domingo, 1 de abril de 2007

MBA "Verde"

Uma coisa que eu estou começando a entender aqui é a diferença entre o curso de MBA (Master in Business Administration) no Canadá e no Brasil. Como sou aluno de doutorado, e não de MBA, talvez eu demore um pouco mais para entender as coisas, hehehe... Mas esse assunto me interessa mais por questões profissionais do que acadêmicas. Não tem carreira de "pesquisador" no Brasil. Para ser pesquisador em uma instituição de ensino, todos os doutores têm que atuar como professores também. Na graduação e na pós-graduação.
No Brasil, o MBA é, por lei, equivalente a um curso de especialização. Ou seja, não vale como um mestrado. Isso eu já sabia antes de vir. O que ainda estou por entender é como funciona o MBA aqui.
Eu pensava que o MBA aqui fosse como nosso mestrado em administração no Brasil. Na verdade, não é bem assim.
O MBA full-time, o tradicional, demora entre 1 e 2 anos e parece mais com o nosso Mestrado Profissionalizante em Administração (MPA). Ou pelo menos, o que o MPA deveria ser no Brasil, pois em alguns lugares o MPA dá um título de Mestre mas oferece um curso de especialização... Deixa eu esclarecer esse ponto. No Brasil, a maior parte dos cursos de especialização em administração são o curso do PowerPoint: o aluno entra e recebe aulas expositivas, com projetor multimídia, bonitinho, mas "normal". Ou seja, é o aluno sentado na classe e o professor "transmitindo" conteúdo, em geral pronto. No Canadá, pelo menos na Ivey, o curso (tanto MBA quanto graduação) é fortemente centrado em estudos de caso, onde os alunos têm que preparar em casa, ou em salas de reunião que a própria universidade disponibiliza (é só o aluno passar seu cartão e a porta abre). Ou seja, o aluno é muito mais responsável pelo seu aprendizado do que o professor. É a tal de "aprendizagem centrada no aluno".
Novamente, comparando nossas culturas, não sei se o aluno brasileiro aceitaria pagar para o professor "não dar aula", como aqui. Alguns alunos de curso superior interpretam, no Brasil, qualquer atividade "diferente", como dinâmicas de grupo, análise de filmes, "role playing", palestras, como "matação de aula" por parte do professor... Nem todos, é verdade, mas sempre se está sujeito a críticas.
Só que eu descobri aqui que existe uma modalidade "part-time" de MBA, o EMBA, ou Executive MBA. Ou seja, é para profissionais que não querem sair do mercado de trabalho para estudar. Eles têm duração de 1 ano, como boa parte de nossas especializações no Brasil. Ainda não entendi bem como isso funciona, vou tentar "assistir" algumas aulas tanto de MBA quanto de EMBA para ver como elas funcionam, e tentar sacar a diferença delas para as nossas aulas de especialização. Outra coisa que me pareceu aqui é que o cidadão canadense (contrariamente aos nossos profissionais) fica sem trabalhar durante a graduação (o curso de administração da Ivey, por exemplo, é de turno integral, com aulas das 9h da manhã às 5h da tarde). Depois, saem da graduação e entram direto no MBA, e só aí vão procurar emprego, contando inclusive com apoio da universidade para isso. Já o aluno de EMBA não tem esse perfil, deve ser um profissional do mercado que volta para uma atualização.

Bom, para terminar, essa semana saiu no jornal de circulação nacional do Canadá, o Globe and Mail, um caderno especial sobre MBAs. Três coisas me chamaram a atenção:

  • Como está aumentando muito o número de profissionais com MBA aqui, as exigências sobre esses profissionais está aumentando. Clique aqui para ler a reportagem.
  • Como forma de explorar novos nichos de mercado, as instituições de ensino estão oferecendo cursos de MBA "focados". Por exemplo, MBA com gestão hospitalar, ou MBA em agronegócios. O MBA aqui antes era, por definição, um curso generalista. Clique aqui para ler a reportagem. Acho que tem uma boa oportunidade para instituições de ensino no Brasil para explorar, por exemplo, a carência de formação gerencial dos médicos.
  • Está aumentando a oferta por MBAs "verdes", que preparam os profissionais para solucionar os problemas gerenciais que as empresas enfrentam ao incorporar questões ambientais no seus processos de negócios. Para mim, que estudo esse tipo de coisa, foi uma boa notícia. Clique aqui para ler a reportagem (em inglês).

Um comentário:

Paulo disse...

Muito interessante isso, Iuri! Valeu pela "aula"!
Abraços,
Paulo Ricardo