vantagens não é bem assim.

Quem quiser ler a entrevista na íntegra, aqui vão os endereços:

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10250420

http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=10252015&CFID=3975314&CFTOKEN=994710bb9000b90c-6B01A19B-B27C-BB00-012B409B7A664A11

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Seminário de Mudanças Climáticas

Hoje participei do seminário sobre mudanças climáticas na University of Western Ontario.

Esse seminário foi uma promoção conjunta da administração e da engenharia ambiental da Western. A Tima Bansal, que é a diretora do Centro de Sustentabilidade da Ivey Business School, e o Robert Bailey, que é o diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental na Western, têm uma boa interação, e as duas unidades da Western colaboram bastante entre si (coisa rara em universidades, como se sabe...).

Como foi a dinâmica da coisa. Começava às 11h da manhã (preciso dizer que começou no horário?), mas já havia café, cookies, sanduíches, suco e água para quem quisesse fazer um lanche um pouquinho antes. Depois de falarem, o Rob e a Tima, por 10 minutos, o moderador apresentou o primeiro palestrante. Cada um falou por exatos 10 minutos. Meio-dia, tivemos um intervalo de 5 minutos para pegar um sanduíche e um café (dentro da sala) e voltarmos para uma plenária de discussão, com perguntas e respostas. A foto no início do post mostra o momento da plenária.
O nome do primeiro palestrante é Gordon Southam. Ele é pesquisador em geomicrobiologia (vixi!), que parece uma cruza de geologia com biologia. Ele e o aluno de doutorado dele estão pesquisando bactérias que possam "seqüestrar" o gás carbônico da atmosfera, reduzindo assim o efeito estufa. A idéia é fantástica, porque nos libera para ter nosso carrinho e andar de avião sem ter tanta culpa... hehehe!

Depois, falou o Franco Berruti. Ele era o diretor da escola de engenharia da Western e agora é o diretor do recém-criado centro de biocombustíveis. Ele mostrou que a produção de etanol a partir de milho é tão ineficiente que apenas 15% da biomassa é transformada em combustível -- 85% é resíduo! Então eles estão pesquisando um processo de pirólise que possa ser aplicado em usinas estáticas e em unidades móveis, para tratar o resíduo agrícola na própria fazenda. Eu achei isso uma idéia ótima, pois além de transformar o resíduo em combustível, evita a poluição de ter que transportar todo esse resíduo para uma usina de processamento. Só para ter uma idéia da dimensão do que estamos falando, vou apresentar uns dados da palestra dele. O mundo consome de energia 440 Exajoules por ano (440x1018 Joules, uma medida de energia - se você ainda não entendeu o que são Exajoules, presta só atenção nos números). Desses 440 EJ/ano, 100 EJ/ano são consumidos pelos Estados Unidos. Das diversas fontes alternativas de energia, só o resíduo da agricultura, que hoje só serve para poluir, tem condições de gerar 100 EJ/ano! Ou seja, com o que tocamos fora hoje na agricultura, teríamos condições de abastecer os Estados Unidos inteiros (ou 1/3 da necessidade energética do resto do mundo) de energia, não por um ano, mas indefinidamente!

Depois falou o Gordon McBean, que é um professor de física aposentado. A área dele era climatologia, estudos atmosféricos, algo assim. Hoje ele tem um assento no IPCC (painel interministerial de mudanças climáticas), um dos grandes organismos a tratar do assunto do clima do ponto de vista de regulamentação, pesquisas, etc. E é o diretor de estudos de políticas, do "Instituto para a Redução de Perdas Catastróficas" (vixi!). Os dados deles são impressionantes. Não consegui anotar quando, mas existem estimativas de que em alguns anos, London (Ontario) pode ter até 60 dias/ano de temperaturas altas (>30°C)

Depois falou a Dianne Cunningham. Ela é a diretora do centro nacional Lawrence para gestão e políticas públicas, que fica na Ivey. Ela falou sobre o esforço para influenciar as políticas públicas, em qualquer esfera, e chamá-los para o debate de temas importantes, e tecnicamente complexos, como a sustentabilidade, e dos esforços que seu centro vem fazendo para isso.

Finalmente, um professor de ciências políticas da Western, Radoslav Dimitrov, trouxe um relato sobre a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que ocorreu em Bali (dezembro de 2007), à qual ele esteve presente. Essa conferência de Bali está discutindo a política internacional para a questão do clima, pois o protocolo de Quioto vence em 2012, e a ONU pretende ter um acordo/tratado internacional (ainda não se sabe bem o formato final) que substitua. O protocolo de Quioto é o atual tratado internacional que fixa metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Para variar, eu tinha que fazer duas perguntas, na sessão de perguntas e respostas: a opinião deles sobre o uso da terra para produção de biocombustíveis x alimentos x florestas, e sobre o impacto do milho no solo, uma vez que os preços do milho não param de subir e corremos o risco dos produtores começarem a plantar milho uma safra atrás da outra, acabando com os nutrientes do solo. O professor Berruti concordou que a produção de milho terá que ser intercalada com outras culturas. Segundo ele, deverá haver regulamentação pública para isso, pois se ficar por conta dos agricultores e da indústria de biocombustíveis, as safras de milho se sucederão infinitamente.

Para terminar, deixo aqui uma frase do professor Dimitrov, que gostei muito. Alguém da platéia perguntou se não havia um vácuo de liderança nessa questão da mudança climática (aliás, o governo canadense está fazendo umas coisas meio feias nessa área... posso elaborar melhor isso depois). A essa dúvida, o professor respondeu: "Mudança climática é um assunto muito importante para ser deixado para os governos. Nós temos que fazer alguma coisa. Nem que seja andar menos de carro!"

Taí. Não dá para ficar esperando...