terça-feira, 13 de novembro de 2007

Negociações em Toronto

Desde que eu estive em Woodstock, em setembro passado, tenho mantido contato com a Carol Anne, da LHO (Ontario Large Herd Operators), para intermediar a visita técnica ao Brasil, de uma delegação de fazendeiros de leite ligados a essa organização.
Durante as palestras sobre sucessão familiar nas fazendas de leite, em Woodstock, o mestre de cerimônias anunciou que o grupo estava planejando uma visita à América do Sul para 2008, incluindo o Brasil.
Como eles ainda não tinham um roteiro definido, tratei de fazer contatos com alguns brasileiros que, na minha opinião, poderiam ajudar. Mandei alguns e-mails e obtive resposta da Manuela Gama, da Láctea Brasil, de São Paulo.
A LácteaBrasil é uma ONG que visa divulgar o leite e seus derivados a fim de aumentar o consumo e as vendas desses alimentos. http://www.lacteabrasil.org.br/
A Manuela imediatamente me informou o endereço eletrônico de outra brasileira: a Leila Gomes, que é assessora de comunicação da cooperativa Castrolanda, de Castro - Paraná.
A Castrolanda é a organizadora de uma importante feira brasileira de laticínios: a Agroleite, realizada em agosto, no Paraná.
O mais interessante é que as duas: Manuela e Leila estavam se preparando para acompanhar uma delegação brasileira com mais 51 pessoas em uma viagem para o Canadá. A delegação viria para visitar duas importantes feiras: uma em Montreal - Quebec e outra em Toronto - Ontário.
A Royal Agriculture Winter Fair de Toronto elas visitariam entre os dias 7 e 10 de outubro. E lá fui eu, de maleta e sem cuia, para Toronto, no dia 8 para encontrá-las no dia 9.
Saí de London às 10h30min, estava frio (entre 2 e 3 graus C) e chuviscando um pouco. Quem leu meu post anterior, sabe que tinha nevado uns 6 floquinhos no dia anterior - risos.
No caminho para Toronto, entre Ingersoll e Waterloo, enfrentamos uma tempestade de neve e os campos, árvores, telhados e carros estavam branquinhos, acho que nevara a noite toda naquela região.
Minha máquina fotográfica estava na frasqueira no compartimento interno de bagagem, mas o acesso estava meio difícil, então pensei: "vou ficar quietinha só olhando a paisagem e tiro as fotos em Toronto" - imaginei como a Manuela estaria feliz por realizar seu sonho de ver neve de verdade! Engano meu, em Toronto o clima estava igual a London, frio e chuviscando (chuva, não neve).
Good for me (heheehe).
Fiquei na casa dos amigos Júnior e Sheila e, sexta-feira de manhã, fui visitar a Royal Fair. Tinha marcado encontro com as brasileiras para às 14 horas, no hotel onde estavam hospedadas.

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Sobre a feira:

A feira estava bonita, totalmente indoor (dentro do centro de exibições de Toronto) devido à época do ano em que se realiza. Normalmente, já deveria estar nevando muuuuito nessa época, mas, felizmente, não está.
Confesso que me decepcionei um pouco, pois a propaganda mostrava uma das maiores feiras do mundo. Eu até me atreveria a dizer que a Expointer é mais bonita...

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Encontro com as brasileiras:

Nós não nos conhecíamos pessoalmente, então eu fiz uma breve auto-descrição e disse que estaria com um casacão marrom com capuz de pelinhos...
Cheguei um pouco antes das duas horas e fiquei esperando no saguão do hotel. Aivstei duas moças chegando no hotel e elas logo me identificaram (descrição perfeita). Ufa!!! pude tirar o casacão - estava morrendo de calor, pois todos os ambientes internos são climatizados.
A Manuela não estava se sentindo muito bem e foi para o quarto e eu fiquei conversando com a Leila por uma hora e meia.
Tudo acertado entre nós duas: ela tem o ambiente perfeito para receber os fazendeiros canadenses. Só falta convencê-los disso. (risos) Muitos fazendeiros aqui de Ontário são de origem holandesa e a região de Castrolanda, no interior de Castro também é uma colônia holandesa.
Passei essas informações para a Carol Anne, da LHO, e estou aguardando o resultado da reunião do comitê organizador da viagem à América do Sul.

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Contatos na Austrália:

Depois de nos despedirmos, a Leila subiu para seu quarto e eu fiquei vestindo meu casacão marrom para enfrentar o frio e o chuvesqueiro da rua. Eu tinha deixado a bolsa, frasqueira e casaco sobre uma mesinha ao lado do sofá e, quando fui apanhá-las, uma senhora muito simpática, que estava sentada ao lado de sua filha, me perguntou se eu falava inglês (provavelmente me ouvira falando em português com a Leila). Respondi que sim e ela tratou de perguntar se eu tinha ido à feira, o que tinha achado e tal... Ela tinha um estranho sotaque (olha quem falando - risos) e eu perguntei de onde ela era: "Austrália" - respondeu ela, toda sorridente. Conversamos um tempo, ela me disse que ela e o marido têm uma fazenda de leite em Melbourne. Eu contei a ela que meu cunhado está fazendo doutorado em Sidney e que minha cunhada e sobrinho estão indo para lá nos próximos dias. Trocamos cartões de visita e ela disse: "Se você tiver alguma dúvida sobre fazendas de leite, manda um e-mail que nós responderemos".
Se o Iuri e eu formos visitar nossos parentes (irmã, cunhado e sobrinho dele) na Austrália, já tenho uma fazenda de leite para conhecer lá.

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A volta para casa: (um fato engraçado)

Dessa vez eu fui sozinha para Toronto, pois o Iuri anda ocupadíssimo com a compilação e análise dos dados da sua pesquisa. Mas ele me deu um ticket de metrô que tinha sobrado de sua ida à Toronto, em junho, para um seminário na Universidade de York.
Perto do hotel onde as meninas estavam hospedadas havia uma estação do metrô e eu desci as escadas rapidamente e me informei no terminal, qual a direção que deveria tomar para ir até o terminal de ônibus. Mapa na mão, eu apontava e dizia que queria ir até esse terminal.
Um senhor me disse para descer as escadas, "logo ali à esquerda" e que lá em baixo, eu veria um sinal indicando o caminho para o terminal de ônibus. Cheguei lá em baixo e logo vi uma porta de vidro com o sinal indicando o caminho para o terminal de ônibus. Atravessei a porta e não vi nenhum trilho de metrô - eu pensava que iria de metrô até o terminal de ônibus - mas só via lojas, cafeterias, bancos, etc. Me dei conta que eu estava na parte subterrânea de Toronto, onde todas as lojas da superfície têm suas extensões. Voltei um trecho e avistei outro terminal do metrô. Atordoada, perguntei ao vendedor de tickets, qual o metrô que eu deveria tomar para ir ao terminal de ônibus. Meio irritado, ele me disse: "Vá caminhando, são somente duas quadras"...
Envergonhada, eu agradeci e segui as placas por dentro da cidade subterrânea. Aproveitei para fazer um lanche e subi as escadas, entrando diretamente no terminal de ônibus. Trouxe de volta o ticket do metrô. Acho que vou levá-lo de recordação para o Brasil.
Minha passagem era para as 19h20, mas consegui antecipar para 16h30 e o ônibus estava quase saindo quando eu entrei. Tirei umas fotos de Toronto, de dentro do ônibus. Acho que só volto para Toronto para tomar o avião de volta ao Brasil, em 18 de janeiro.

Fotos dessa viagem de negócios a Toronto estão em:

http://picasaweb.google.com/naram.muller/RoyalFairEmToronto

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