quarta-feira, 18 de julho de 2007

Away from Her

Nessa terça-feira (o dia do ingresso barato), fomos ver Away from Her. É uma produção (anglo?-)canadense, se passa aqui em Ontário. É a história de um casal, casado a 44 anos, em que a mulher começa a sofrer do mal de Alzheimer (o tal alemão que enlouquece as mulheres).

Preocupado com a saúde dela, que começa a esquecer as panelas no fogo, sai de casa para esquiar e se esquece do caminho de volta, etc., o marido a leva a uma médica, que diagnostica o problema. Então eles decidem que ela seria internada em uma nursing home. Belas instalações, enfermeiras todo o tempo. Só tem um pequeno problema: a tal nursing home exige que nenhum familiar visite os pacientes internados nos primeiros 30 dias. Tempo suficiente para a mulher esquecer do marido. E ela se afeiçoa por outro interno, um senhor de cadeira de rodas que tinha sido afetado por um vírus. Ver trailer.

Enfim, o tipo do filme para se lavar chorando. Eu e a Nara já havíamos nos preparado, ao ver o trailer do filme algumas semanas antes, para sofrer. Eu, que choro até em propaganda de margarina, imaginava que ia ter que levar toalha para secar as lágrimas. Acho que a preparação foi tanta que cheguei anestesiado. Não chorei nada. Já o resto do cinema... Vários casais de mais idade, senhoras, enfim, um público para o qual esse tema é bastante caro. Na verdade, um casal, em qualquer ponto da vida que esteja, fica um pouco chocado com a possibilidade de ficar "viúvo virtual", ao lado da pessoa amada, incapacitada.

A atriz principal, a senhora com Alzheimer, é a Julie Christie. Ela faz uma interpretação sensacional. E ainda é uma mulher muito bonita, com todos seus 66 anos. Saímos do cinema pensando "Julie Christie... Julie Christie... esse nome não é estranho".

Fomos olhar no Google, e ele tem um link para o IMDB (Internet Movie Database). Ela tem uma carreira longa, já vi mais de um filme com ela (Farenheit 451, por exemplo). Mas o que tenha talvez maior interesse "biográfico" para mim é Doctor Zhivago (1965), em que ela interpreta Lara Antipova, a enfermeira e amante do Dr. Yuri Zhivago (veja um trechinho dos dois contracenando, clicando aqui). Esse filme me deixa em dúvida sobre a origem do meu nome. Eu costumava pensar, até vê-lo, que meu nome era uma homenagem a Yuri Gagarin, o cosmonauta (veja um "clip" com vídeos da época clicando aqui) que em 1961 "deu um passeio" em volta da Terra... pelo lado de fora. Mas como minha irmã se chama Lara... um casal de filhos chamados Iuri e Lara... parece mais a ver com os personagens do filme do que com o cosmonauta russo.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Amostragem aleatória? Barbada! Depois vem a parte difícil...

Meus bisavós vieram da Itália no início da década de 1920. Meu bisavô morreu em 1979. No período em que convivemos, eu achava difícil falar com ele. Primeiro que ele era tímido, não tinha assunto com crianças. Depois, ele falava com um forte sotaque italiano, e misturava as palavras nos dois idiomas. Eu tinha muita dificuldade de entender o que ele dizia.

Já minha bisavó era outra história. Falante e extrovertida, gostava de contar piadas e histórias de quando ela era moça na Itália, da vinda deles para o Brasil, das dificuldades de entrar em um país em que nada se sabia. Ela lia muito, conversava muito e falava português com fluência. Mas quando ela falava no telefone, o sotaque italiano saltava. E, claro, quando ela ficava nervosa, a língua materna também falava mais alto...

***

Estamos em uma fase delicada da minha pesquisa. Nos demos conta de um pequeno problema conceitual no questionário, nada grave, perfeitamente contornável com uma ou duas palavras bem colocadas. Nada que vá invalidar nosso processo no Comitê de Ética. Entretanto, temos sérias dúvidas se o setor eletrônico, onde eu tinha intenções de fazer a pesquisa originalmente, seria o mais adequado.

Decidimos então fazer uma investigação preliminar. Eu tenho uma relação das empresas canadenses, e vou ligar para algumas empresas, escolhidas aleatoriamente em diversos setores, para "tirar uma febre" sobre alguns pontos do questionário e entender um pouco melhor as práticas e o jargão da área. Uma ligação rápida, uma conversa informal que não toma mais que 10 minutos do gerente da empresa. Isso pode evitar alguns meses e muitos dólares desperdiçados coletando dados que não servem para nada.

Normalmente, fazer uma "amostragem aleatória" é uma chatice. É a base da ciência, porque é a única forma que se conhece de se garantir que se está escolhendo representantes legítimos da população investigada. Apesar de importante, os métodos para se criar a tal amostra são muito trabalhosos e chatos de fazer.

Aí o Rob Klassen, o professor com quem estou trabalhando, me deu uma dica legal. Cria uma coluna na planilha com uma variável aleatória e classifica por essa coluna. Parece complicado, mas precisa menos de um minuto para fazer isso no Excel. Comparado com os outros métodos, esse é o paraíso na Terra! É só ir seguindo a listinha na ordem. Se tem a amostra que se quiser, do tamanho que se precisar.

Tá. E ligar para as empresas? Lembrei da minha bisavó no primeiro dia que comecei as ligações. "Preciso falar com o plant manager (gerente da fábrica)". E quem disse que as pessoas entendem o que eu dizia? Por escrito, e pessoalmente, tudo bem. Todo mundo aqui é polido e acha meu inglês muito bom. Mas no telefone... nos primeiros dias, que desgraça...

A minha sorte é que a janela de tempo para isso é curta em cada dia. Das 8 às 9 horas da manhã e depois das 3 às 5 horas da tarde. No miolo do dia, os gerentes de operações das empresas estão debaixo do mau tempo, em reuniões, resolvendo problemas na fábrica. Nem pensar em falar contigo. Digo que essa foi minha sorte porque se tivesse que fazer isso o dia todo, com a dificuldade que tive no primeiro dia, tinha atirado a toalha. Mas tomar poucos "não" por dia foi mais fácil de suportar. Enfrentei os inevitáveis "balões", tipo "está em uma reunião", "vou transferir para a caixa de mensagem dele", "vou anotar teu telefone e te ligamos" e assim por diante, que eu já esperava e considero normais. Mas a barreira do idioma, de início, foi grande. E também explicar o que eu estava querendo estava muito difícil.

Acho que eu aprendi rápido, até. Já consegui identificar meios de furar os bloqueios tradicionais no Canadá, que são até bem parecidos com os das empresas brasileiras, mas têm pequenas diferenças, como era de se esperar. Já consegui identificar que palavras que eu digo ao telefone que as pessoas não entendem, e melhorei a pronúncia dessas palavras, porque agora eles as entendem direto. E principalmente já aceitei que eu sou um estrangeiro, e estrangeiros sempre terão sotaque ao telefone, não importa quantos anos eles tenham estudado inglês em seu país de origem.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Granola Calendário

"Num fundo de campo, os dias se tecem, com linhas de lume, e agulhas de sol.
No fim da semana, se reza uma missa. Depois se leva à sanga caniço e anzol.
Num fundo de campo, colonos no arado; e o pão conquistado, no estoque do armário.
Cada fornada demarca a semana, segunda a domingo, no pão calendário.
E neste cenário, se aponta um vivente, estranho ou parente, é sempre bem vindo.
A gente que é pobre não tem avareza, e o pão da pobreza já vai repartindo.
É sábado apenas, porém os colonos não sabem do engano: preparam as preces.
Durante a semana, se veio visita, quem vive na luta, às vezes esquece.
O pão acabou-se, a família se apronta, na igreja tem santos, e a luz que é divina.
Colonos só sabem que chega o domingo, baseados na senha do pão que termina."
Pão-Calendário - Nelton Brasil e Daniel Torres
XI Ciranda Musical Teuto-Riograndense de Taquara


Pois é... logo que chegamos aqui, trouxemos na mala um pouco da "granola da magra" que nossos amigos Márcia e Gustavo trouxeram de Garopaba para nós. Depois que acabou nosso estoque brasileiro de granola, não conseguíamos encontrar uma granola "leve". Elas parecem todas fritas. Os grãos de aveia parecem soaked, afogados na gordura. Mesmo a "hemp granola" tinha esse gosto engordurado.

Um dia, encontramos no Wal-Mart uma granola "jumbo" (um pacotão padrão canadense) de uma granola Select, da Kraft, com passas e dates. Mesmo sem saber o que eram dates, levamos para casa. Uma delícia! Porém, quem disse que a gente achava depois a tal granola em oferta? Comprar um pacotinho pequeno a ~C$7 está fora das nossas possibilidades de bolsistas durangos.

Comecei a fazer granola em casa. Olhei umas receitas na internet, não gostei de nenhuma e fui improvisando e testando na minha cobaia até estabilizar a receita (afinal, sou um cientista). Nós usamos um tupperware, um potinho plástico, para guardar a granola, de 1220ml, ou 43 oz. Então, a receita tem que caber nela. São 2 xícaras de aveia grossa e meia xícara de açúcar mascavo. Daí em coloco naquele frigideirão que já mostrei outro dia desses e mexo em fogo alto, até o açúcar misturar com a aveia. Deixo esfriar e misturo 2 xícaras de "trail mix". Eles vendem aqui, no variety (tipo um bolicho de campanha, só que não vende penico) perto de casa, ou então no Bulk Barn (faço um post específico sobre essa loja qualquer dia desses). O trail mix é uma mistura de grãos e frutas secas.

Descobrimos também que enjoamos do gosto do trail mix, se ele for sempre o mesmo. O que tenho feito é comprar os grãos e frutas secas separadas no Bulk Barn e misturo cada semana de um jeito diferente. Tenho comprado passas de uvas, currant (não pergunte, não sei o que é, parece uma passa de uva pequena), amêndoas, damasco, tâmaras (as tais dates, descobrimos), semente de girassol, semente de abóbora, papaia, cranberrys (framboesas?), castanha de caju. Não uso amendoim, apesar de apreciar, porque tem um gosto muito forte e mata o sabor das outras coisas, fica "granola de amendoim".

Comemos todas as manhãs, antes do café, uma meia xícara cada um. Tem ajudado muito a nossa digestão.

O engraçado é que dura uma semana certinho, como o pão dos colonos. Mas não se preocupem, não corremos o risco de ir na missa no dia errado, temos outras formas de controlar a passagem dos dias... Aliás, a granola-calendário acabou hoje. Vou ter que fazer amanhã de manhã uma nova fornada, caso a gente queira comer no café da manhã.

[ATUALIZAÇÃO 1]

Fiz. A da semana ficou assim:

[ATUALIZAÇÃO 2]

Agradeço ao Ronaldo a finalização da segunda frase.

[ATUALIZAÇÃO 3]

Olhando bem na foto, ficou pouca granola. Eu aumentei a receita na semana seguinte para 2½ xícaras de aveia grossa, ½ de açúcar mascavo e 2½ de trail mix. Aí sim, encheu o pote.

Shrek 3

Eu e a Nara fomos assistir, essa semana, o Shrek 3 no cinema da universidade. A Western tem um cinema que passa filmes "populares" (vulgo blockbusters) a preços também populares. Enquanto nos cinemas "normais" o ingresso chega a C$ 11.00, na universidade é C$4.24 todos os dias, menos terças-feiras, que é C$3.00.
Adivinha que dia nós fomos ver o filme... Na verdade, está meio que instituído aqui em casa o "dia do cinema" na terça-feira.

Acho o Shrek realmente sensacional. Assisti pelo menos umas 2o vezes todos os outros (dois), a maior parte delas com a Sofia... Talvez por isso, nesse terceiro episódio, talvez eu tenha achado as piadas um pouco previsíveis. A Nara gostou.

Tem duas coisas legais nessas histórias. A primeira é que o Shrek é um "cara normal". Tirando o fato dele ser verde e ter dedos de salsichão, ele é como todo homem: arrota, peida, tem barriga, não sabe muito bem como lidar com suas emoções... enfim, é gente como a gente. A outra coisa que eu gosto é que a tônica central dos filmes dele é a questão da tolerância. No primeiro, ele se sente todo estranho porque se apaixona pela princesa Fiona, sem saber que ela de noite também vira "ogra". No segundo, ele tem que dar combate ao vilão, o "Príncipe Encantado", que é bonitão, boa pinta, mas só isso. Em ambos, entra sempre a questão de quem é bonito e quem é o feio, se é o que tem o aspecto feio ou quem age "feio". Lembra, de certa forma, o desenho da Bela e a Fera, só que no final a fera não vira príncipe bonito.

Nesse terceiro, a questão da tolerância aparece pela crítica ao bullying - essa prática de intimidação que os valentões usam nas escolas do mundo todo. Nesse caso, eles fazem uma paródia das high-schools norte-americanas, que a gente já meio que cansou de assistir nas "sessões da tarde" da vida. No final desses enlatados, sempre o prejudicado toma uma atitude heróica no final do filme e fica tudo bem. No mundo real, não é nada disso... Hoje, pais e professores estão cada vez mais preocupados com esse tipo de assédio. Tem uma operadora de telecom aqui no Canadá que disponibilizou inclusive uma hotline para os jovens denunciarem, com seus celulares, os abusos. Não sei se a abordagem do Shrek 3 vai aumentar a consciência para o tema. Acho que eles tratam, no desenho animado, o problema da mesma maneira de todos os outros... De qualquer maneira, esse fenômeno parece ser muito exacerbado nos Estados Unidos, talvez pela cultura de individualismo e competição deles, em que ser chamado de looser (perdedor), seja uma grande ofensa.

De qualquer forma, demos umas boas risadas e voltamos para a casa felizes. No Brasil, infelizmente não teremos mais a voz do Bussunda como Shrek. Eu achava ele perfeito. Aliás, se quisesse, o Bussunda podia se pintar de verde e interpretar o Shrek direto... O trailer em português do Shrek Terceiro pode ser conferido em http://youtube.com/watch?v=aEJ7QBdTuYM


[Comentário da Nara]

A crítica ao bullying da qual o Iuri fala neste post também é tratada no teatro de bonecos - Kids on the block - que assistimos ontem, lá no Big Sisters of London.
Os bonecos representam crianças portadoras de diferenças: dificuldades no aprendizado, necessidade de uso de óculos ou de cadeira de rodas, e que muitas vezes, são discriminadas pelos colegas e amigos.
Isso demonstra que nós, adultos, estamos nos conscientizando de nossas práticas nocivas como o bullying, a exaustão do meio ambiente e tantas outras.
E são as crianças, com sua pureza e boa vontade, que poderão mudar os rumos da história humana na terra.
Vamos continuar apostando nesse exército de pequenos grandes heróis!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Mais sobre o Programa de Verão

Terça-feira levamos as meninas para assitir ao filme: "Evan - The Almithy" num cinema da Galeria London.

O filme conta a história de um homem bem sucedido profissionalmente, mas com falta de tempo para a família. Num dado momento de sua vida, Evan se encontra com Deus e sua vida é completamente transformada.

Na saída do cinema uma das meninas me disse que foi o melhor filme que já tinha assistido em toda a sua vida!

Quarta-feira passamos o dia no
Gibbons Park, onde fizemos
brincadeiras com água, as meninas deram comida aos patinhos do rio Tâmisa e à tarde, tomaram banho de piscina.
Há duas piscinas: uma maior e mais
rasa e a outra de menor extensão
e mais profunda. Existem várias moças (salva-vidas) preparadas para ajudarem as crianças.
A foto da esquerda mostra alguns brinquedos tipo chafarizes, onde as crianças tomam banho e se divertem muito. A foto da direita mostra as duas piscinas - Lola e uma das meninas sentadas na borda.


Hoje, quinta-feira, brincamos no parquinho da escola pública perto do Big Sisters of London e tivemos nosso almoço preprado com a ajuda de outras duas garotas.

À tarde, assistimos a um teatro de bonecos de um projeto internacional chamado "Kids on the block" que visa mostrar às crianças, as diferenças existentes entre as pessoas e como todos podem e devem ser tratados de maneira natural.

As meninas puderam interagir com os bonecos, fazendo perguntas e dando sugestões de como poderiam agir para evitar situações indesejáveis na escola ou em outros ambientes.

Fiquei encantada com o teatro!

Os bonecos são manipulados por senhoras voluntárias que os levam às escolas para instruirem as crianças e levarem uma mensagem positiva sobre como tratar as diferenças.

O site do Programa Kids on the block é: http://www.powerfulpuppetry.org/index.php

Verde a amarelo

Todos os dias quando vou para a sede do Big sisters of London passo por várias casas com jardins e árvores que me inspiram profundamente. Transmitem paz e esperança e me lembram de Quem criou essa natureza tão maravilhosa.

E todos os dias eu passo por uma casinha bem simples, mas com um jardim todo em verde e amarelo... e mais: duas cadeiras amarelas na varanda me fazem pensar que estou em casa, na minha terra chamada Brasil.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Minhas pequenas irmãs - My little sisters

Hoje, 09 de julho, foi o primeiro dia do Programa de Verão no Big Sisters of London.
A Lola e eu começamos cedo os preparativos para receber as meninas, que chegariam às 10 horas.
Preparamos um prato mexicano, chamado nachos, que consiste em dispor, numa assadeira, uma camada de snacks (batata chips ou outro tipo), cobrir com uma camada de queijo ralado na hora (no ralador mais grosso) e terminar com uma camada de molho de tomate (comprado pronto). Coloca-se no forno para derreter o queijo: é bem gostosinho...

Depois saímos com as garotas para um parque de uma escola pública que fica perto da sede do Big Sisters of London. Jogamos e brincamos ao ar livre e voltamos para prepararmos o almoço.

Todas as meninas queriam ajudar na preparação
do almoço, então combinamos que cada dia escolheremos
duas garotas para ajudar nessas funções.

Hoje foi o dia de Jessica (à frente) e Shannon (ao fundo).
As idades das meninas com as quais estamos trabalhando nesta semana variam entre 7 e 11 anos.
O dia foi muito bom! Amanhã tem mais...

domingo, 8 de julho de 2007

Charlie: o gato texano

Esse aí ao lado é o Charlie: "um morenaço texano", como se referiu a ele, a sua mãezona e minha grande amiga Jane Hugentobler.

A Jane leu o post em que eu comentei sobre os "gatões canadenses" e resolveu abafar com as lindas fotos das proezas dos seus três gatos.
Olha o Charlie ajudando a escolher os enfeites para a árvore de natal (risos).




Abaixo, seguem fotos da May (à esquerda) e da Zoe (à direita) - as irmãs do Charlie.

Quanto charme, heim?!

Bem, vou falar um pouco sobre a Jane: A gente se conhece desde que éramos muito pequeninas, morávamos em casas que faziam fundos uma para a outra, em Taquara/RS. Eu morava na rua Guilherme Lahm e a Jane e sua irmã Janete moravam na rua Rio Branco. Entre as duas casas tinha um arroio pequeno e uma pontezinha que nos permitia brincar o dia todo, todos os dias (a gente quase volta a ser criança quando recorda aqueles tempos...)

Ah sim! Naquela época eu só tinha um irmão: o Eraldo - os outros vieram depois - e nós brincávamos os quatro: de casinha, de "pega-pega", ou "bruxa", de "ovo podre", de "pular sapata"... enfim... nos divertíamos muito!

Mais tarde a Jane foi morar nos Estados Unidos e, depois disso, poucas foram as vezes em que nos encontramos.

Há mais ou menos um ano a Jane me encontrou através do orkut e desde então temos mantido contato por e-mail, pelo blog e pelo orkut... como a própria Jane disse há poucos dias atrás: "Somos vizinhas de novo!" Ela mora no Texas, nos Estados Unidos e eu estou morando em London, no Canadá.

Um abração, Jane!!! Parabéns pelos lindos gatinhos e pelo maravilhoso jardim da tua casa!

Como a água não congela nos canos?

Antes de virmos para cá (ou será que foi logo depois?), alguém perguntou: "como a água não congela nos canos, no inverno?"
Que pergunta difícil! Nunca tinha pensando nisso antes!
Saí perguntando. Em uma janta dessas na casa da Mary-Anne e do Zenon, o Steve, um amigo deles, disse que eles ficavam com uma vela em baixo do cano para poder sair água. Imagina o tempo do banho...
O Zenon explicou melhor: existe uma linha de congelamento no solo. Nada congela abaixo dela. Dessa maneira, os canos de água devem ser enterrados abaixo da linha de congelamento, assim a água fica sempre líquida. Da mesma forma, a fundação das casas deve ser enterrada abaixo da linha de congelamento, pois de outra maneira, o gelo trinca as sapatas de concreto.
O mesmo, óbvio, não acontece com os carros: eles são, em geral, guardados desenterrados, portanto acima da linha de congelamento. Em Manitoba, onde eles moraram antes daqui, faz até -40 graus no inverno, e eles rodam um bom tempo com o pneu "quadrado". Imagina que o pneu congela a ponto de que a parte de baixo, que fica amassada no contato com o solo, anda algumas quadras fazendo "tunc-tunc" até que esquenta e amolece...

E as casas? Isso era uma coisa que sempre me deixava em dúvida. Muito tempo atrás, a irmã de um amigo (o Tibério) fez intercâmbio no Canadá. Então, na casa deles sempre tinha intercambistas de outros países. E eles passavam muito frio no nosso inverno. Disseram-me que era porque todas as casas no Norte tinham aquecimento. O que me deixava em dúvida era: e a conta de energia? Isso devia gastar uma fortuna. Bem, o aquecimento é parte da resposta. Realmente, as casas aqui têm aquecimento central. Alguns aquecedores são elétricos, outros a gás, outros a óleo, e outras casas têm um dragão no porão que fica soprando ar quente nos canos.
Mas o aquecedor é apenas parte da resposta. Na verdade, a partir da crise do petróleo, na década de 1970, os códigos de construção no Hemisfério Norte, ou pelo menos na América do Norte, enfatizaram muito o isolamento térmico das casas. Ou seja, não passamos frio no Sul do Brasil apenas porque não temos aquecedor central nas casas. Passamos frio também porque nossas casas são umas peneiras. Lembram do episódio dos automóveis nos anos 1990, em que o então presidente Collor comparou nossos carros com carroças, perto do nível tecnológico na América do Norte? Pois é, "elle" esqueceu de falar nas casas...
As casas daqui todas tem uma parede externa, geralmente de concreto. Depois, uma estrutura "oca", o framing, feita de sarrafos de madeira de 2x4 polegadas, por onde passa a instalação elétrica e hidráulica. Nesse "oco", vai um recheio de lã de vidro, especial para construção civil. Depois, uma barreira para umidade, de plástico, sobre o qual é colocado o dry-wall. Em cima disso tudo, é feito o acabamento. Isolamento semelhante ocorre no forro e no piso. Uma coisa que parece bastante barata e dá uma diferença são as portas duplas: tem uma porta interna "normal", com tranca e tudo, e uma externa, com mola, que serve só para barrar... bem, o vento frio no inverno, e os mosquitos no verão.

Ou seja, enquanto eles aqui mantém a temperatura estável, inclusive com ajuda de aquecedores e aparelhos de ar condicionado centrais, nós deixamos o calor passar pelos 6 lados da casa: para dentro, no verão, e para fora, no inverno. Haja energia para aquecer/refrigerar isso tudo: nossa conta de energia elétrica lá em casa que o diga!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A Bicicleta 3

O pessoal não pára de ficar mandando imagens em bicicletas infantis!
Será que eu jamais serei perdoado pela minha confusão???

Hehehe! Estou brincando. O fofo aí do lado é meu sobrinho Lorenzo, na sua escolinha. Diferente de mim, que vou para a minha escolinha de bicicleta e deixo a pobre coitada estacionada o dia todo, ele vai de "mãe" e anda de bicicleta lá mesmo.

Ah, os 6 meses! Como é bonita essa (e todas as outras) idades!

O Lorenzo e a mãe dele estão de malas prontas para a Austrália. Eles viajam em novembro, para encontrar meu cunhado que vai fazer doutorado lá. Quando eu voltar ao Brasil, eles já terão ido.

Comitê de Ética em Pesquisa

Quinta-feira última, encaminhamos o formulário de autorização de nossa pesquisa junto ao Comitê de Ética da Ivey Business School. Não parece muito, mas eu aguardava ansiosamente por isso.

Deixa eu explicar: para fazer qualquer tipo de pesquisa aqui na University of Western Ontario, o vivente tem que submeter seu projeto ao comitê de ética. Na verdade, não o projeto todo, mas um formulário com as principais informações da pesquisa, com suas possíveis implicações éticas. Não chega a ser o caso de nossa pesquisa, mas como têm cursos na área da saúde, pode ter que haver que testar medicamentos, fazer experiências envolvendo animais ou humanos, assim por diante.

Aliás, isso me lembrou uma piada que ouvi antes de vir para cá. Dizem que os cientistas agora vão parar de fazer experiências com ratos brancos em laboratórios e vão passar a usar advogados. Com várias vantagens: os advogados fazem coisas que nem os ratos se atrevem a fazer, e não se corre o risco dos cientistas se afeiçoarem às suas cobaias, como pode ocorrer no caso dos ratos. Isso, obviamente, é uma piada norte-americana. Nossos advogados no Brasil são bem legais...

Claro que nossa pesquisa não tem nada de tão sensível assim, mas o procedimento é padrão. E está certo. Imagina que baita brecha para o azar se a universidade deixa o pesquisador decidir se manda ou não para o comitê de ética. Pode ser que ele não se dê conta, mas tenha alguma coisa que o comitê ache que pode prejudicar alguém.

Entretanto, para mandar para o comitê, além do formulário tem que se incluir também uma cópia do instrumento de pesquisa. No nosso caso, o questionário e a folha de rosto (carta-convite). E essa era a razão pela qual eu aguardava tão ansiosamente para entrar com a tal papelada. Significa que o professor com quem estou trabalhando aqui considera que o questionário está (quase) pronto para ser enviado às empresas! Sinto-me mais perto dos dados, e com eles, das análises, e com elas, da tese pronta, entregue e defendida!!!

Então, a boa notícia é essa: andou mais um pouco.

Próximos passos: 1) fazer um pré-teste, ou seja, arrumar uns gerentes "camaradas" que se disponham a responder o questionário e dar palpite, tipo "que quer dizer isso?", e com isso garantir que não vamos perder (muitos) dados por erros de formulação da pergunta. 2) Ligar para as 600 empresas canadenses da amostra para garantir que o endereço está certo, etc.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

5 de julho = 4 meses no Canadá

Hoje estamos completando 4 meses no Canadá e faltam só 7 meses para retornarmos ao Brasil.

Há poucos dias, a Cathy que dirige o Big Sisters of London, me perguntou se o tempo estava passando rápido ou devagar, na minha opinião.
Eu pensei um pouco e respondi que isso dependia do momento: tem dias que bate aquela saudadezinha mais forte e parece que o tempo não anda... que as coisas não acontecem. No dia seguinte, entretanto, a gente acorda cheio de motivação, olha para as árvores e para essas lindas paisagens e pensa: é bom estarmos aqui e podermos viver esse momento lindo (parece a música do Roberto Carlos - risos).


Temos muito o que fazer aqui. Às vezes o Iuri fica meio tristinho porque parece que as coisas não andam na velocidade que gostaríamos, mas todos os doutores com quem conversamos dizem que não foi diferente para eles. É um caminho de difícil acesso e com muitos obstáculos, mas no fim há sempre uma recompensa e vale a pena persistir.
E o Iuri sabe bem disso, por isso, segue perseguindo seu objetivo com muita garra e uma dedicação admirável.


No meu caso, cheguei aqui sem muita perspectiva, apenas com a certeza de que eu ia procurar e encontrar coisas para fazer... mas não imaginava o quanto - hehe!


Segunda-feira, dia 09, vai começar o Programa de Verão do BS e serão 6 semanas de segunda a sexta-feira, das 9h30min às 15 horas. O último dia será 17 de agosto e, aí já teremos completado 5 meses aqui...


É, o tempo passa rápido e nós dois sabemos que, quando estivermos novamente em casa, junto daqueles a quem amamos, sentiremos também saudades dos amigos que fizemos no Canadá e das coisas bonitas que tivemos a oportunidade de viver.


De vez em quando a gente se pega olhando as fotos e vídeos dos nossos passos desde que chegamos em London e ficamos impressionados com a quantidade de coisas que já fizemos!


Quantas dificuldades enfrentamos logo no começo!


Aquela neve, os ônibus que demoravam uma infinidade para chegar nas paradas congelantes, as sacolinhas de supermercados que eram ainda mais pesadas para carregar por causa do frio e do cansaço.


Mas a gente também se divertiu bastante com tudo isso, cometemos gafes, escorregamos na neve porque nossos calçados brasileiros não eram adequados para esse tipo de inverno, comemos sopa enlatada em pratinhos descartáveis, com talheres e copinhos de plástico :)


Depois assistimos ao Fantasma da Ópera na sexta fila do teatro, quase sob o famoso candelabro que despenca do teto:)

A foto acima não é de hoje; foi tirada em maio, quando visitamos as Cataratas de Niágara: mais um lindo momento que vivemos no Canadá, graças aos nossos amigos: Zenon e Mary-Anne.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Jardins e parques canadenses

Uma coisa que nos impressiona aqui no Canadá são os jardins com árvores e flores multi coloridas.
Se no inverno tudo é branco, quando a neve se vai, a primavera começa a colorir o país.
Pode-se ouvir os passarinhos cantando e ver esquilos, gatos e coelhos correndo pelos gramados por toda a parte. Na verdade, os gatos não correm... os gatos canadenses são enormes e pesados!

Máquinas de cortar grama e mangueiras regando as plantas também são comuns nesses dias.
Algumas pessoas usam Roundup, que é um herbicida - produto químico que elimina ervas indesejadas. A TV canadense incentiva muito o uso desses produtos, afinal, o verão é curto e ninguém merece um gramado cheio de ervas daninhas... (nem tudo é tão politicamente correto assim...)
Outras pessoas, no entanto, preferem preservar a saúde da familia e dos bichinhos e também o meio ambiente.

Às vezes, algumas árvores muito antigas precisam ser cortadas porque são muito grandes e seus galhos quebram com facilidade, durante algum temporal de verão.
Mas, em seguida, outra árvore é plantada para substituir aquela que teve que ser sacrificada.

Como eu falei, o verão por aqui é muito curto, por isso, os canadenses não podem perder tempo: estão nas ruas, nos parques, nos seus decks, e a gente sente o cheirinho de barbecue, diariamente.

Fizemos um álbum de flores, jardins e parques para compartilhar as belezas da primavera / verão canadense.
Tem um vídeo às margens do Rio Tâmisa, em que o Iuri decide fazer uma pausa para ouvir os passarinhos...e eles começam a cantar em "coro", sob encomenda - muito engraçado.
Tem um outro vídeo, também às margens do rio Tâmisa - em outro ponto da cidade. O vídeo é muito bonitinho, mas a cineasta deu uma mancada e... vejam o resultado - risos.
Outra coisa interessante nesse álbum é que se desvenda o segredo do Iuri, ao levantar aquela enorme pedra no jardim do Zenon - haha!

http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/FloresEJardins

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Canada Day

No primeiro dia de julho, o Canadá comemora seu aniversário. Em 2007, completou 140 anos - uma criança ainda - mas bem desenvolvida e com um futuro promissor.

Muitas festividades aconteceram para comemorar o dia do Canadá, com fogos de artifício, apresentações em parques, jogos, etc.
Nós fomos jantar na casa de Zenon e Mary-Anne e comemos salmão grelhado: uma delícia!!!
Estávamos o Iuri e eu, os amigos Larissa e Steve, uma nova amiga chamada Caroline, Zenon e Mary-Anne e a mãe do Zenon.
A mãe do Zenon é um amor de pessoa, super simpática e brincalhona (e vestida de cor-de-rosa - uma gracinha!).



Antes do jantar o Iuri se submeteu a uma prova de força, levantando uma enorme pedra no jardim do Zenon. Ele é realmente um atleta, eu fiquei impressionada!
Depois do jantar fomos assistir aos fogos de artifício num parque localizado perto da nossa antiga e futura residência aqui em London (risos).
A foto do início mostra Mary-Anne, Zenon, sua mãe e eu, enquanto aguardávamos o início dos fogos.
O show foi muito lindo, lembrou um pouco o nosso Ano Novo!




English version:

This July, 1st Canada completed 140 years since it was discovered. Canada is a child yet, but it's well developed and has a promising future.
Many activities were prepared all over the country to celebrate Canada Day such as: fireworks, shows at parks, games, etc.
Iuri and I went to Zenon and Mary-Anne's house to have supper. We ate grilled salmon and it was a delicious!!!
There were more friends at Zenon and Mary-Anne's house: Larissa and Steve, Caroline and Zenon's mother.
Zenon's mom is a very nice woman and she likes to wear pink clothes, which is a collor that I love!
Before supper, Iuri submitted himself to a strength proof, hanging up a huge stone at Zenon's garden.
Iuri is really an athlete! I became impressed with his courage and strength! (laughter).
After supper we went to see the fireworks from a park located closer our first and further apartment in London.
The first picture in this post shows Mary-Anne, Zenon, his mother and I, while we waited for the fireworks.
The show was very nice and reminded me our fireworks to celebrate New Year in Brazil.


[Atualização]
Achei esse vídeo no YouTube sobre a data: http://www.youtube.com/watch?v=jTqi7r4nzBs

sábado, 30 de junho de 2007

A última semana de junho

A última semana de junho foi bastante cheia, como têm sido todas as nossas semanas por aqui - graças a Deus!

O Iuri tem se ocupado com seu questionário de pesquisa e respectiva submissão ao Comitê de Ética da Universidade. Funciona como no Brasil: o Comitê de Ética precisa aprovar o questionário para que ele possa ser aplicado nas empresas. É um processo que exige paciência, mas é inevitável. Esse é o caminho e estamos caminhando.

Eu participei de um treinamento para voluntárias no Big Sisters - BS, pois vou ter contatos diários com as meninas atendidas por aquela organização, durante o Programa de Verão.
Precisei aprender como funcionam as coisas aqui no Canadá, entender um pouco sobre as relações familiares das garotas e quais são as minhas atribuições, o que eu devo e o que eu posso fazer...
Foi muito interessante e eu fiquei bem contente em poder participar dessa atividade que certamente, será útil quando eu voltar ao Brasil.

Outra coisa legal que aconteceu nesta semana foi a autorização, por parte da coordenadora do Centro Clínico Educacional da Universidade, para levar as meninas do BS para conhecer esse laboratório. Uau! Para quem não é daqui, estou me saindo bem... nada como ter amigos influentes e a Mary-Anne é diretora da faculdade de enfermagem...

Ficamos sem internet de quarta até sexta-feira, por isso, o blog não foi atualizado no tempo devido (quinta-feira é nosso prazo de fechamento da edição semanal - risos).

Quarta-feira à tardinha, pouco antes de eu sair para o treinamento no BS, tivemos um temporal com raios e trovões, vento e chuva. Tudo isso durou cerca de 40 minutos, mas, parece ter sido suficiente para causar alguns transtornos por aqui, como a queda da nossa internet, algumas ruas semi-bloqueadas por galhos de árvores, falta de energia elétrica em alguns bairros. Todo mundo sabe como isso funciona, não é? Só não ocorreram "alagamentos".
Com a queda da internet, tivemos mais um contato com os "serviços canadenses" e ficamos mais um pouco frustrados... mas outra hora contaremos essas histórias. O importante é que, depois de esperarmos dois dias, finalmente um técnico da Rogers (companhia da qual contratamos a internet), restabeleceu nossa conexão... depois de duas horas de trabalho e muita insistência do Iuri para que o cidadão permanecesse trabalhando e não desistisse...
Sem carro já é difícil, e ainda sem internet, nossa! Parece que a gente está fora do mundo, afinal, esse é o nosso principal meio de contato com nosso povo: através do blog, dos e-mails, MSN, orkut, skype, jajah...
Ainda bem que estamos de volta ao mundo - hehe!
Bom fim de semana e boa semana a todos!

Bolo de fubá com laranja

Domingo passado foi o dia de São João Batista e, pensando nas tantas comemorações que certamente estavam havendo no Brasil, decidi fazer um bolo de fubá. Mas não podia ser um bolo de fubá comum, que geralmente fica muito seco.
Então eu lembrei de um bolo de milho com caldo de laranja, que eu fizera para o Douglas levar numa festinha de São João do Maternal Sementinha e que todo mundo adorou! Na época, o Douglas tinha três aninhos... faz tempo!
Procurei no google e encontrei duas receitas, dentre as quais, escolhi a que eu acreditava que seria "a receita".
Bingo! Ficou perfeito: lindo, macio, saboroso e nutritivo - risos.

Eis a receita:
Ingredientes
1 colher de sopa de fermento em pó;
1 xícara de chá de farinha de trigo;
1 xícara de chá de suco de laranja (eu espremi duas laranjas e usei o suco puro, com a polpa);
2 xícaras de chá de açúcar;
1 xícara de chá de óleo (não muito cheia);
1 xícara de chá de farinha de milho (fubá);
3 ovos inteiros.

Modo de preparar
Bater todos os ingredientes na batedeira (eu usei o liqüidificador).
Colocar em uma forma untada e enfarinhada (pode polvilhar sobre a massa açúcar e canela em pó - eu não fiz isso porque achei que a massa estava muito mole).
Levar ao forno pré-aquecido a 180 ou 200 graus centígrados, durante aproximadamente 45 minutos, ou fazer o teste do palito.

Bom apetite!!!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Paisagens que mudam

Uma das coisas lindas da natureza é a sua capacidade de mudança, de adequação às estações do ano.

Quando chegamos, em março, a neve cobria as ruas, os parques, os telhados, os carros e as árvores.
As árvores quase não tinham folhas e seus galhos eram cobertos de branco; depois passaram a apresentar uma aparência morta, quando a neve se foi. Aos poucos as folhas começaram a despontar e o verde tomou conta da cidade.
A foto acima mostra nosso primeira hospedagem: o Bed & Breakfast da Halina Koch. No primeiro dia tivemos dificuldades de acessar a porta de entrada com nossas malas e bagagens, pois a neve formava uma camada de uns 20 cm de altura e nós, simplesmente, não sabíamos como lidar com aquilo (risos).
Algumas fotos dos mesmos cenários, em tempos diferentes, mostram essa fantástica transformação!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Três gerações no baile do Aquidaban

Minha família amada!
Taquara - RS - Brasil: Sábado passado, dia 16 de junho, aconteceu o tradicional Baile do Aquidaban.
O baile reuniu 170 casais, mas os mais lindos são da mesma família - que coincidência - e ainda por cima, são da minha família!!! (risos)
Meus pais, meu irmão e cunhada, meu filho Douglas e a linda Flavinha. Amo vocês todos e fico muito contente ao vê-los tão felizes e curtindo os momentos que a vida lhes oferece.
Para quem não esteve no baile, fotos inéditas dessa linda família podem ser vistas em:
http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/BaileDoAquidaban2007

Simpósio em Toronto

A Nara já relatou a visão dela da ida a Toronto. De certa maneira, acho que tenho que também fazer um post com o meu lado da história, uma vez que nos separamos na quarta-feira (13 de junho) ao meio-dia e só fomos nos ver de novo no outro dia no final da tarde. Parece pouco, mas acho que a gente não está mais acostumado a ficar "tanto tempo" longe um do outro.

***

A Viagem de Ida

Meu trem deveria sair de London 15h50. Atrasou uns 20 minutos. Ao longo da viagem, avisaram que nos atrasaríamos mais ainda, por problemas "de sinal". Não entendo bem o que é isso, não conheço bem os detalhes operacionais do transporte ferroviário, só sei que teve momentos em que estávamos "tropeando lesma" e outros em que o trem efetivamente parou nos trilhos. Chegamos com mais de uma hora de atraso em Toronto, às 19h e pouco.

Como o seminário começava às 9h da manhã na York University, que fica ao norte da cidade, não havia como ir no mesmo dia. O primeiro trem chega em Toronto 8h30 (se não atrasar), o que não me permite chegar no horário do início do seminário. Por causa disso havia ido no dia anterior, e "abusei da boa vontade" do Júnior e da Sheila, que me receberam super-bem, de novo. Dormi lá, e no outro dia saímos, eu e a Sheila, para pegar o metrô.

Da casa deles, tivemos que pegar, às 7h15, o streetcar, que é como um ônibus, só que anda em trilhos no meio da rua e é alimentado por fios elétricos que correm acima do nível da rua. Para quem conhece os trolebuses de Montevidéo, no Uruguai, tem uma idéia do que é. Bom, então pegamos o streetcar até a Union Station, que é uma estação central em Toronto, onde convergem vários "modais", como o trem, o metrô, o streetcar, etc. Pegamos o metrô. Eu estava indo na direção errada, mas só nos demos conta disso depois que a porta do metrô fechou... Saltei na próxima estação, enquanto a Sheila ia para o trabalho dela. Peguei o metrô, agora na direção certa, até o final da linha, e peguei um ônibus expresso até a York University. Resumo da ópera: uma hora e dez minutos de viagem, desde a casa deles até a universidade. Realmente, não seria possível, nem que o trem não atrasasse, ir direto de London para a York U. Interessante que paguei apenas um ticket (C$2.75) por todo o trajeto. Essa integração do transporte público, tanto em London, quanto em Toronto, é bem legal.

***

O Seminário


A York University, todo ano, promove um evento chamado SPIDA - Summer Program in Data Analysis. O website do evento desse ano é http://www.isr.yorku.ca/spida2007/index.html

O assunto esse ano foi a modelagem multinível, ou HLM. Os primeiros contatos que tive com isso foram horríveis. Mas o assunto me pareceu muito interessante. O tratamento é sempre muito árido, com aquelas fórmulas malucas que a gente "normal" não entende... só economistas... Nesse SPIDA, entretanto, eles disponibilizaram alguns papers que esclareceram um pouco a questão.

Existem duas aplicações tradicionais para modelagem multinível. A primeira é a modelagem hierárquica, ou seja, quando unidades pertencem a níveis superiores. O exemplo típico de uso desse técnica vem da educação: quanto do desempenho de um aluno pode ser explicado por fatores individuais (nível 1) ou por fatores relacionados à escola (nível 2) em que ele estuda?

A segunda aplicação tradicional para modelagem multinível são os estudos longitudinais, ou curvas de crescimento. Aqui, a idéia é que o desempenho individual ao longo do tempo é explicado em parte por coisas que acontecem nesses pontos do tempo (nível 1) e parte por questões intrínsecas do indivíduo (nível 2). As aplicações são inúmeras. Um exemplo citado foi o de consumo de álcool na adolescência. Cada indivíduo da amostra apresenta trajetórias diferentes: alguns aumentam o consumo, para outros, o consumo se mantem estável e, pasme, em alguns casos teve redução...

As aplicações podem ser "facilmente" estendidas para mais de dois níveis, desde que se tenha o devido conhecimento da estatística envolvida (as malditas fórmulas) e um tamanho de amostra adequado. Lembrar que "tamanho de amostra", em estudos longitudinais, traz uma complicação adicional: o número de tomadas de dados ao longo do tempo.

Enfim, o assunto é bastante empolgante. E tem implicações bastante importantes para a criação de conhecimento em Administração. Acho, inclusive, que essa será uma área bastante explorada nos anos que se seguem, pois permite responder a perguntas que as outras técnicas até agora não permitiam. O que nos remete a essa interessante relação entre método e teoria: sem uma boa teoria, a técnica estatística não serve para nada. Entretanto, ao conhecer novas técnicas, o pesquisador aumenta o leque de problemas de pesquisa que ele pode responder, e portanto, formular.

***

O Humano Ser Assistindo ao Simpósio

Lembrei do artigo da Nara, "O humano ser das organizações". Sim, havia um ser humano lá assistindo ao simpósio. E infelizmente, os sistemas "físicos" estavam se manifestando enquanto eu tentava me concentrar nas apresentações do simpósio. Não era pouca coisa. O prof. Kenneth Bollen, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, estava lá falando. Ele é considerado uma das maiores autoridades em análise de dados em estudos sociais. E meus intestinos reclamando...

Acho que comi alguma coisa que não me fez bem, e sentia um pouco de cólica. Tentar pensar na matriz de variância e covariância com a barriga incomodando, convenhamos... Acho que fiz bonito por duas razões. Primeiro, consegui baixar uns artigos recomendados para a atividade completa (foram 2 semanas de workshops, quer dizer, mão na massa), a qual eu não participei. Mas tendo lido antes as 200 páginas de texto recomendado, pelo menos tinha uma idéia do que se estava falando... Fiz aquilo que gostaríamos que nossos alunos fizessem: li o material antes. Acho que estou ficando mais CDF com os anos... Segundo, não fiz nada de inapropriado no auditório do evento, apesar de alguns momentos eu achar que não ia dar para agüentar...

Já havia comentado isso antes, mas ainda me espanto: como os norte-americanos (canadenses e estadunidenses) são pontuais. Dizia no programa: 3h30 - fim da exposição, abertura para perguntas, 4h encerramento. Não é que era 3h30 e o "Ken" encerrou e abriu para perguntas! Quatro horas e estávamos todos aplaudindo o palestrante.

Bom, e aí que eles chegavam de London para me pegar? Minha barriga doendo, louco para ir embora. A Nara disse "tomou todo o chá e café" no post dela... na verdade, não comi nada desde o intervalo, às 2h, pois tinha medo que "desandasse a coisa". Chá e café são meio agressivos, e tinha um pouco de medo de comer. Liguei para a Nara pelas 4h30. Ela brincou "estou em London ainda, nem saímos". Parece que o chão abriu em baixo de mim. A sensação foi indescritível. Quando ela me explicou que estava brincando, que estavam engarrafados na 401, ainda estava em choque.

Lá pelas 7 horas, a Nara, a Mary-Anne e o Zenon chegaram. Saímos para jantar (e eu com medo do piriri), mas a dor passou. No outro dia, estava normal. Acho que devia ser saudades da Nara (hehehe).

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Primeiro dia do verão 2007

21 de junho: começa o verão no Canadá, junto com o inverno brasileiro.
Hoje à tarde, quando eu ia para o Big Sisters, decidi parar no parque perto de casa e fotografá-lo.
Como tinha um ventinho muito agradável, decidi fazer um videozinho.
Estranhamente, nesse momento em que escrevo, a temperatura aqui está 17C e em Porto Alegre: 19C.
Curiosa inversão não é mesmo?
As fotos e o vídeo da entrada do verão em London estão em:
http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/PrimeiroDiaDoVerO

Semana bem ocupada

Esta semana estou bem ocupada com os preparativos para o Programa de Verão do Big Sisters of London, mas estou curtindo bastante a idéia de procurar atividades e receitas de comidas em inglês. Consegui uns bons livros na biblioteca pública e também traduzi para inglês algumas dinâmicas que costumo usar nos cursos de capacitação empresarial, aí no Brasil.

Encontrei uma receita de "massa de pastéis" e fiz o teste para, quem sabe, ensinar as meninas do Big Sisters. Para dar água na boca dos viventes eu coloquei a foto aí em cima - ficaram meio feinhos, tenho que admitir, mas estavam deliciosos, acreditem!
Uma atividade interessante que talvez eu tenha a possibilidade de fazer com as meninas do BS é uma visita ao laboratório de enfermagem da Universidade de Western Ontário. A Mary-Anne é diretora do curso de pós graduação em enfermagem da UWO, e se comprometeu a fazer contato com o pessoal do laboratório. Segundo Mary-Anne, as meninas poderão ver como funciona o corpo humano, inclusive, ver manequins que ficam grávidas e têm bebês. Estou torcendo para isso se concretize!
Hoje à noite tiramos um tempinho para atualizar o blog, afinal de contas, é quinta-feira e precisamos "fechar" a edição para que os familiares e amigos aí no Brasil tenham o que ler no fim de semana. Os taquarenses e moradores das redondezas, obviamente, depois de lerem o Panorama. Não estamos certos, Douglas?

Outros brasileiros no Canadá

Pasmem, tem gente vindo todo ano para cá para fazer o que eu estou fazendo.

Hoje, tentando entender como é feito o xarope de "plátano", ou maple sirup, a Nara encontrou um blog de um casal de brasileiros, gaúchos, que vieram para cá no ano passado para fazer parte do doutorado: http://grasi-e-duane-no-canada.blogspot.com/

O engraçado é que não os conhecemos, mas as histórias são tão parecidas... a Nara chegou até a se emocionar a ler os posts deles.

Segunda viagem a Toronto

Nossa ida a Toronto quinta-feira passada, dia 14 levou aproximadamente 4 horas, quando normalmente se faz esse trajeto em 2 horas e meia.

O Zenon e a Mary-Anne me apanharam em casa às 15 h e chegamos à Universidade de York, onde o Iuri nos aguardava, pouco depois das 19 h.
Segundo o Zenon, a auto-estrada que liga London a Toronto, a 401, é a segunda high-way mais movimentada da América do Norte - a primeira fica nos Estados Unidos.
Lembrei daqueles congestionamentos que a gente enfrenta quando vai à praia às sextas-feiras à tardinha, em pleno verão gaúcho... e domingo, quando retorna para a cidade. Que saudades... (risos).
O Iuri estava bem abatido, pois o evento do qual participara na universidade, havia terminado às 16 horas e ele teve que esperar até às 19, numa cafeteria. (Já tinha tomado todas... as xícaras de café e chá que pôde - hehe).
Ele adorou o simpósio e talvez relate os detalhes em outro post (porque este aqui é meu!!!)
Fomos jantar e comemos salmão acompanhado de vinho branco (hummmm).
No dia seguinte, fomos tomar café num restaurante perto do hotel - aqui os hotéis não oferecem café da manhã - e pedimos um prato com panquecas e waffles que o Zenon nos indicara. Quando as bandejas chegaram, nós quase caímos de costas!
Cada bandeja continha omelete, 3 salsichas, batatas cozidas com casca, uma panqueca (espécie de massa de crepe sem recheio), um waffle redondo, maple sirup - espécie de melado feito com a seiva daquelas árvores nativas que parecem os nossos plátanos - mais duas torradas com margarina, um copinho de suco de laranja, além do café em canecas.
Dali fomos (de metrô) conhecer o Bata Shoe Museum - Museu do Calçado - que conta a história dos primeiros calçados criados e utilizados pelo ser humano. Tem calçados que foram usados por reis e rainhas em seus casamentos ou datas especiais. É realmente um show!!! Tem os famosos sapatos chineses (os primeiros) que eram minúsculos e as jovens moças eram obrigadas a calçá-los, tendo seus dedos dobrados até quebrarem e atados com bandagens, pelas suas avós. Todas as mulheres chinesas eram obrigadas a ter pés pequenos, pois era a regra.
Outra coisa interessante, no mesmo museu, é um espaço reservado ao "horóscopo chinês". Tudo em tons de vermelho, muito bonito! Ao mesmo tempo em que são demonstrados modelos de calçados, conta-se a história do horóscopo chinês, com descrição de cada signo (muito divertido).
Depois do museu, fomos conhecer China Town, o bairro chinês, em Toronto.

Passamos em frente ao Teatro Princess of Wales e tiramos umas fotos junto aos cartazes do Fantasma da Ópera - esquecemos de fazer isso quando fomos assistir à peça!
Dali fomos fazer mais uma "boquinha" antes de sairmos de Toronto. Paramos num restaurante muito bonitinho e comemos uns super sanduíches (padrão canadense). Haja boca! (risos).
Saímos de Toronto pelas 16h e paramos em Guelph, uma cidade que fica no caminho para London, onde jantamos com outro casal de amigos de Zenon e Mary-Anne: a Mary e o Berry. Comemos salada e uns camarões à dorê (coisinha leve - hehe) num local ao ar livre, bem ao gosto dos canadenses... e também dos brasileiros. Depois disso voltamos para London, onde chegamos pelas 23h, aproximadamente.


quinta-feira, 14 de junho de 2007

Miscelâneas

Ontem à tarde o Iuri tomou o trem e foi a Toronto pois teria que estar hoje cedo para um seminário importante na York University. Eu saí de casa antes dele pois tinha compromisso no Big Sisters. Voltei para casa pelas 16h30min e estava sozinha com os esquilos que zanzavam pelo pátio. O casarão está praticamente vazio, agora que os estudantes foram embora. Só o Iuri e eu morando na torre... e ontem à noite, só eu...e Deus. O Iuri ficou na casa de nossos amigos Junior e Sheila Linn, em Toronto (já estamos abusando - hehe) e hoje de manhã bem cedo, foi para a universidade.

Hoje à tarde o Zenon e a Mary-Anne vão me apanhar aqui em casa e também vamos para Toronto.
Amanhã cedo, a Mary-Anne vai participar, como avaliadora externa, de uma banca de doutorado.
Eles nos convidaram para passear por Toronto hoje à noite, além de fazermos companhia ao Zenon, enquanto a Mary-Anne estiver participando da banca, amamhã.
Dessa vez vamos ficar num hotel, para não abusar demais dos amigos gaúchos.
Já estou com a malinha pronta, então decidi escrever um pouco no blog.
Como o título já demonstra, vou falar de coisas diferentes neste post (risos).

Ontem eu conheci a Lola, uma moça que vai trabalhar comigo no planejamento e execução de um programa de verão do Big Sisters of London - BS.
Todo ano o BS promove esse programa que chama de "day camp" (dia de campo) em que as meninas atendidas pela ONG participam de atividades recreativo/orientadoras durante suas férias escolares.
Serão cinco semanas e, para cada semana, teremos diferentes grupos de 8 meninas.
O programa vai começar no dia 16 de julho e terminará em 17 de agosto. Na primeira semana serão 8 meninas de 6 a 10 anos de idade e na segunda semana, serão 8 meninas de 11 a 16 - adolescentes...
Ontem à noite, aproveitando a solidão, eu fiquei procurando na internet, obviamente no google, atividades lúdicas que possam ser aplicadas nesse programa. Também busquei algumas dicas sobre alimentação saudável e algumas receitas de comida brasileira, pois vou poder ensinar às meninas receitas típicas do nosso país.
Estou muito feliz com essa oportunidade e peço a quem tiver alguma sugestão de atividade ou receita de comida brasileira de fácil preparo, que me envie por e-mail.

Terça-feira eu conheci a doutora Tima Bansal, que é diretora do centro de sustentabilidade da Faculdade de Administração da Universidade de Western Ontário, onde o Iuri está fazendo seu sanduíche doutoral. A professora Tima coordenou o seminário do qual o Iuri participou em março e, desde então, ele tem participado, também, de algumas reuniões do centro de sustentabilidade, afinal, esse é o assunto da sua pesquisa.
Bem, a professora Tima perguntou o que eu estava fazendo em London e quando eu contei que estava voluntariando no BS, seus olhos brilharam e ela me disse que faz parte do conselho diretivo dessa ONG. Me convidou para visitá-la em seu escritório na universidade e também para participar dos encontros junto com o Iuri.

Fiquei super feliz!!! As coisas não podiam estar melhores... qualquer hora eu crio coragem e encaro um doutorado...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Cuca rápida

Já faz algum tempo que tenho me preparado psicologicamente para fazer uma cuca rápida. Aqui no Canadá ninguém conhece "cuca".
De origem alemã, cuca é aquela espécie de bolo com farofa por cima, muito comum e apreciada, principalmente quando acompanhada de lingüiça cozida.
http://www.prdagente.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=26

Como eu não trouxe meu caderno de receitas, o jeito foi apelar para Saint Google e procurar uma receita de cuca rápida. Então, hoje à tarde, resolvi tirar o tempo e tomar coragem - risos.
Encontrei muitas receitas, mas escolhi a da Rosaura Fraga porque era a que mais se assemelhava com a "minha" cuca rápida.
Decidi "botar a mão na massa" e o resultado está nessa foto no início do post.
A receita adaptada, segue abaixo:

Ingredientes:

Para a massa:

3 xícaras de farinha de trigo;
2 xícaras (não muito cheias) de açúcar mascavo;
1 xícara de suco de laranja (expremi duas laranjas);
3 colheres de sopa de margarina em temperatura ambiente;
2 ovos;
1 colher de sopa de fermento químico (seco);
1 maçã cortada em fatias finas.

Para a farofa:

6 colheres de farinha de trigo;

5 colheres de açúcar mascavo:

3 colheres de margarina em temperatura ambiente.

(Misturar tudo com as mãos até formar a farofa).


Modo de preparar:

Misture a farinha, o fermento, o açúcar, a margarina e o suco de laranja.
Acrescente as claras batidas em neve.
Espalhe a massa numa forma - untada com um pouco de óleo e polvilhada com farinha de trigo.
Espalhe as gemas - levemente misturadas - sobre a massa e disponha as rodelas de maçã.
Por fim, espalhe a farofa e ponha no forno a 280 graus, por aproximadamente, 25 minutos. É aconselhável fazer o teste do palito.

Ficou uma delícia!!!

domingo, 10 de junho de 2007

Inaugurando a churrasqueira

Ontem, dia 9 de junho, inauguramos a churrasqueira aqui de casa. Não que ela seja nova, muito pelo contrário, mas foi a primeira vez que nós a usamos.

Primeiro preciso contar que, durante a semana passada o Iuri foi apresentado a outro brasileiro que vive no exterior: o Eusebio Scornavacca. Eusebio - grande figura - é gaúcho de Porto Alegre e reside na Nova Zelândia, onde é professor na Victoria University of Wellington New Zeland: http://www.vuw.ac.nz/home/index.asp
Ele está passando uma temporada no Canadá como professor visitante, fazendo palestras aqui e ali e vai ficar em London até 8 de julho.
Pois bem, ontem, devido ao encontro de três gaúchos que vivem longe dos pagos, saiu o tão esperado churrasco na nossa casa. O Iuri já tinha conseguido comprar o carvão adequado para esse fim, depois de ter se enganado com aquela "tora" da qual ele falou em outro post. Também já tínhamos conseguido comprar a farinha de mandioca num supermercado português, em Toronto.
Sábado de manhã, depois do café, saímos, Iuri, eu para encontrar o Eusebio, que nos esperava na universidade, onde está hospedado. Fomos fazer as compras: carne de gado, carne de porco, salsichas italianas, cerveja, sal grosso, coca-cola e sorvete - afinal, sempre é bom comer um docinho depois do salgadinho, não é?
Depois de algumas "brigas" com a estranha e antiga churrasqueira canadense (essa não funciona a gás, mas somente com carvão - que custou a "pegar" fogo), finalmente saboreamos aquela maravilhosa comida nativa junto com salada de batatas alemã (adivinhem quem fez?).
O Eusebio disse que estava "realizado" pois, depois de muito tempo, comera um legítimo churrasco gaúcho, com pessoas que falam a sua língua: o gauchês - com direito até mesmo ao popular: Bah! (risos).
Depois do sorvete, tomamos chimarrão no deck.
Que tal????

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Reality Shows distorcem a percepção da realidade?

Estamos vendo TV aqui no Canadá... isso não parece uma grande notícia, todo mundo vê TV. Menos nós. A Nara é menos que desinteressada: ela odeia a coisa. Eu sou um pouco menos avesso, mas mesmo assim não sou fã desse tipo de entretenimento. Assim, no Brasil, não víamos nunca TV.
Aqui no Canadá, estamos com um aparelho emprestado, e tem sinal de cabo nesse apartamento em que estamos morando. Por isso, resolvemos assistir um pouco de televisão para aprender melhor o inglês "que as pessoas falam". E para isso, nada melhor do que as dúzias de "reality shows" que passam aqui, com pessoas "normais", ao invés de atores profissionais.
Emendamos quase um mês vendo esse tipo de programa. Há dois canais que nos assistimos aqui: TLC (The Learning Channel - tlc.discovery.com) e HGTV (House and Garden TV - hgtv.ca). E impressiona a quantidade de "reality shows" sobre renovação de casas - as "renos" - e reviravoltas - "flips" - com finalidade de ajustar a família a uma casa ou reformar uma para vender. Há outros tipos, claro, como uma família em que os pais são anões e alguns filhos são anões e outros têm uma altura normal. Outro em que uma dupla de estilistas (uma mulher e ... uma pessoa de outro sexo) "ajuda" uma pessoa de extremo mau gosto - geralmente indicada por "amigos" ou familiares - a ser menos baranga. Outro que eles transformam o carro velho (mesmo) de alguém em um "Magal-machine", e assim por diante. Os exemplos são intermináveis, com mais ou menos qualidade.
Mas ficamos mesmo foi com os de renovação de casas. Temos nossa casa há dois anos, e vínhamos "segurando os trocados" para o caso de ser aprovada minha bolsa de sanduíche no Canadá. Portanto, as reformas foram todas suspensas até... bem... se ter dinheiro de novo! Mas para nós era importante fazer uma pequena reserva antes de virmos, porque se imaginava que a bolsa de doutorado não daria para muita coisa, e era preciso ter algum para pagar os extras (teatro, viagem, livros, enfim, o que pintasse). Então, esses programinhas de decoração e reforma são bastante interessantes, porque trazem algumas boas idéias. Desde que se mantenha as coisas sob perspectiva.

Vou explicar, em linhas gerais, como funciona esse tipo de programa. São programas de 30 minutos, que mostram um processo de reforma do início ao fim, com um caso (uma família, um investidor, um jovem casal, etc.) em cada episódio. Como é de se esperar, em se tratando de TV, com final feliz. No início, uma casa podre, um apartamento mal decorado, etc., e no final, tudo muito lindo, e rápido. Em alguns desses programas, as pessoas participam do processo, em outras, elas saem e a produção do programa "toma conta", para que eles possam fazer "UAU" no final. Sempre tem isso: na cena final, o felizardo volta e diz: "UAU!!!", dá um depoimento de como a vida dele/a/es mudou depois da reforma ou seja lá o que o programa faz (às vezes, uma reorganização de uma peça da casa).
Para um casal com um mínimo de senso de realidade, já é altamente tentador. Dá vontade de desligar a TV, e ir correndo ao Home Depot, RONA, Home Hardware, enfim, qualquer uma dessas lojas de material de construção que patrocinam esses programas e sair comprando tudo o que vê pela frente... Aliás, ao dizer "lojas de material de construção" talvez não se consiga transmitir a um leitor brasileiro exatamente o que elas são. Não conheço nenhuma loja de material de construção no Brasil que tenha o mix dessas lojas... São absolutamente enlouquecedoras.
Bom, mas temos esse senso de realidade. Meus pais estão com a casa em "construção e reforma" desde 1980... até agora! É só ir na casa deles e minha mãe, lá pelas tantas, começa a dizer que "tinha mais uma coisa para fazer na casa". O pai da Nara, professor aposentado do Estado como os meus, faz uns anos é corretor de imóveis. Ou seja, temos um mínimo de conhecimento de causa. Imaginamos a "tropa" de gente que precisa para fazer aquelas reformas mágicas dos programas de TV. Então, vemos esses programas com um certo grau de ceticismo: "é televisão" = "não é a realidade". Aproveitamos algumas pequenas idéias aqui e ali, mas jamais achando que vai se reformar uma cozinha em meia hora (quem dera...).
Mas ao que parece, o nível médio de discernimento por parte dos espectadores desse tipo de programa não é tão alto... Extremamente populares no Canadá, esse tipo de "reality show" começa a criar expectativas irreais nos expectadores. "Eu vi na TV..." começa a ser um argumento cada vez mais utilizado quando um construtor passa um orçamento ou um prazo para um possível cliente - e este achava que seria como o programa que ele assiste todas as noites. Hoje saiu no Globe and Mail (leia clicando aqui) uma reportagem a esse respeito. A colunista chamou de "síndrome de RSE", ou "reality show expectation" (expectativa de programa-realidade seria uma tradução aproximada). Ela cita um caso dramático, em que o dono de um estabelecimento comercial (esqueci de mencionar... os "casos" incluem restaurantes e escritórios...) simplesmente fechou as portas, cortando portanto os ingressos de seu fluxo de caixa, sem antes ter um planejamento, contratar um designer, nem um construtor. A colunista ironiza: em plena época de reformas, encontrar um construtor parado, "dando sopa", é de desconfiar...
Resumo: os "reality shows" são programas de "realidade" ou induzem mais à fantasia e ao devaneio (wishful thinking, como se diz aqui) do que os programas ficcionais?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A Bicicleta II

O pessoal do Brasil está me sacaneando direto por causa da minha "quase compra" de uma bicicleta infantil. Olha só a foto que meu cunhado Miguel me mandou do Rio de Janeiro:
"Também fui enganado" - diz ele... Caramba, com que família de gente gozadora que eu fui me meter. Não escapa um...

Bom, mas eu comprei a tal da bicicleta, faz umas duas semanas. Encontrei uma mountain bike baratinha no Canadian Tire e mandei ver. Não fico tão bonito nela quanto o Migue, mas... tenho condução para universidade enquanto estiver quente.

Quando esfriar... penso nisso.

O fim de semana em Toronto e o "Fantasma da Ópera"

Sexta-feira, 1º de junho, levantamos bem cedinho, nos arrumamos, pegamos a mala, nossa "airbed" (cama de ar) e fomos para a estação de trem. Estava começando mais uma aventura de Iuri e Nara por terras canadenses: o tão esperado fim de semana em Toronto, onde assistiríamos à peça "The Phantom of the Opera"!

Tínhamos feito contato prévio com um casal de amigos taquarenses, o Eloir e a Elizete Petry. O sobrinho deles, Rubem Linn Jr. (mais conhecido por Júnior), mora em Toronto há 8 anos. O Júnior é natural de Três Coroas e é casado com a portoalegrense Sheila. O Eloir nos colocou em contato com o Júnior e combinamos de ficar na casa desse jovem e adorável casal gaúcho, em Toronto.
Fomos recebidos como "realezas" na casa de Júnior e Sheila. O Júnior nos apanhou na estação de trem, nos emprestou uma chave do apartamento, nos mostrou onde seria o nosso quarto, deixou o computador ligado para podermos usar a internet e saiu para o trabalho. A Sheila já estava no trabalho desde cedo. Os dois só voltariam para casa à tardinha, então o Iuri e eu saímos para caminhar na beira do lago Ontário, que fica na frente da janela do apartamento do casal. Caminhamos até cansar, almoçamos (almoço canadense: algo parecido com um cheeseburger e um cachorro quente). Tomamos um café com um doce e voltamos para o apartamento. Eu deitei no sofá da sala e o Iuri no chão do escritório (onde, mais tarde, instalaríamos nossa airbed). Dormimos profundamente por algumas horas. Eu acordei primeiro e fui sentar na sacada para contemplar o lago, os barcos e os aviões - tem um pequeno aeroporto que fica em uma pequena ilha do lago, próximo ao condomínio deles (Toronto City Centre Airport).
Quando o Iuri acordou, saímos para mais uma caminhada à beira do lago, onde tivemos a oportunidade de presenciar e filmar uma estranha experiência da vida selvagem do Canadá: o duelo entre duas aves - achamos que era um patinho e um cisne, os especialistas que nos ajudem, por favor (risos).
Dali fomos a um mercadinho para comprar algumas coisas para a janta - afinal de contas, se estávamos sendo tão bem recebidos, tínhamos a obrigação de, ao menos oferecer aos nossos anfitriões alguma coisa para comerem quando chegassem cansados de sua labuta. Como não sabíamos de que eles gostam de comer, decidimos comprar uns "nachos" para aperitivar.
Na hora de pagar a conta do mercadinho, o Iuri percebeu que tinha esquecido a carteira em casa, então eu fiquei esperando até que ele fosse apanhá-la. Ainda bem que o apartamento fica pertinho do mercado.
Fiquei esperando na calçada e vi o carro do Júnior se aproximando e nele estavam a Scheila e o Iuri. Sheila tinha chegado em casa do trabalho e pegara o carro para ir ao supermercado. O Iuri pagou a conta no mercadinho e pegou as compras... então fomos a um supermercado de verdade: o Loblaws (da mesma rede que tem em London). A Sheila tinha uma receita de lazanha e compramos os ingredientes para prepará-la para o jantar.
Enquanto a Sheila preparava a lazanha, o Júnior fez um chimarrão beeeeeem gaudéééério!
A lazanha ficou maravilhosa! Assistimos o DVD do casamento do casal, realizado em Porto Alegre, em março deste ano. O DVD chegara naquele mesmo dia, 01 de junho, então asisstimos em primeira mão, junto com os noivos. Sentimos, junto com eles, a emoção de estar longe daquelas pessoas a quem amamos...
Fomos dormir e acordamos tarde no sábado. Tivemos um breakfast com omelete e batatas cozidas (hmmmmm). Depois saímos caminhando, para conhecer o centro de Toronto, visitamos lojas diferentes, conhecemos uma parte subterrânea da cidade e almoçamos no pátio de um restaurante - almoço regado a cerveja :)
Voltamos para casa cansados, descansamos uma meia hora e depois começamos a nos arrumar para assistir ao Fantasma da Ópera.
A peça é m a r a v i l h o s a !!! Tudo o que tinham nos dito sobre ela e mais um tanto de emoção pela oportunidade de estar lá e assisti-la. Gostaria que todo mundo pudesse ter essa oportunidade! Valeu cada centavo investido, valeu os dois meses de espera, valeu o calo nos pés, valeu tudo!
Domingo fomos comer churrasco na casa de outro gaúcho que mora em Toronto e é amigo do Júnior e da Sheila: o Leonardo. No caminho para a casa do Léo, compramos picanha e costela num supermercado português, chamado: "Nosso Talho". Consegui comprar farinha de mandioca: agora podemos comer feijão mexido legítimo e massa com farinha frita por cima!!!
A carne foi assada aos poucos e fomos comendo as lascas (deliciosas!!!). Lá pelas tantas, o Iuri percebeu que o fogo havia atingido o saco de carvão e já queimava a "esteirinha de palha" que enfeitava a cerquinha da sacada, onde estava a churrasqueira. O Léo pediu para alguém trazer água, o Júnior não encontrou um recipiente para encher com esse líquido, então veio correndo da cozinha, com uma garrafa de dois litros de "guaraná Antártica". Por sorte, o Léo já chegara com o extintor de incêncio e conseguira conter as chamas, antes que o Júnior desperdissasse o precioso refrigerante brasileiro :)
Bem, a esteirinha de palha vai ter que ser substituída, o vaso de folhagem talvez tenha que ser re-pintado, mas o churrasco estava "supimpa!"
Antes de ir embora para a estação de trem de Toronto, eu agradeci ao Júnior e à Scheila, dizendo que nos receberam de forma muito calorosa e o Léo disse que recepção calorosa foi a dele, com direito a show pirotécnico - hehehe!
Obrigada Júnior Linn, obrigada Sheila, obrigada Léo! O fim de semana foi inesquecível...

As fotos e vídeos estão no álbum e podem ser acessadas em: http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/TorontoEOFantasmaDaPera

O esquilo e a maçã

Quinta-feira passada, dia 31 de maio, eu estava me preparando para a viagem a Toronto que seria no dia seguinte. Fui à cabeleireira fazer highlights (luzes) e cortar um pouco meus cabelos. Como o dia estava ensolarado e quente, deixei a janelinha da cozinha aberta - só com a telinha fechada - para arejar a casa (todas as casas canadenses possuem telinhas nas janelas e portas para prevenir a entrada de insetos e outros animaizinhos). Quando voltei para casa, notei que o condicionador de ar estava funcionando e decidi fechar a janelinha da cozinha. Como eu não conseguia baixá-la totalmente, me estiquei por cima do forno de microondas para ver o que estava impedindo o movimento da janelinha. Para minha surpresa, a maçã, que antes estava no prato de frutas sobre o microondas, agora jazia entre o marco e a parte móvel da janela e... roída. Muito surpresa com o fato, percebi que a telinha da janela estava rasgada e logo imaginei que tivesse sido um esquilo. O bichinho, provavelmente passando ao lado da janelinha, sentiu o aroma da maçã e não resistindo, abriu um buraco na telinha, entrou no apartamento, subiu no microondas e tentou levar a maçã consigo. Para sua má sorte, a maçã não passou pelo buraco e ele foi embora, não sem antes roer o quanto conseguiu da saborosa fruta. Mais tarde, quando o Iuri chegou em casa, colocou a maçã na cerquinha do deck e não demorou muito até que um esquilo (talvez o mesmo que roeu a tela da janelinha) a levou embora, correndo com a fruta na boca, subindo no telhado da garagem dos vizinhos, conforme pode-se ver no vídeo, clicando no link abaixo.
http://picasaweb.google.com/Nara.Maria.Muller/OEsquiloEAMa

Agora eu já sei: não deixo mais janela aberta para arejar a casa sem ficar por perto - e de olho nos esquilos (risos).

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Banana no lanche?


Quando eu era pequeno, levava lanche para a escola. Uma vez minha mãe colocou banana na minha pasta. A banana era madura, e minha pasta nunca perdeu o cheiro de banana, até ser descartada. Às vezes, abria aquela pasta para pegar os cadernos ou qualquer outra coisa e sentia aquele cheiro. Anos mais tarde, já adulto, contei isso e as pessoas à minha volta todas riram, como se tivesse acontecido algo semelhante a elas. Talvez várias pessoas tenham passado por essa experiência, sei lá. Talvez valha a pena criar uma comunidade no Orkut: "minha pasta fedia a banana", ou algo assim.
Bom, aí por volta de meus doze anos, passou a ser "pagação de mico" levar lanche para a escola. Os últimos remanescentes eram motivo de chacota, até que todos pararam. Comprávamos o lanche no bar da escola. Quando comecei a trabalhar, a empresa tinha refeitório, almoçávamos lá, e depois começamos a receber vale-refeição. Almoçávamos nos restaurantes "executivos". No Brasil, pelo menos no RS, ninguém leva lanche para o trabalho.
No Canadá, as refeições são MUITO distintas das brasileiras. Aqui, se come um "breakfast" reforçado, com ovos fritos ou omelete, batatas fritas, bacon... inimaginável. Depois, ao meio-dia, um "lunch" leve, como sanduíches. E por volta das seis, no máximo sete da noite, uma janta com comida quente e salgada, mais ou menos como nossos almoços. Ou seja, não conseguimos (nem queremos) nos adaptar.
Mas não há oferta de almoço como o nosso nos restaurantes. E mesmo que houvesse, o preço seria impraticável, e arrebentaria nosso mirrado orçamento. O negócio foi fazer como todo mundo aqui: levar almoço de casa, em uma "merendeira" especialmente comprada para esse fim. Mas não me rendi ao almoço de sanduíche: levo feijão, arroz, carne, salada e alguma sobremesa. Em geral, frutas. Cozinhamos para a semana, temos porções congeladas no freezer, e aqueço no microondas da cozinha dos alunos de doutorado.
Sim, os alunos de doutorado aqui tem um escritório com chave (em geral, dois alunos por escritório) e uma cozinha exclusiva, com geladeira, microondas e "kettle", que é uma chaleira elétrica para esquentar água. Quase são tratados como gente.
Semana passada, levei banana de sobremesa no lanche. Como fazer para não ficar com a pasta fedida? Comprei "banana chips" no Bulk Barn, uma espécie de banana desidratada, cortada em rodelas (ver foto). Aliás, o Bulk Barn é um lugar tão interessante que merece um post separado. Fica para outra vez.

Carteirinha de Ontário


"Yours to discover" ("sua para descobrir" -- ou, "me descubra") é o slogan de Ontário, a província em que vivemos aqui no Canadá. Realmente, há muita coisa que descobrir depois que se chega aqui...
Desde antes de chegarmos no Canadá, vínhamos nos questionando se devíamos comprar um carro. Meu orientador canadense, então, me havia passado um contato de um aluno do doutorado da Ivey que disse que não era necessário, o que de certa forma nos tranqüilizou. Ao chegarmos, com aquele frio todo e neve, começamos a pensar que um carro ajudaria muito, principalmente na hora de trazer as compras de supermercado. Além disso, um carro poderia servir para nos levar para passeios breves, aos finais de semana.
Por várias vezes, ficamos na dúvida de qual seria a melhor decisão. Discutimos muito, pesamos prós e contras, e procuramos muita informação, para podermos tomar a decisão acertada. Afinal, um automóvel usado, por mais barato que seja no Canadá, sempre é uma fonte de despesa, principalmente se tivermos que fazer qualquer tipo de manutenção. Mecânico custa CAD 60 a hora de trabalho! Qualquer manutenção aqui nos tomaria uma boa grana, o que não dispomos em grande quantidade. Além disso, não se pode comprar um carro sem fazer seguro. Não é como o nosso "seguro obrigatório", que custa uns 30 reais por ano, que se faz quando se paga o IPVA no Brasil. É seguro mesmo, com seguradora e tudo. E pelo jeito, nada barato.
Outro dia desses, um conhecido nos ofereceu um carro interessante: 10 anos de idade, alguns pontos de ferrugem, mas com a manutenção em dia, e a um preço legal (CAD 2000). Um bom negócio, enfim. Mas ficamos ainda na dúvida.
Semana passada, alugamos um carro. A Nara já fez um post a respeito. Fomos visitar uma fazenda de leite, e não havia como ir de ônibus. De documentação, foram necessários apenas o cartão de crédito e minha permissão internacional para dirigir (PID), expedida pelo DETRAN-RS. O aluguel não saiu muito caro: CAD 40 a diária, mais CAD 18 de seguro, mais impostos, CAD 65 no total. Mas a sensação de dirigir foi ótima! O trânsito aqui, apesar de ter umas regras diferentes, é muito gostoso de dirigir. Calmo, até.
Voltamos para casa encantados! E pensei: vou comprar o carro do conhecido. Mandei um e-mail para ele perguntando se já tinha vendido o carro, ele me ligou de volta e marcamos para eu ir à casa dele no dia seguinte. O carro era bom de dirigir e tudo. Estava decidido: esse carro seria nosso!
No dia seguinte, tirei o dia para ver o preço do seguro e fazer a transação. Descobri o seguinte: para fazer o seguro, precisamos ter carteira de motorista expedida por Ontário. Não servia a PID. Além disso, o seguro sairia uns CAD 150 só para terceiros. Se eu quisesse ainda ter cobertura para o próprio automóvel, ia para uns CAD 182 (uma diferença não muito grande, até). O problema é que esse seria só o meu seguro. Teria que ter outro para a Nara, caso ela quisesse dirigir. Bom, aí a coisa saiu do controle. Tirar 2 licenças de motorista de Ontário, fazer 2 seguros, mais as taxas de transferência (só para fazer uma placa de carro, que é do proprietário, e não do automóvel, aqui, custa CAD 150... imagina o resto). Mais o valor do carro, e ainda teríamos que tentar vender em pleno inverno... Resumo: cancelei o negócio.
Pelo fato de não querermos fazer carteira de Ontário, nosso problema está resolvido: não vamos comprar carro! Se precisarmos, vamos seguir alugando ou "dando um jeito", como vínhamos fazendo até agora.